Senhora do Destino
Susana Vieira, Carolina Dieckmann e Renata Sorrah – Maria do Carmo, Isabel e Nazaré – em “Senhora do Destino”; novela completa 15 anos (Imagem: Divulgação / Globo)

Há 15 anos, a Globo exibia o primeiro capítulo da novela de maior audiência – e certamente a de maior repercussão – da década de 2000: “Senhora do Destino”. A trama de Aguinaldo Silva, centrada na busca de Maria do Carmo (Carolina Dieckmann / Susana Vieira) pela filha sequestrada, Lindalva / Isabel (Carolina Dieckmann), fez história às 20h, imortalizando a vilã Nazaré (Renata Sorrah). Um êxito, porém, quase nunca vem sozinho: naquele mesmo 28 de junho de 2004, foram ao ar as bem-sucedidas “Malhação” da Vagabanda, “Cabocla” e “Da Cor do Pecado”.

Época também de frustrações nas faixas matutinas e vespertinas, numa espécie de contraponto ao bom momento do horário nobre: “Xuxa no Mundo da Imaginação” amargava baixos índices, enquanto a reprise de “Terra Nostra” (1999) em “Vale a Pena Ver de Novo” passava longe dos números registrados pela trama de Benedito Ruy Barbosa em sua veiculação original. Relembre estas e outras atrações em exibição 15 anos atrás…

Senhora do Destino
Renato Machado, que dividia o “Bom Dia Brasil” com Renata Vasconcellos (Imagem: João Miguel Júnior / Globo)

A Globo entrava no ar às 5h25 com o “Telecurso 2000”, módulo “Profissionalizante”, seguido do “2º Grau” (5h45) e do “1º Grau” (6h). Às 6h15, a edição diária do “Globo Rural”, então apresentada por Priscila Brandão. Após o “Bom Dia Praça”, o “Bom Dia Brasil” com Renata Vasconcellos e Renato Machado, hoje respectivamente no “Jornal Nacional” e no “Globo Repórter”.

Foi em 2004 que o telejornal intensificou a linha que ainda segue, estabelecendo contato com as equipes de jornalismo de São Paulo, de Brasília e do exterior – como Caco Barcellos na França e Marcos Losekann inaugurando o escritório do canal no Oriente Médio. Ainda, o bloco de esportes com Maurício Torres, precocemente falecido em 2014, aos 43 anos.

Senhora do Destino
Simone e Ivan Lins, convidados do “Mais Você” de Ana Maria Braga (Imagem: Divulgação / Globo)

O “Mais Você” (8h05) de Ana Maria Braga celebrava cinco anos de existência em meio à primeira renovação de contrato da apresentadora com a casa. Em entrevista à revista “IstoÉ Gente”, de 12 de agosto de 2004, Aninha admitiu ter permanecido na casa, mesmo diante de uma tentadora proposta financeira de sua antiga emissora, a Record, por conta do apoio que recebeu da diretoria e dos colegas de trabalho quando enfrentou um câncer em 2001.

Na mesma matéria, Ana Maria revelou o desejo de migrar para um programa semanal de auditório: “Esse formato [do ‘Mais Você’] tem um tempo. E vai chegar a época em que vou querer trabalhar uma vez por semana“. Como todo mundo sabe, o matutino segue firme e forte no ar, prestes a completar duas décadas…

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Xuxa Meneghel à frente do “Xuxa no Mundo da Imaginação”, marcado pelo insucesso (Imagem: Blad Meneghel / Globo)

Sorte de Ana Maria Braga, azar de Xuxa Meneghel. A Rainha dos Baixinhos interrompeu sua escalada rumo às atrações adultas em 2002, quando se desvinculou da diretora Marlene Mattos e trocou o musical “Planeta Xuxa” (1997) pelo “Xuxa no Mundo da Imaginação” (9h25). Mas o infantil, concebido com o auxílio de educadores e profissionais alinhados com os pequenos, acabou derrubando as manhãs da Globo – e “minando” a imagem de Xuxa.

Para reverter a queda de audiência, a loira retomou a disputa entre meninos e meninas que animava o palco do “Xou da Xuxa” (1986). Também reformou o cenário, repleto de elementos circenses. De nada adiantou. Surrado pelo “Bom Dia & Cia”, do SBT, o “No Mundo da Imaginação” saiu do ar em dezembro daquele ano.

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João Vitor Silva, o Pedrinho da temporada 2004 do “Sítio do Picapau Amarelo” (Imagem: Márcio de Souza / Globo)

A segunda versão do “Sítio do Picapau Amarelo” (10h10) passava pela primeira mudança de elenco: Caroline Molinari e João Vitor Silva assumiram Narizinho e Pedrinho, até então representados por Lara Rodrigues e César Cardadeiro. Nicette Bruno (Dona Benta), Dhu Moraes (Tia Nastácia), Isabelle Drummond (Emília) e Cândido Damm (Visconde de Sabugosa) seguiram na equipe. Outro destaque da temporada 2004: as gravações externas, em locais como Amazônia e Portugal.

Com Xuxa em baixa, atrapalhando os números do “Sítio”, a “TV Globinho” (10h40) ganhou relevância. Seis apresentadoras se revezavam à frente do programa, entre segunda-feira e sábado. Dentre elas, Sthefany Brito, Letícia Colin e Cecília Dassi – a Sandrinha, de “Por Amor” (1997), cartaz do “Vale a Pena Ver de Novo”.

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Glenda Kozlowski cobriu a Olimpíada de Atenas para o “Globo Esporte” (Imagem: João Miguel Júnior / Globo)

Mylena Ciribelli, que atualmente responde pelo “Esporte Fantástico” da Record, ancorava o “Globo Esporte” (12h45), logo após a primeira edição do “Praça TV” (12h). O noticiário esportivo privilegiava as informações sobre a Olimpíada de Atenas, realizadas em agosto – com Maurício Torres no centro de transmissão e Glenda Kozlowski, agora no SporTV, “in loco”.

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Evaristo Costa e Sandra Annenberg, dupla de sucesso no “Jornal Hoje” (Imagem: Zé Paulo Cardeal / Globo)

Uma das parcerias mais festejadas do telejornalismo foi formada em fevereiro de 2004. Evaristo Costa substituía Carlos Nascimento, então a caminho da Band, na bancada do “Jornal Hoje” (13h15), ao lado de Sandra Annenberg. A dupla se desfez em 2017, quando Evaristo e Globo encerraram a parceria – o jornalista agora prepara sua estreia na CNN Brasil.

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Angélica à frente do “Vídeo Game”, um dos mais famosos quadros do “Vídeo Show” (Imagem: João Miguel Júnior / Globo)

Junho foi um mês especialmente feliz para Angélica naquele 2004. A apresentadora descobriu sua primeira gestação – a de Joaquim, fruto de seu relacionamento com Luciano Huck. O público acompanhou a gravidez da moça através do “Vídeo Game”, quadro que ela comandava no último bloco do “Vídeo Show” (13h45).

O vespertino, aliás, vivia uma de suas fases mais criativas, com a interação constante dos apresentadores Angélica e André Marques. Os dois recriavam aberturas e cenas – como as dos embates de Laura (Cláudia Abreu) e Renato (Fábio Assunção) em “Celebridade” (2003), antecessora de “Senhora do Destino”. No programa de 28 de junho, aliás, os bastidores das gravações da nova novela das 21h em Belém de São Francisco, Pernambuco.

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Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio: Matteo e Giuliana em “Terra Nostra”; novela flopou no “Vale a Pena Ver de Novo” (Imagem: Divulgação / Globo)

O “Vale a Pena Ver de Novo” entrava em cena às 14h30. A Globo apostava alto no repeteco de “Terra Nostra”. Deu ruim! O título derrubou os índices da antecessora, “Corpo Dourado” (1998). A média de audiência da faixa, em todo o país, foi de 26 pontos para 19, nos três primeiros meses do dramalhão de Giuliana (Ana Paula Arósio), segundo o jornal “O Estado de São Paulo” (27 de setembro de 2004). O SBT, com a segunda reprise de “Maria do Bairro”, passou a ocupar a liderança.

Devido à baixa, “Terra Nostra” foi impiedosamente editada. Cerca de 9 capítulos originais foram condensados em apenas 1 da reprise – um total de 45 capítulos exibidos ao longo de uma semana, em compactos de 40 minutos. A versão que o Canal Viva (de 150 capítulos) exibe hoje é mais completa do que a da reapresentação (106 x 221 originais).

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Juliana Didone como Letícia – vulgo “Miss Gari” – em “Malhação” (Imagem: Kiko Cabral / Globo)

Para turbinar os índices da faixa vespertina, a Globo recorreu a clássicos da “Sessão da Tarde” (15h40), como “Um Tira da Pesada II” (1987), estrelado por Eddie Murphy. Mas o grande destaque do período foi a temporada da Vagabanda em “Malhação” (17h25). No capítulo daquele dia, Catraca (João Velho) e Natasha (Marjorie Estiano) surrupiaram um projeto de Letícia (Juliana Didone), entregue a Gustavo (Guilherme Berenguer).

É óbvio que a “Miss Gari” surtou quando viu seu maior desafeto ganhar elogios de Pasqualete (Nuno Leal Maia) por uma ideia que era dela – a da miniolimpíada do Múltipla Escolha. É óbvio também que, capítulos depois, Letícia e Gustavo se entregaram à paixão, para desespero de Natasha…

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Danton Mello e Tony Ramos, o Neco e o Coronel Boanerges de “Cabocla” (Imagem: Renato Rocha Miranda / Globo)

Às 17h55, tempo fechando em “Cabocla” – também de Benedito Ruy Barbosa, baseada na obra de Ribeiro Couto e atualizada por Edmara e Edilene Barbosa. A descoberta do romance de Neco (Danton Mello) e Belinha (Regiane Alves) acabou por aproximar os arqui-inimigos, e respectivos pais, Justino (Mauro Mendonça) e Boanerges (Tony Ramos). O último decidiu tirar a filha de circulação, sem imaginar que Neco, brigado com seu genitor, acabaria próximo do “esconderijo” de Belinha…

Já a cabocla Zuca (Vanessa Giácomo) estava decidida a romper o noivado com Tobias (Malvino Salvador), unindo-se ao tísico Luís Jerônimo (Daniel de Oliveira). O romance acabou transcendendo a ficção – com Vanessa e Daniel repetindo Gloria Pires e Fábio Jr., intérpretes de Zuca e Luís na primeira versão do folhetim, em 1979.

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Reynaldo Gianecchini e Taís Araújo em “Da Cor do Pecado”; romance de Paco e Preta marcou novela (Imagem: Renato Rocha Miranda / Globo)

Logo após a segunda edição do “Praça TV” (18h50), outro clássico da última década: “Da Cor do Pecado” (19h10). A vilã Bárbara (Giovanna Antonelli) entrava em ação, buscando aproximar Paco (Reynaldo Gianecchini) do filho que dizia ser dele, Otávio (Felipe Latgé). A intenção da loira era, claro, manter Paco longe de Preta (Taís Araújo), então casada com Felipe (Rocco Pitanga). Bem como de seu verdadeiro herdeiro, Raí (Sérgio Malheiros).

Bem menos ordinária do que Bárbara, mas também decidida a manter Paco a seu lado, Moa (Alinne Moraes) resolveu usar de sua doença para afastar o namorado de Preta. Após flagrar um beijo dos dois, ela fingiu um desmaio, preocupando o então companheiro e encerrando o novelão de João Emanuel Carneiro com um baita gancho!

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Fátima Bernardes na bancada do “Jornal Nacional” (Imagem: Divulgação / Globo)

O “Jornal Nacional” (20h15) completava 35 anos, tendo Fátima Bernardes e William Bonner como âncoras e Rosana Jatobá na previsão do tempo, assumindo o posto que Fabiana Scaranzi ocupou até junho de 2004. O aniversário do “JN”, em setembro, gerou o livro “Jornal Nacional – A Notícia Faz História”. Já podemos esperar, claro, por comemorações neste 2019, 50º ano do telejornal.

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Carolina Dieckmann como Maria do Carmo, na primeira fase de “Senhora do Destino” (Imagem: Zé Paulo Cardeal / Globo)

O Horário Político interrompeu o “Jornal Nacional” às 20h30. O noticiário voltou às 20h50, entregando para o primeiro capítulo de “Senhora do Destino” às 21h15. Fomos então apresentados a Maria do Carmo (Carolina Dieckmann), jovem nordestina que, diante da difícil missão de criar os cinco filhos sem o auxílio do marido que sumiu no mundo, decide partir para o Rio de Janeiro, ao encontro do irmão Sebastião (Luiz Carlos Vasconcelos).

Do Carmo chega à capital fluminense no dia da decretação do Ato Institucional Nº 5, que endureceu a Ditadura Militar – para desalento de Josefa Magalhães Duarte Pinto (Marília Gabriela), patroa de Sebastião, atacada pelos militares assim como o mais intrépido repórter de seu jornal, Dirceu (Gabriel Braga Nunes).

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Jô Soares no comando do “Programa do Jô” (Imagem: Divulgação / Globo)

A programação da Globo naquela segunda-feira contou ainda com “Hannibal” (1997), com Anthony Hopkins, em “Tela Quente” (22h35). Chico Pinheiro apresentava o “Jornal da Globo” (00h35), na ausência da titular Ana Paula Padrão – então viajando para produção de matérias especiais. E o “Programa do Jô” (01h05), entrevistando o veterinário Ângelo Boggio, na época responsável pelo extermínio de ratos e baratas no metrô de São Paulo.

Às 2h25, o boletim do “Fama”. O reality musical apresentado por Angélica chegava à sua melhor temporada, consagrando nomes como Dan Torres, Hugo Alves, Ivo Pessoa, João Sabiá, Marina Elali e Tiago Silva. Por fim, o “Intercine” (2h30), com a disputa de “Coisas de Casais” (1996) e “Escalado para Morrer” (1975).

 

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