Rômulo Estrela, destaque como Afonso, o protagonista de “Deus Salve o Rei” (Imagem: Divulgação / Globo)

A Globo concluiu nesta segunda-feira (30) a exibição de “Deus Salve o Rei”, uma das mais arrojadas produções dos últimos anos, especialmente se comparada às suas antecessoras na faixa das 19h.

Contudo, o alardeado aparato tecnológico – com efeitos de computação gráfica em praticamente todas as cenas e cidade cenográfica “indoor” – não foi suficiente para emplacar o folhetim de estreia de Daniel Adjafre, egresso da linha de humorísticos. Sob intervenção, a trama foi buscar no trivial das novelas anteriores o antídoto para a queda de audiência. “Deus Salve o Rei” termina com índices satisfatórios e personagens claudicantes (atores idem) numa trama de altos e baixos.

A novela se ocupou, a princípio, da paixão do monarca Afonso (Rômulo Estrela) pela plebeia Amália (Marina Ruy Barbosa); egoísta demais para uma protagonista, a ponto de não abandonar seu casebre para viver no castelo e de aceitar sem questionar a equivocada decisão do príncipe de abrir mão do trono – relegando o povo de Montemor, um reino sem água, ao irmão inapto, Rodolfo (Johnny Massaro). Este, prometido de Lucrécia (Tatá Werneck), tornou-se aliado de Catarina (Bruna Marquezine), princesa de Artena, obcecada pelo desejo de expandir seus domínios. Deu-se então a guerra entre Montemor e Artena – enquanto Rodolfo e Catarina se refestelavam no alto da torre. E a novela… Acabou.

A narrativa de Daniel Adjafre se esvaziou rapidamente. Personagens mal alinhavados, como Rodolfo – ora palhaço, ora vilão – confundiram o público. E o comando de Fabrício Mamberti, aparentemente mais afeito aos recursos tecnológicos do que à direção de atores, prejudicou boa parte do time. Os sussurros de Marina Ruy Barbosa e Rômulo Estrela, embora incômodos, não “causaram” tanto quanto o “robô Bruna Marquezine”. A Globo, dizem, sugeriu mudanças; o tom de Catarina foi alterado, mas não havia muito a se fazer. Boatos sobre os atrasos da atriz, namorada do jogador Neymar, terminaram por suplantar a guinada de Marquezine, que, embora não tenha colocado Catarina na galeria das grandes personagens da TV, se redimiu da apatia inicial.

Coube ao tarimbado Ricardo Linhares auxiliar autor e equipe ao longo dos últimos meses. “Deus Salve o Rei” optou pelo novelão, com o sumiço de personagens que nada agregavam ao enredo (com a guerra ou com “a peste”) e ênfase nas intrigas de Catarina e nos perfis heroicos de Afonso e Amália – submetida a toda sorte de provações. Também um vai-e-vem de casais, com matrimônios e separações constantes. No último capítulo, a “volta ao começo”: a chuva desaba em Montemor, reino que padecia com a falta de água. Catarina pagou por seus crimes com a forca – numa cena que, apesar de pesada, impressionou pela execução. Bruna Marquezine, aliás, dominou o desfecho, protagonizando suas melhores cenas na trama.

Dentre os destaques do elenco, Rômulo Estrela, escalado aos “quarenta e cinco do segundo tempo”, eficiente nos momentos de força e nos de fraqueza de seu Afonso; a dupla Johnny Massaro e Tatá Werneck – esta, em sua melhor incursão em novelas; Marina Moschen, a guerreira Selena, crescendo a cada trabalho; Ricardo Pereira, o vilão Virgílio, mais uma amostra de seu talento. Ainda, Fernanda Nobre (Diana) e Bia Arantes (Brice, tipo bem diferente da cândida Cecília, de “Carinha de Anjo”, no ar, em simultâneo, no SBT). Em breve, porém marcante, participação, Rosamaria Murtinho como Crisélia, a rainha de Montemor, que oscilava entre a sanidade e a loucura.

Dos “escadas”, convém citar Marcelo Airoldi (Romero), Marcos Oliveira (Heráclito), Leandro Daniel (Petrônio), Daniel Warren (Orlando), Cristiana Pompeo (Matilda) e Isadora Ferrite (Brumela). Lamenta-se o pouco destaque a veteranos como Marco Nanini (Rei Augusto) e Rosa Marya Colyn (Mandingueira). Enfim, dentre mortos e feridos, escapa ilesa a capacidade da Globo de converter em êxito um produto, aparentemente, fadado ao fracasso. Resta, contudo, a avaliação interna acerca do que a emissora pretende oferecer ao público. O telespectador não costuma comprar, por mais bonitas que sejam, embalagens vazias.

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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