Matheus Dias fala da importância da representatividade do casal Bento e Letícia na TV

Matheus Dias
Matheus Dias comenta sobre o casal Bento e Letícia na TV (Imagem: Divulgação / Eduardo de Paulla)

De São João del Rei para o mundo da televisão. Aos 22 anos, Matheus Dias, deixou para trás a cidade mineira, amigos e familiares para correr atrás do sonho de ser ator e deu certo. Após estrear em Malhação e ficar um bom tempo afastado da TV, hoje, o ator faz sucesso em Além da Ilusão ao dar vida ao soldado e poeta Bento.

Na trama, o personagem é apaixonado por Letícia, interpretada por Larissa Nunes. Aliás, o casal caiu nas graças do público e muitos se identificam com a história de amor entre eles, que ainda traz uma função social: a de quebrar estereótipos de casais pretos nos folhetins.

“Estamos falando de uma professora e de um escritor pretos nos anos 1940. Falando como um jovem ator preto, contar essa história de amor é algo histórico na TV porque raramente vemos casais pretos com destaque e contando uma real história de amor. A história deles foge dos estereótipos que eram dados aos personagens pretos nas tramas. Isso é um presente para nós e para o público”, define Matheus Dias em entrevista exclusiva ao RD1.

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Confira a entrevista na íntegra:

RD1 – Na novela, Bento sonha em ser um grande escritor. Você tem paixão pela literatura? Que livro nunca sai da sua cabeceira?

Matheus Dias – Sempre gostei mais de escrever do que de ler. Mas desde que o Bento entrou na minha vida, os livros e artigos de época e as poesias começaram a fazer mais parte do meu dia a dia. E isso foi maravilhoso porque sempre me pego pensando em uma poesia que li ou que estou pensando em escrever. O livro que não pode faltar na minha cabeceira é: “Crônicas da Guerra na Itália”, de Rubem Braga.

Você estudou sobre o universo da Segunda Guerra e da época em que é contada a novela…

Foi uma linda pesquisa que fiz sobre as imagens, os áudios dos pracinhas, e mais os dados da época em que a novela é retratada. Sempre fui apaixonado por história. E a Segunda Guerra era um dos assuntos que mais me despertava curiosidade desde criança. Tive acesso a um aplicativo com registros da época, com fotografias incríveis e fortes. Comecei a montar um álbum digital com essas fotos e o compartilhar no meu Instagram – isso antes de ser escalado pra novela!

Bento e Letícia são queridos pelo público. Acredita que muitos se identificam com o casal, em especial os jovens negros?

Falando como um jovem ator preto, contar essa história de amor é algo histórico na TV porque raramente vemos casais pretos com destaque e contando uma real história de amor. Pouquíssimas vezes vimos o afeto entre pessoas pretas nas novelas. E nós tivemos de tudo um pouco: desde a primeira conquista, até o pedido de casamento; cena de sexo e a despedida. Isso é um sinal de que as coisas estão mudando e que, aos poucos, estamos ganhando mais espaço. Bento e Letícia são apaixonados um pelo outro desde criança. A história deles foge dos estereótipos que eram dados aos personagens pretos nas tramas. Estamos falando de uma professora e de um escritor pretos nos anos 1940. Isso é um presente para nós e para o público.

Além da Ilusão é a sua primeira novela das 18 horas. Como foi estrear numa trama de época?

Fazer uma novela de época sempre foi o meu sonho ainda mais falando sobre a Segunda Guerra, afinal, sempre fui fã de história. Estudar a forma de andar, agir e falar da época em que se passa a novela, sem perder a naturalidade, foi um grande desafio. O Bento fala de amor, é um cara racional e que se deixa levar pelo coração, que é puro. Ele vê poesia em tudo, até mesmo na guerra.

Você saiu de São João del Rei para correr atrás do sonho de ser ator. Como foi deixar família, amigos e vir para o Rio de Janeiro?

A maioria das pessoas da minha família mora em Minas Gerais e quando vim para o Rio, em 2009, com a minha mãe e meu padrasto, foi um choque. O Rio é uma cidade muito mais movimentada, as pessoas estão sempre com pressa e eu não tinha a mesma liberdade de antes. Foi difícil não ter mais todas as pessoas importantes por perto. Cada vez que voltava para a minha cidade nas férias escolares, sentia a ficha cair e via que o tempo estava passando. Fui me adaptando e hoje não me vejo morando em Minas de novo, apesar de amar à minha cidade. Com tempo fui descobrindo o quanto o Rio é lindo e diverso, que as coisas em relação a minha profissão acontecem aqui, que é o meu lugar.

Com apenas 22 anos acredita estar preparado para morar sozinho?

No momento ainda não moro sozinho, mas é algo que planejo. Nada melhor do que ter seu próprio espaço e sei que já está chegando o momento disso acontecer. Sou taurino e preciso estar seguro para dar um grande passo. Gosto de me organizar para as coisas fluírem da melhor maneira. Penso muito antes de fazer as coisas. Isso é bom e, ao mesmo tempo, é algo que me trava.

Quando está em casa costuma ir pra cozinha e preparar alguns pratos?

Cozinho muito bem! Desde cedo aprendi a me virar sozinho. Sei fazer de tudo um pouco e tenho facilidade para aprender receitas. Aprendi a fazer muita coisa observando a minha mãe.

Como um bom mineiro, o que não dispensa no almoço?

O que costumo ter sempre em Minas é o angu com couve. Ele combina com quase tudo e aqui em casa não falta.

O que mais sente falta de São João del Rei?

Da infância que tive lá e dos domingos em família.

Você vem de uma família humilde e lutou muito para chegar até aqui…

É muito bom olhar para trás e ver o quanto aprendi – e continuo aprendendo. O quanto mudei e amadureci nesses últimos anos. Foi importante ter passado a primeira vez pela TV com 17 anos e ter ficado fora até agora. Apesar de ter sido duro para mim, precisava estudar e amadurecer. Ter trabalhado com a minha mãe com o delivery de comida, em plena pandemia, foi algo que me ajudou para dar valor ao meu dinheiro e ao meu trabalho. Então, olhar pra isso tudo e ver o trabalho que estou fazendo é gratificante.

Por conta das dificuldades, em algum momento pensou em desistir da carreira?

Depois dos meus dois primeiros trabalhos na televisão, eu me frustrei por um tempo com a profissão. Chegou um momento em que eu não sabia mais o que fazer para me inserir novamente no mercado. Em 2019 pensei em desistir e tive que procurar outras ocupações. Minha mãe não me deixou desistir e passamos a trabalhar juntos no delivery de comida. E aí fui produzir conteúdo independente com amigos durante minhas folgas. A partir daí as coisas voltaram a acontecer e cá estamos. Posso dizer que estou feliz e orgulhoso de tudo o que fiz até agora.

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Márcio Gomes
O carioca Márcio Gomes é apaixonado pelo jornalismo, tanto que o escolheu como profissão. Passou por diversas redações, já foi correspondente estrangeiro dos títulos da Editora Impala de Portugal como Nova Gente, Focus, Boa Forma, e editor na revista de BORDO. Escreveu para várias publicações como Elle, Capricho, Manchete, Desfile, Todateen, Shape, Seleções, Agência Estado/Estadão, O Fuxico, UOL, entre outros.
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