Chay Suede e Letícia Colin em cena da novela “Segundo Sol” (Imagem: Divulgação / Globo)

Cada um tem sua sina nessa vida, costumam dizer os antigos. No caso de João Emanuel Carneiro, esse “carma” tem um nome muito claro: a concorrência.

Desde que estreou como autor titular de novelas na Globo, o autor teve que encarar concorrentes de peso das outras emissora em cada uma das obras que escreveu – e todas elas, em menor ou menor grau, sofreram o impacto dessa queda de braço. A única exceção foi “Avenida Brasil” (2012) – não por acaso, seu maior sucesso.

Atualmente, o maior rival de Carneiro e de sua novela “Segundo Sol” no Ibope se chama “As Aventuras de Poliana”. Embora ainda não tenha impactado significativamente a audiência da história de Beto Falcão (Emílio Dantas), a novela infantil do SBT vem atingindo índices incríveis em pleno horário nobre, ao redor dos 18 pontos, e não será estranho se, cedo ou tarde, revelar-se uma pedra no sapato do folhetim global.

A seguir, relembre outras ocasiões em que o novelista, considerado um dos mais competentes de sua geração, teve sérias dores de cabeça provocadas por atrações do SBT e da Record.

Amy (Danna Paola) e sua mochila azul frearam o crescimento de “Da Cor do Pecado” (Imagem: Divulgação / Televisa)

“Da Cor do Pecado”

Em 2004, João Emanuel Carneiro já veio arrebentando em seu primeiro folhetim, com médias arrasadoras, na faixa dos 45 pontos, em plena faixa das 19h. A trama protagonizada por Taís Araújo e Reynaldo Gianecchini vinha apresentando uma curva ascendente de audiência quando, de repente, o crescimento parou. “Culpa da bruxa e das criancinhas“, disse o autor à época, em entrevista à revista Veja, sobre o fato.

Ele se referia à novela infantil mexicana “Amy, a Menina da Mochila Azul”, exibida no mesmo horário pelo SBT e que acabou roubando uma parcela – mínima, é verdade – de público do folhetim global. Não obstante, o folhetim da Televisa não chegou a impactar muito a audiência de “Da Cor do Pecado”, recordada até hoje como um dos maiores êxitos da faixa das 7 da noite nas últimas décadas.

Marcelo Serrado e Lavínia Vlasak são os protagonistas de “Prova de Amor” (Imagem: Reprodução / Record)

“Cobras & Lagartos”

Carneiro retornaria em 2006 ao horário que o consagrou, agora com uma missão ingrata: recuperar a audiência da faixa após o estrondoso fracasso de “Bang Bang”, comédia com ares de faroeste que sofrera rejeição recorde e dera margem para que “Prova de Amor”, tradicionalíssimo folhetim da Record, crescesse na preferência popular.

Embora tenha ficado marcada como um grande sucesso, mostrando-se à altura da tarefa de trazer o espectador de volta à Globo às 19h, “Cobras & Lagartos” só viu seus índices subirem realmente após o término da história de Tiago Santiago na Record.

Mário Frias tinha superpoderes na novela “Os Mutantes” (Imagem: Reprodução / Record)

“A Favorita”

Novamente o fantasma da concorrência com a Record assombraria o novelista em 2008, desta vez em sua estreia no horário nobre da Globo e, ainda por cima, com uma proposta pra lá de ousada: inicialmente, o público não saberia qual das duas protagonistas, Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Cláudia Raia), seria a mocinha e qual seria a vilã.

“A Favorita” competiu, já no primeiro capítulo com o início da segunda temporada de “Os Mutantes”, trama sobre personagens com super-poderes que vinha rompendo recordes na Record. Sua primeira parte, na verdade, era exibida depois do horário nobre, mas Edir Macedo fez questão de adiantá-la na programação justamente para bater de frente com o principal produto de dramaturgia da Globo.

Não deu outra: a trama de Carneiro amargou baixíssimos índices em suas primeiras semanas no ar, vindo a deslanchar somente depois que o autor deixou claro que Flora era a grande vilã da história e Donatela, vítima de suas maldades e enganos. Até lá, porém, Macedão e seus mutantes fizeram a festa.

Moisés (Guilherme Winter) roubou da Globo a liderança (Foto: Divulgação / Record)

“A Regra do Jogo”

Neste caso, os danos foram irreversíveis: diferente de suas tramas anteriores, que conseguiram superar os percalços e firmar-se como grandes sucessos, “A Regra do Jogo” fracassou do início ao fim de sua exibição.

Muito se discutiu a respeito das causas de tamanho insucesso – o primeiro e, até hoje, único no currículo de João Emanuel. O excesso de realismo da trama, que abordava com crueza o panorama de degradação política e moral enfrentado pelo Brasil, foi o fator mais responsabilizado por afugentar o público.

É evidente, porém, que a competição direta com “Os Dez Mandamentos”, fenômeno da Record, foi preponderante para tão maus resultados de “A Regra”. A trama bíblica escrita por Vívian de Oliveira superou em diversas ocasiões o Ibope da saga de Romero Rômulo (Alexandre Nero), obrigando a Globo a se contentar com a vice-liderança em pleno horário nobre – crise inédita desde “Pantanal” (1990), da Manchete.

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