Nos 25 anos de Malhação, 25 curiosidades sobre a primeira temporada da novela

Malhação
Cláudio Heinrich e Fernanda Rodrigues, como Dado e Luiza, em Malhação 1995 (Imagem: Divulgação / Globo)

Há 25 anos, a Globo exibia o primeiro capítulo de Malhação! De lá para cá, a “soap opera” ganhou status de novela e reconhecimento internacional. Em todos estes anos, revelou talentos e impulsionou o horário nobre da emissora. Resgato agora, através desta coluna no RD1, os bastidores da primeira e bem-sucedida temporada da produção. Confira!

– Malhação surgiu no embalo de Barrados no Baile, série estadunidense exibida por aqui desde 1992, às terças-feiras, na Sessão Aventura, e aos domingos. A Globo buscava um produto similar, direcionado ao público de 13 a 17 anos de idade. Anteriormente, a emissora apostou no combo “dramaturgia + game-show” de Radical Chic (1993), sem sucesso.

– Desde sempre, ventilou-se para Malhação a possibilidade de seguir o formato, consagrado no exterior, “soap opera” – “novelas” com tramas e elenco que se renovam de tempos em tempos, sem previsão de término. O roteirista Charles Peixoto, porém, batizou o projeto de “rap soap”, por conta de Bróduei (Fabiano Miranda), auxiliar da cantina, sempre se comunicando por gírias e raps de sua autoria.

– Charles integrava a primeira equipe da novela, supervisionada por Elizabeth Jhin, que acabou se desligando da produção antes da estreia. Parceiros em Tieta (1989) e Lua Cheia de Amor (1990), dentre outros trabalhos, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares assumiram o comando, “chefiando” Charles Peixoto, Márcia Prates e os então novatos Andréa Maltarolli, Emanuel Jacobina e Patrícia Moretzsohn.

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Carolina Dieckmann, Juliana Martins e Viviane Novaes, como Juli, Bela e Lúcia, em Malhação 1995 (Imagem: Divulgação / Globo)

– O formato inicial contava com histórias renovadas a cada semana. Toda sexta-feira, uma trama chegava ao fim e um gancho se abria para os próximos cinco capítulos.

– A opção por uma academia de ginástica como cenário se deu a partir de uma sinopse de Maltarolli e Jacobina, concebida na oficina de roteiro da Globo que determinou a contratação de ambos. O texto, que a princípio seria utilizado apenas em uma oficina de atores, acabou norteando o projeto.

– Criação do cenógrafo Mário Monteiro, a academia de Malhação ocupava uma área de 1.560m², nos estúdios da Cinédia, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. E era formada por 18 cenários, como estacionamento, salas de aeróbica, artes marciais e musculação, vestiários, cantina, loja de roupas, videoteca, terraço, piscina e setor administrativo.

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Silvia Pfeifer, como Paula, em Malhação 1995 (Imagem: Divulgação / Globo)

– Myrian Rios chegou a ser convidada para viver Paula Pratta, proprietária da academia de ginástica. A atriz estava ausente do vídeo desde uma participação no episódio Amigo do Peito, do Você Decide, em 1994 – sua última novela, até então, era Bambolê (1987). Myrian embarcou para um passeio na Europa levando os cinco primeiros capítulos na bagagem; contudo, tão logo voltou, foi desconvidada pela produção, que a julgou “nova demais” para a personagem, entregue a Sílvia Pfeifer (ambas, porém, nasceram em 1958). Em outubro, Rios participou de uma das tramas de Malhação – como Teresa, mãe do problemático Caco (João Rebello), viciada em jogos de azar.

– Nuno Leal Maia, convidado para História de Amor, às 18h, também deixou o elenco antes do início das gravações. Seu personagem, Gonzales, ex-marido de Paula, acabou nas mãos do estreante Frederico Benedini. Já Rosamaria Murtinho, escalada para Olga, mãe de Paula, foi substituída por Nair Bello. Tempos depois, se integrou ao time de A Próxima Vítima, às 20h. Fernando Almeida também chegou a ser escalado, como o professor de natação Israel (Ademir Zanyor).

– À revista Contigo!, Patrícia Moretzsohn revelou que Patrícia de Sabrit também esteve nos planos da direção para a primeira temporada: “Estão achando que ela não tem sotaque carioca e seria melhor aproveitada em alguma novela. O mesmo acontece com a triatleta Fernanda Keller, que pode interpretar uma professora de ginástica”.

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Carolina Dieckmann, como Juli, em Malhação 1995 (Imagem: Divulgação / Globo)

– O elenco reunia jovens “veteranos” e “novatos”. Danton Mello (Héricles), por exemplo, acumulou experiência em A Gata Comeu (1985), assim como Juliana Martins (Bella), e A Viagem (1994), tal qual Fernanda Rodrigues (Luiza). Luigi Baricelli (Romão) já havia passado por Globo e Manchete. Fabiano Miranda atuou em Sonho Meu, no mesmo 1993 em que Bruno de Luca (Fabinho) estreou na telinha com Fera Ferida. Estreantes, de fato, eram Ana Paula Tabalipa (Tainá), André Marques (Mocotó) e Daniela Pessoa (Magali). Cláudio Heinrich (Dado), por sua vez, já havia atuado no cinema, em longas-metragens estrelados por Xuxa Meneghel, de quem foi Paquito.

– Revelada em Sex Appeal (1993) e com status de estrela após a Açucena de Tropicaliente (1994), Carolina Dieckmann foi escalada para viver a primeira “vilãzinha” de Malhação. Juli, a endiabrada em questão, morria de inveja do irmão mais velho, Dado. E não hesitou em tramar contra ele logo no primeiro capítulo: convenceu a aluna Lola (Gisele Fraga) a assediá-lo no vestiário. O acontecido custou o emprego do professor de jiu-jitsu.

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Bruno de Luca, como Fabinho, em Malhação 1995 (Imagem: Divulgação / Globo)

– Logo após a exibição da cena de Dado e Lola no vestiário, cobertos apenas pelo vapor do chuveiro, a Globo enfrentou problemas com o Juizado de Menores do Rio de Janeiro. A emissora foi multada pela veiculação da sequência, em horário impróprio. Em razão da presença de menores em cena – Bruno de Luca, então com 12 anos –, e por não ter apresentado o roteiro de gravação previamente ao Juizado, o canal acabou multado. E precisou se comprometer a não mais exibir sequências de apelo erótico ou violentas na faixa.

– Para evitar cenas vulgares ou superficiais, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho – o Boni, então vice-presidente de operações da Globo –, escalou o psicólogo Alberto Goldin para orientar a equipe de texto, na transição dos garotos Bróduei e Fabinho da infância para a adolescência, a tão falada puberdade.

– Malhação 1995 também debateu a virgindade do protagonista Héricles (Danton Mello), durante toda a temporada. Ainda, o preconceito racial – a embaixatriz Antônia (Nívea Maria) não admitia que seu filho, Lucas (Eduardo Caldas), fosse treinado por um professor negro, Israel –; a gravidez tardia de Vivian (Nina de Pádua), ex-mulher de Roberto (Mário Gomes), namorado de Paula; a violência sexual – Bruno (Gustavo Long) tentou assediar a colega, Luzia –; e a homossexualidade, através da judoca Tuca (Mariana Leone).

– Entrechos cômicos também tinham vez. Caso dos assaltantes (Guilherme Piva, Júlio Levy e Otávio Müller) que escondiam dinheiro do crime na academia; de um game-show envolvendo academias de ginástica, apresentado por Flávio Silvestre (Rogério Cardoso) – junção dos lendários Flávio Cavalcanti e J. Silvestre –; de uma banda de hard rock guiada pelo empresário Bob Jim (Guilherme Fontes), que procurava os restos mortais de um guru nas terras onde a Malhação foi construída; e das gêmeas que trocavam de lugar (Mylla Christie). Ainda, Tulê Berná (Lúcia Alves, em papel reservado para Maria Zilda Bethlem) e Eudóxia (Tamara Taxman), as alopradas mães de Tainá e Magali.

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Danton Mello, como Héricles, em Malhação 1995 (Imagem: Divulgação / Globo)

– Um dos destaques da primeira temporada foi a paixonite de Luiza pelo professor Dado, embalada pelo hit Malandragem, composição de Cazuza e Roberto Frejat, gravada por Cássia Eller. O primeiro beijo da jovem, porém, foi roubado por João Carlos (Guga Coelho), ex-namorado de Juli. O garoto consolou Luiza quando ela, tentando conquistar a atenção de Dado, vestiu-se de “mulher fatal”. Na fase seguinte, aluna e professor foram promovidos a casal protagonista.

– Héricles também não perdeu a virgindade com sua amada Bella, namorada de Romão. No penúltimo capítulo de Malhação 1995, no ar em 28 de dezembro, o auxiliar administrativo se entendeu com a ex, Rafa (Flávia Bonato).

– E por falar em Malandragem… A Globo apostou em duas trilhas mistas para o primeiro ano de Malhação. Embora a eurodance, tão em voga na época, marcasse presença no repertório – com There’s a party, do suíço DJ Bobo –, foram os brazucas que emplacaram o primeiro disco em todo canto! Destaque para a banda Conexão Japeri, de onde saiu Ed Motta, com O Paraíso, também tema das vinhetas de intervalo de A Desinibida do Grajaú (1994), programa da faixa Brasil Especial. E Assim Caminha a Humanidade, tema de abertura, bem-sucedida parceria de Lulu Santos com o produtor e DJ Marcelo Mansur, o Memê. Cabe salientar que o recorde de vendagens de trilhas de Malhação, pouco mais de 400 mil cópias, cabe ao álbum Nacional de 2003, com hits como Só Hoje (Jota Quest), Nada Sei (Kid Abelha), Quando o Sol se For (Detonautas) e Tô Nem Aí (Luka).

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Luigi Baricelli, como Romão, em Malhação 1995 (Imagem: Divulgação / Globo)

– Logo na estreia, Malhação dobrou a audiência da Globo no horário. O primeiro capítulo registrou 31 pontos na Grande São Paulo; a Escolinha do Professor Raimundo, que ocupava a faixa, oscilava de 15 a 20 de média.

– Na mesma noite, fortes emoções nas novelas das 18h, das 19h e das 20h. Em Irmãos Coragem, Estela (Eliane Giardini) enfrentou a tirania do esposo, Coronel Pedro Barros (Cláudio Marzo), pedindo tanto pelo divórcio, quanto por boa parte dos bens da família. A malvada Suzana (Helena Ranaldi), de Quatro Por Quatro, deixou a pequena Ângela (Tatyane Fontinhas Goulart), cair do cavalo; um susto para o papai Bruno (Humberto Martins), por quem Suzana era obcecada. Já A Próxima Vítima focalizou o misterioso assassinato de Josias (José Augusto Branco), garçom da pizzaria de Ana (Susana Vieira).

– O êxito da “rap soap” acabou por auxiliar o remake de Irmãos Coragem. Os índices, que giravam em torno dos 30 pontos, saltaram para 35.

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André Marques, como Mocotó, em Malhação 1995 (Imagem: Divulgação / Globo)

– A Editora Globo pegou carona no sucesso da TV, lançando a revista Malhação, em agosto de 1995. A publicação mensal, com cerca de 100 páginas, destacava pautas sobre saúde, esportes radicais, moda, lazer e famosos. A revista, porém, encalhou nas bancas e acabou suspensa no mesmo ano.

– A Globo também licenciou a marca Malhação para sandálias, bonés, moletons e camisetas.

– Sílvia Pfeifer e Nair Bello pediram para deixar a novela, já nos meses que antecederam a primeira “renovada” de elenco e personagens. Sílvia afirmou, na época, ter se frustrado com a saída do diretor Flávio Colatrello e do diretor-geral Roberto Talma do projeto, substituídos por Leandro Neri e Gonzaga Blota. Sílvia, Nair, Mário Gomes, John Herbert (Nabuco), Colatrello e Talma já haviam trabalhado juntos em Perigosas Peruas (1992), às 19h.

– De 1º de janeiro a 1º de março de 1996, a Globo reapresentou histórias da primeira temporada de Malhação, reeditadas. Na segunda-feira, 4 de março – dia em que a emissora resgatou Despedida de Solteiro (1992) em Vale a Pena Ver de Novo e lançou Quem é Você às 18h – estreou o spin-off Malhação de Verão, com o elenco da primeira temporada curtindo férias no Rancho da Maromba.

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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