
Toda Copa do Mundo, bancos e economistas largam as planilhas de juros por um instante e se divertem tentando adivinhar o campeão com fórmulas matemáticas. O resultado dessa brincadeira esconde uma lição valiosa — e que mexe direto com o seu dinheiro.
A história de um economista que virou “oráculo” do futebol mostra por que a gente confia demais em previsões, seja num jogo de bola, seja na hora de investir.
Vale a pena entender antes de acreditar em palpite com cara de ciência.
Quem é o economista que “acerta” o campeão da Copa?
O nome é Joachim Klement, estrategista-chefe do banco Panmure Liberum, de Londres. Ele ficou famoso porque o modelo que criou em 2014 cravou a Alemanha campeã naquele ano, a França em 2018 e a Argentina em 2022. Três Copas, três acertos.
Para 2026, a aposta dele é ousada: os Países Baixos (Holanda) campeões, derrotando Portugal numa final inédita. Detalhe curioso: a Holanda é azarão, com chance baixíssima nas casas de apostas.
Mas esse modelo é confiável mesmo?
Aqui está a ironia que pouca gente percebe. Segundo Klement, o modelo nem deveria funcionar. Ele conta que criou tudo como uma piada, para mostrar o quanto previsões econômicas são frágeis e pouco confiáveis.
O próprio criador admite que o sucesso veio mais da sorte do que da genialidade. Como ele mesmo resume: depois de acertar várias vezes seguidas, as pessoas passam a achar que você é um gênio — quando, na verdade, você só teve sorte.
E o que isso tem a ver com o Goldman Sachs?
Os bancos grandes também entram na brincadeira, com modelos ainda mais complexos. O Goldman Sachs, por exemplo, analisa quase 20 mil partidas desde 1978 e roda 50 mil simulações de computador para chegar nas probabilidades.
O problema? Acerta pouco. Veja as apostas do Goldman para 2026:
- Espanha: 26% de chance de título (a favorita do banco)
- França: 19%
- Argentina: 14%
- Brasil: 8%
- Inglaterra: 5%
E olha que o Goldman apontou o Brasil como favorito nas últimas três Copas — e não acertou nenhuma vez. Modelo sofisticado, resultado furado.
Por que até os modelos mais avançados erram tanto?
A resposta é simples: o acaso. Uma Copa é decidida em poucos jogos, com pênaltis, bola na trave e decisão de árbitro pesando muito. É amostra pequena demais para qualquer fórmula prever com segurança.
O próprio Klement avisa: levar essas previsões a sério é se iludir. Existe uma comparação clássica no mercado financeiro: um macaco atirando dardos na página de ações de um jornal costuma render mais que o gestor profissional médio de fundos. Ou seja, sorte se confunde fácil com habilidade.
Fica a dica prática que vale ouro pro seu bolso: encare previsões econômicas — de banco, de influenciador, de “guru” de investimento — com o mesmo pé atrás que você teria com um palpite de bolão.
Quando alguém promete saber exatamente onde seu dinheiro vai render mais, lembre-se: nem o Goldman Sachs acerta o campeão da Copa, e só existiu um polvo Paul.
Formada em Administração de Empresas, Jornalismo e mestranda em Comunicação. Apaixonada por setor automobilístico, true crime e livros. Fiz da escrita e produção de conteúdo sua paixão e profissão.
