Regina Duarte
Regina Duarte foi direta e reta com a Globo (Imagem: Reprodução / Globo)

Regina Duarte segue firme nas suas convicções sobre o Governo Bolsonaro. A atriz surpreendeu os seguidores ao fazer três longos posts criticando a imprensa. Na ocasião, a contratada da Globo divulgou um texto de Paulo Portinho, que critica o posicionamento da mídia.

Em um dos trechos divulgados por ela, o autor detona o fato do canal ter levado ao ar uma reportagem falando sobre o suposto envolvimento de Bolsonaro com um dos possíveis assassinos da vereadora Marielle Franco.

“A imprensa sempre teve lado e sempre foi veículo de luta política, econômica e ideológica. Isso não mudou, mas a relação do brasileiro com a cobertura jornalística mudou”, inicia o texto, dizendo que antigamente o público acreditava no jornalismo.

“O jornalismo procurava manter as aparências ou, ao menos, fingir isenção. Quando a Globo falou do aborto da mulher do Lula, em 1989, as pessoas ficaram escandalizadas e, mesmo os partidários de Collor julgaram que a emissora quis influenciar as eleições. Hoje isso é feito diariamente nas redações, sem pudores”, dispara.

“O que mudou hoje é que a maioria dos brasileiros está, direta ou indiretamente, engajada em alguma luta político-ideológica. Os milhares de canais no YouTube, milhares de grupos de WhatsApp e de perfis em redes sociais criam narrativas o tempo todo”, diz ainda.

“O monopólio de distribuição da mensagem foi pulverizado. O que a imprensa ainda não entendeu é que, não importa o que ela faça, o brasileiro trocou o grau dos óculos. Quando um veículo de comunicação associa o Presidente da República a um crime, através de um depoimento falso (que a própria emissora reconhece), mas ignora a delação de Palocci e as acusações de Marcos Valério, ela faz uma escolha”, afirma, referindo-se à Globo.

“Ninguém mais vê essa escolha como ‘jornalismo responsável e isento’, mas como o que é de fato: apenas uma opção de cobertura jornalística que reflete os amplos interesses do veículo. Aprenda imprensa, enquanto é tempo. Hoje estão passando muita vergonha. É meio ridículo querer parecer isenta. Hoje todos sabem que notícias são, sempre, mecanismos de construção de narrativas. Sempre foram”, completa.

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O QUE A IMPRENSA (AINDA) NÃO ENTENDEU? Por Paulo Portinho “ A imprensa sempre teve lado e sempre foi veículo de luta política, econômica e ideológica. Isso não mudou, mas a relação do brasileiro com a cobertura jornalística mudou. Durante os últimos 30-40 anos, apenas grupos engajados na luta política compreendiam isso claramente. A maioria da população, desengajada e apolítica, não via viés claro nas coberturas jornalísticas, guardava ainda uma crença na boa-fé do jornalismo. E o jornalismo, para não abusar dessa boa-fé, procurava manter as aparências ou, ao menos, fingir isenção. Quando a Globo falou do aborto da mulher do Lula, em 1989, as pessoas ficaram escandalizadas e, mesmo os partidários de Collor julgaram que a emissora quis influenciar as eleições. Hoje isso é feito diariamente nas redações, sem pudores. Antes era um passo “ousado”, hoje é prática diária.O que mudou hoje é que a maioria dos brasileiros está, direta ou indiretamente, engajada em alguma luta político-ideológica. Durante anos reinaram as narrativas das esquerdas, sempre propondo uma lenta desconstrução de valores tradicionais, os quais esse grupo considerava nocivos à sua luta política. Pouca gente via isso com clareza. O viés era confundido com “verdade”. Esse reinado chegou ao fim, não porque as esquerdas perderam o controle das redações, das faculdades de jornalismo e da imprensa em geral, mas porque o brasileiro trocou de óculos, trocou de paradigma, aprendeu a linguagem da contrapropaganda. Nisso “O Antagonista” foi pioneiro, pois surgiu como um veículo que não veio para informar, mas para derrubar Lula e o PT. Lembro do primeiro post deles, dizendo exatamente isso. Foram muito importantes na construção de narrativas pelo impeachment de Dilma. As pessoas nas ruas usavam, sem sentir, histórias e enredos que começaram nos posts do site. Quem acompanhou o veículo nesses quase 5 anos deve ter percebido que, de acordo com o modelo de moralidade que defendem, muda a forma de divulgar as notícias. Ignoram o que não é interessante, dão a interpretação que lhes é conveniente, ressaltam pontos de seu interesse, propõem candidaturas à presidência (Moro, quase sempre) etc.➡️( cont.

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( cont. do post anterior ) “… A própria metamorfose de Reinaldo Azevedo também ajudou a “educar” os leitores, que hoje entendem que mesmo os mais combativos intérpretes da cena política nacional podem estar agindo por interesse pessoal. Reinaldo acha que é isento, acha até que é Schopenhauer, mas isso tudo é parte de uma egotrip que teve início em 2013, quando errou a análise sobre a natureza e o futuro dos movimentos das ruas. Os milhares de canais no YouTube, milhares de grupos de WhatsApp e de perfis em redes sociais criam narrativas o tempo todo. Para todo o gosto. Com toda sorte de explicações, verossímeis ou fantasiosas, para tudo o que acontece no mundo. de uns”. (….) O monopólio de distribuição da mensagem foi pulverizado. O que a imprensa ainda não entendeu é que, não importa o que ela faça, o brasileiro trocou o grau dos óculos. Toda matéria será interpretada a priori como tendenciosa, toda informação será escrutinada de acordo com o interesse que o leitor acredita que aquele jornal defende. Essa já é uma realidade nos EUA há muitos anos. Quem vê Fox ou CNN sabe exatamente o viés que está procurando, a narrativa que lhe é confortável e aquilo em que prefere acreditar. Quando um veículo de comunicação associa o Presidente da República a um crime, através de um depoimento falso (que a própria emissora reconhece), mas ignora a delação de Palocci e as acusações de Marcos Valério, ela faz uma escolha. Sempre é uma escolha. E ninguém mais vê essa escolha como “jornalismo responsável e isento”, mas como o que é de fato: apenas uma opção de cobertura jornalística que reflete os amplos interesses do veículo. O ponto desse texto não é discutir se o jornalismo está certo ou errado, se o veículo tem ou não tem lado, se é justa ou injusta a cobertura. Não estou discutindo a imprensa, mas os intérpretes da notícia: os leitores, os telespectadores, os internautas. Eles é que mudaram. E não há volta, o jornalismo precisa se adaptar.” ➡️➡️➡️(continua )

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( Cont. De 2 posts anteriores ) …” As pessoas não leem mais o jornal para construir seu conhecimento dos fatos, mas para identificar algum motivo subjacente, para encaixar os relatos nas interpretações que já têm a respeito do mundo e das intenções do jornal ou de seu grupo econômico e político. Não acho ideal essa realidade, mas entendo ser melhor do que um mundo em que um lado finge isenção e o outro não percebe que está sendo sutilmente enganado. Ter diversas narrativas é melhor do que ter apenas uma, como em regimes totalitários (de força ou de persuasão). Enquanto permanecer a liberdade na internet, vencerá quem contar a história mais verossímil, aquele que apresentar o melhor modelo de compreensão da realidade, aquele que fizer previsões que realmente se verificam, aquele que não tentar enganar os outros, aquele que der transparência para aquilo que efetivamente é, ou quer ser. Aprenda imprensa, enquanto é tempo. Hoje estão passando muita vergonha. É meio ridículo querer parecer isenta. Hoje todos sabem que notícias são, sempre, mecanismos de construção de narrativas. Sempre foram. PS. Respeito as pessoas que acham que o papel do jornalismo é a busca da verdade, mas eu não compartilho dessa ingenuidade. Todos alegam estar do lado da verdade e da moralidade. De Reinaldo Azevedo a Caio Coppola. Não me sinto em condições de saber o que é a verdade, principalmente em temas mundanos. Por enquanto me contento em conseguir identificar uma mentira flagrante. Já é o suficiente para uma vida honesta.” PAULO PORTINHO 🙏🇧🇷👏👏👏👏👏👏👏

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