A disputa pelos bastidores da Copa do Mundo de 2026 já começou — e não está dentro de campo. Uma gigante global decidiu investir simultaneamente na TV aberta e no streaming, expondo uma mudança silenciosa no mercado publicitário.

A Coca-Cola, uma das marcas mais tradicionais do futebol, aparece tanto nos pacotes comerciais da Globo quanto entre os parceiros da CazéTV. O movimento não é isolado e indica uma estratégia clara de divisão de investimentos.
Onde a marca aparece em cada transmissão
Na Globo, a Coca-Cola integra o grupo de patrocinadores de apoio da Copa, dentro de um modelo clássico de cotas publicitárias. A presença envolve inserções nos jogos, vinhetas e participação em programas esportivos.
Já na CazéTV, o posicionamento é diferente. A marca participa de ativações digitais, conteúdos integrados e ações voltadas ao público jovem, incluindo projetos como a chamada “Casa CazéTV”.
Resumo da presença da Coca-Cola:
| Plataforma | Tipo de exposição | Estratégia |
|---|---|---|
| Globo | Inserções e cotas publicitárias | Alcance massivo |
| CazéTV | Conteúdo integrado e ativações | Engajamento digital |
Divisão de bilhões mostra mudança no mercado
A Globo segue como principal potência comercial da Copa. A emissora já fechou cerca de 10 marcas e pode alcançar algo próximo de R$ 2 bilhões em faturamento com o evento.
O modelo ainda é baseado em cotas de alto valor, que podem ultrapassar R$ 300 milhões dependendo do nível de exposição.
Do outro lado, a CazéTV cresce com um formato diferente. As cotas são mais flexíveis, com forte integração ao conteúdo e valores que podem chegar perto de R$ 185 milhões por parceiro.
Esse cenário cria uma nova dinâmica: o dinheiro da Copa não está mais concentrado em um único lugar.
Globo x CazéTV: disputa deixa de ser só por audiência
A presença de uma mesma marca nos dois lados revela algo maior do que uma simples escolha publicitária. O mercado passou a operar com estratégia de “dupla aposta”.
Na prática, isso significa que empresas querem garantir presença tanto na audiência massiva da TV quanto no engajamento do digital.
A Globo continua dominante em alcance. No entanto, a CazéTV cresce ao oferecer proximidade com o público e linguagem mais direta.
O que muda a partir da Copa de 2026
O movimento observado nesta Copa pode marcar uma virada definitiva no mercado de mídia esportiva.
A exclusividade, que sempre foi um dos pilares da Globo em grandes eventos, começa a perder espaço. Ao mesmo tempo, o streaming ganha força como alternativa real para grandes investimentos publicitários.
Para o público, a consequência é clara. A experiência de acompanhar a Copa tende a se dividir entre formatos tradicionais e novas formas de consumo.
Para o mercado, o recado já foi dado. A disputa não é mais apenas por quem transmite — mas por quem consegue atrair e manter as grandes marcas.
Moysés Batista é editor de conteúdo no FDR, com foco em finanças pessoais, benefícios sociais, políticas públicas e direitos do cidadão. Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atua com foco na produção de conteúdos informativos orientados por dados oficiais e normas do Governo Federal. É responsável por análises e pautação sobre programas sociais, crédito, previdência e consumo, com ênfase em clareza, serviço ao leitor e verificação de informações públicas. E-mail para contato: [email protected]
