Ludmilla se junta com famosos negros e expõem racismo velado na mídia

Ludmilla
Ludmilla detona o racismo da mídia (Imagem: Reprodução / Instagram)

Ludmilla fez um desabafo recentemente sobre o racismo que sofre todos os dias nas redes sociais e, por conta disso, o colunista Leo Dias a questionou sobre o que pensa com relação à atitude da mídia com relação a artistas negros.

Na ocasião, ela se juntou aos ex-BBBs João Luiz Pedrosa e Angélica Ramos, o apresentador Marcos Luca Valentim, a ex-Globeleza Valéria Valenssa e o autor de novelas João Ximenes Braga para expor o que acontece por trás das câmeras.

Ludmilla, ao falar sobre o assunto, disparou:

“O racismo no Brasil é estrutural. Precisamos tirar o preconceito da invisibilidade. As pessoas acham normal expressões racistas que são faladas diariamente. Primeiro de tudo, o Brasil precisa reconhecer o racismo que acontece nele, esse é o ponto de partida. Além disso, precisamos enxergar os privilégios que as pessoas brancas possuem. A probabilidade de uma pessoa branca ser perseguida dentro de um estabelecimento comercial porque o segurança acha que vai furtar algo é mínima em relação a pessoas negras. Isso é normal?”.

“Precisamos lutar diariamente contra o racismo e cada vez com mais intensidade. Racismo é crime e as coisas não podem continuar como estão”, completou Ludmilla.

O ex-BBB João Luiz Pedrosa, do BBB 21, afirmou: “Pessoas negras não estão pegando o lugar dos brancos. Inclusive, a própria frase ao dizer ‘lugar dos brancos’ pressupõe que é exclusivamente dos brancos, mas a realidade é que nós queremos poder circular e usufruir dos mesmos espaços”.

Já a ex-Globeleza, a modelo e repórter Valéria Valenssa, que fez sucesso nos anos 90, expôs seu ponto de vista: “Em 1989, participei do concurso Garota de Ipanema. Era a única negra entre as candidatas”. E revelou:

“Não dava ouvidos ao que a sociedade falava que eu podia ou não fazer por conta da cor da minha pele. Não ganhei o concurso, mas foi ali que conheci o Boni, o Hans, o Chico Recarey e surgiu a oportunidade que mudaria minha vida. Então, não deixe que o preconceito da sociedade tire as suas oportunidades, continue lutando”.

Co-autor da novela Lado a Lado, da Globo, João Ximenes Braga declarou:

“A questão é que não se trata de tirar lugar, mas tirar margem de lucro. O racismo não é espontâneo, foi um sistema de pensamento criado para justificar o injustificável, a escravidão. A escravidão não acabou exatamente, foi transformada num outro sistema de exploração de mão de obra barata, em vigência até hoje. O racismo é o óleo que lubrifica as engrenagens dessa máquina, pois é o que permite que a sociedade aceite conviver com a desigualdade, pois o racismo desumaniza o explorado”.

“Então não é que a sociedade tenha dificuldade de entender. A sociedade entende muito bem e se organizou para manter essa máquina funcionando. No século XX, antes que a coisa fugisse do controle, criaram a guerra às drogas para manter a contenção dessa população”, explicou.

“A guerra às drogas só aumentou o lucro desse sistema, pois toda bala perdida um dia foi uma bala comprada. Estou falando, claro, do grande capital, mas a classe média o espelha, pois também explora a mão-de-obra barata. Portanto, não acho que a branquitude não dê espaço aos negros por medo ou ignorância. É cinismo e apego à liberdade de ser mau caráter e canalha”, disse ainda.

Por fim, a ex-BBB Angélica Ramos, que participou recentemente do No Limite, afirmou:

“A sociedade ainda tem receio de dar o lugar para o negro, principalmente, em grandes empresas, marcas e representatividade. Existe um estereótipo criado em cima do povo preto, de que não somos consumidores e, na verdade, a gente consome. O Brasil é carregado de miscigenação e ancestralidade. As pessoas negam isso há muitos anos e tentam mostrar que o negro não tem poder de compra. Falta espaço. Dar lugar ao negro não tira o do branco”.

E finalizou dizendo: “Todos têm o seu lugar e precisam ser representados. O branco, o preto, o pobre, o indígena. Quando falam dos pretos, colocam de forma errônea. Devem apostar no povo preto, sim”.

Da Redação
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