Jorge Fernando
Jorge Fernando parte precocemente, aos 64 anos (Imagem: Divulgação / Globo)

De todas as manifestações que li a respeito da morte de Jorge Fernando, uma me tocou profundamente. “A gente tem sempre que valorizar quem deixa a vida da gente mais leve”, tuitou a influencer Larissa Martins, que divide o canal Coisas de TV com Fábio Garcia.

Nos últimos anos, Jorginho não foi valorizado como merecia. Muitos dos problemas de sua derradeira empreitada, Verão 90, foram atribuídos à direção. Como se não fosse natural que ele, após inúmeros problemas de saúde, enfrentasse dificuldades de toda ordem, da readequação ao ritmo industrial do folhetim à capacidade de se reinventar, após tantos anos de estrada e diversas intervenções em prol de seu bem estar.

Verão 90 cumpriu a missão de entreter e de turbinar os números do horário das 19h. Ficará marcada também como a trama de despedida de Jorginho, sem o brilho de trabalhos anteriores. E quantos trabalhos… Quantas cenas inesquecíveis saíram da mente, das mãos e dos decibéis de Jorge Fernando – seu volume era sempre alto, como víamos nas matérias de bastidores do saudoso Vídeo Show.

Foi o homem que conduziu Fernanda Montenegro e Paulo Autran na icônica cena de Charlô, Otávio e o café da manhã de Guerra dos Sexos (1983), marco do horário das 19h, escrito por Silvio de Abreu – com quem já havia buscado inovação para a faixa, em Jogo da Vida (1981), ao lado do amigo Guel Arraes. Foi ele também quem orientou Fernandona em fuga pelas ruas de São Paulo, como Naná de Cambalacho (1986).

Ergueu Avilan de Que Rei Sou Eu? (1989), Armação dos Anjos de Vamp (1991), Nova Esperança de Era Uma Vez… (1998), Ventura de Chocolate com Pimenta (2003), Roseiral de Alma Gêmea (2005). As duas últimas de Walcyr Carrasco, seu parceiro em Eta Mundo Bom! (2016), a mais bem-sucedida, em audiência e repercussão, novela das 18h desta década.

Jorge Fernando estava no alto do prédio da Avenida Paulista de onde Laurinha Figueroa (Glória Menezes) despencou para a morte, sob o olhar incrédulo de Maria do Carmo (Regina Duarte), a Rainha da Sucata (1990). Também foi testemunha ocular dos crimes ligados ao Opala Preto e ao horóscopo chinês, em A Próxima Vítima (1995).

A despedida de Jorginho soa precoce. Ele irradiava vida. No sorriso aberto, nos brilhantes olhos azuis, nos personagens que concebia, nas cenas milimetricamente calculadas para afrouxar o riso do telespectador. Deixou nossa vida tão leve que voou, lépido e fugaz, da mesma forma que circulava pelos estúdios, ajeitando um objeto de cena aqui, outro acolá… Do jeito como vamos guardá-lo na memória.

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