Grávida, Milena Toscano será substituída por outra atriz no meio de “As Aventuras de Poliana” (Imagem: Reprodução / Instagram)

O SBT vinha correndo a todo vapor com a produção de “As Aventuras de Poliana” – sua próxima novela infantil, que estreia no mês que vem substituindo “Carinha de Anjo” – quando foi pego de surpresa com a notícia da gravidez de Milena Toscano.

Intérprete de Luzia, protagonista adulta da história e tia da heroína-mirim Poliana (Sophia Valverde), a atriz de 34 anos teria de se afastar das gravações meses antes do nascimento do bebê. Inicialmente, a ideia da autora Íris Abravanel era preparar uma viagem para Luzia a fim de dar tempo a Milena de curtir a gestação e depois voltar aos sets – opção que, dada a ótima frente de capítulos, seria aparentemente viável.

Porém, para não atrapalhar a licença-maternidade da moça depois do nascimento do bebê, a hipótese acabou descartada e optou-se por uma outra solução. A produção vai aproveitar todas as cenas gravadas por Milena nos primeiros meses de “Poliana” no ar e, a partir daí, uma outra atriz assumirá o papel de Luzia. Já foram iniciados, inclusive, os testes para encontrar a substituta ideal para Toscano na história infantil.

Embora soe bastante excêntrica e até algo absurda, a prática de substituir um ator por outro dentro de um mesmo personagem, com a novela já em exibição, não chega a ser novidade na TV. Tanto novelas nacionais como estrangeiras recorreram a esse artifício ao terem de “se virar nos 30” diante uma baixa importante no elenco. Alguns casos, inclusive, foram bem marcantes. Relembremos.

Cora (Drica Moraes, à direita) “rejuvenesceu” do nada para voltar a ser Marjorie Estiano (à esquerda) (Imagem: Reprodução / Globo)

“Império” (2014)

A trama de Aguinaldo Silva, centrada nos conflitos familiares e amorosos do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero), teve o mérito de se firmar como um êxito do horário nobre da Globo numa época em que a faixa vinha acumulando sucessivos fracassos.

Em certo ponto da história, porém, o novelista se viu com um tremendo “abacaxi” nas mãos quando Drica Moraes – intérprete de Cora, a grande vilã do folhetim – precisou se ausentar indefinidamente das filmagens por motivos de saúde.

Em casos assim, a “vênus platinada” costuma eliminar da história o personagem em questão, sob algum pretexto, e criar um novo tipo para exercer uma função similar ao de seu precursor dentro do enredo – Dona Mocinha (Nívea Maria), por exemplo, surgiu em “Sol Nascente” para suprir temporariamente a ausência da vilã Dona Sinhá, cuja intérprete, Laura Cardoso, precisou fazer uma pausa nas gravações por conta de problemas de saúde.

Nesta ocasião específica, porém, Aguinaldo entendeu que a presença de Cora seria indispensável para o desenrolar que ele havia planejado para a trama. Ele e o diretor Wolf Maya, então, decidiram recorrer a uma saída no mínimo inusitada: “rejuvenescer” Cora de repente e substituir Drica por Marjorie Estiano, que já havia interpretado a mesma personagem na juventude, durante a primeira fase de “Império”.

Pensei: ‘O que Janete Clair faria numa situação dessas?’. E concluí que ela chamaria Cora jovem, ou seja, Marjorie Estiano, e não daria maiores explicações“, explicou ao jornal “Extra” o novelista – que ainda aproveitou o ensejo para brincar, na trama, com a possibilidade de a Cora “rejuvenescida” ser na verdade uma impostora.

Duda Wendling (à esquerda) e Sophia Valverde (à direita): as duas versões da Dóris de “Cúmplices de um Resgate” (Imagem: Reprodução / YouTube)

“Cúmplices de um Resgate” (2016)

Talvez encorajado pelo “aval” da Globo em “Império”, o SBT recorreu a um truque similar quando teve problemas com a intérprete-mirim Duda Wendling, no meio das gravações da trama infantil de 2016.

Como a novela ia bem de audiência, a emissora optou por esticá-la, renovando o contrato de todo o elenco por alguns meses além do previsto – mas a mãe de Duda, após várias divergências com a produção, criou empecilhos para prolongar o vínculo de sua filha com o canal dos Abravanel.

O diretor Reynaldo Boury, então, decidiu aceitar o desligamento de Duda do elenco e chamar Sophia Valverde – que havia sido revelada justamente na trama antecessora de “Cúmplices”, “Chiquititas” – para assumir o papel da pequena e travessa Dóris, que a primeira vinha desempenhando até então.

A substituta começou a gravar exatamente do ponto onde Duda havia parado e, no enredo, não houve qualquer explicação para a súbita “mudança” de Dóris – que simplesmente foi dormir Duda Wendling e acordou Sophia Valverde.

As duas “mães” de Mili em “Chiquititas”: a argentina Claudia Santos (à esquerda) e a brasileira Vanusa Ferlim (à direita) (Imagem: Reprodução)

“Chiquititas” (1997-1998)

A versão mais recente de “Chiquititas” se estendeu por quase 600 episódios sem grandes sobressaltos. Em compensação, o primeiro remake brasileiro da história argentina não teve os bastidores tão tranquilos, tendo sofrido com uma intensa rotatividade em seu elenco.

O mais estranho dos casos envolveu a personagem Gabriela, mãe da heroína Mili (Fernanda Souza), que havia sofrido um forte trauma psicológico e, por isso, não falava. A produção da trama – cujas gravações aconteciam em Buenos Aires – cometeu um erro ao escalar para o papel a atriz Claudia Santos, que era argentina e não tinha fluência alguma no idioma português.

Quando finalmente a ficha caiu, o jeito foi adiar a recuperação da personagem – que, no texto original, voltaria a se comunicar verbalmente bem mais cedo – e sumir com ela na troca entre as duas primeiras temporadas da história, pretextando uma viagem para o exterior ao lado do irmão, Júnior (Alex Benn), a fim de se tratar.

Gabriela só retornaria a “Chiquititas” perto do final da segunda fase, já completamente curada e interpretada agora pela paulistana Vanusa Ferlim. (Explicação para a “mudança de look“? Pois é, não teve.) No remake de 2013, inclusive, a autora Íris Abravanel foi obrigada a criar toda uma história inédita para Gabriela (Naiumi Goldoni) a fim de cobrir todo o “buraco” em que a personagem fica desaparecida na versão anterior.

Primeiro Belinda (à esquerda), depois Daniela Luján (à direita), viveram Mariana e Silvana em “Cúmplices de um Resgate” (Imagem: Divulgação / Televisa)

“Cúmplices de um Resgate” (versão mexicana – 2002)

A prática de substituir atores, diga-se de passagem, sempre foi mais comum na Televisa do que em qualquer canal brasileiro. Mas poucos casos de trocas no elenco renderam tanta polêmica quanto a que ocorreu na versão original de “Cúmplices de um Resgate”, a qual também foi ao ar pelo SBT.

As protagonistas da história, as gêmeas adolescentes Mariana e Silvana, eram interpretadas por Belinda. Perto da reta final, a jovem estrela mexicana e sua família se desentenderam com a produtora da história, Rosy Ocampo, culminando na saída precoce de Belinda do elenco.

Ocampo, então, convidou Daniela Luján – protagonista dos sucessos infantis “Luz Clarita” e “O Diário de Daniela” – para interpretar as duas personagens ao longo dos cerca de 40 capítulos que restavam à história. Os índices de audiência se mantiveram intactos, mas até hoje essa substituição divide opiniões entre os fãs da novela – até pelas críticas que a própria Belinda fez publicamente à sua substituta. “Eu criei a forma de ser e agir das gêmeas. Tudo [a atuação de Daniela] não passa de uma cópia pirata“, declarou certa vez a loira à imprensa mexicana.

Gerardo Murguía (à esquerda) substituiu Marcelo Buquet (à direita) em “O Diário de Daniela” (Imagem: Divulgação)

“O Diário de Daniela” (2000)

Outra trama infantil da Televisa nos anos 90 a sofrer uma drástica mudança no elenco principal. Desta vez, o alvo foi o protagonista adulto, Henrique Monroy, que começou a história interpretado por Marcelo Buquet (o Rodrigo de “A Usurpadora”) e terminou nas mãos de Gerardo Murguía.

A substituição ocorreu porque o contrato de Buquet com a Televisa expirou no meio das gravações de “O Diário de Daniela” e o ator exigiu um vultuoso aumento de salário para renovar. A rede mexicana não aceitou e Buquet, sem a menor cerimônia, deixou de comparecer às filmagens, entrando Murguía em seu lugar por volta do capítulo 70 – mais uma vez, sem nenhuma explicação perante o público…

Héctor Gómez (à direita) “herdou” o papel de Miguel Córcega (à esquerda) em “Cuidado com o Anjo” (Imagem: Divulgação / Televisa)

“Cuidado com o Anjo” (2013)

O sucesso da Televisa e do SBT teve sua trajetória marcada por incontáveis absurdos – e o menor deles, se analisarmos bem, foi a troca de Miguel Córcega por Héctor Gómez no papel do padre Anselmo, protetor e confidente da protagonista Malu (Maite Perroni).

Desta vez, porém, a falha de continuidade se deu por um motivo mais justo: Córcega,sofreu um AVC e veio a óbito em setembro de 2008, aos 78 anos, bem no meio das gravações de “Cuidado com o Anjo”. Curiosamente seu substituto, Héctor, 74 anos, também acabou falecendo poucos meses após o fim da trama, vítima de câncer – ou seja, por pouco o sacerdote católico da história não escapou de ter um terceiro intérprete…

Vannya Valencia (à esquerda) e Altair Jarabo (à direita) tiveram até a mesma dubladora em “Meu Pecado” (Imagem: Reprodução / Televisa)

“Meu Pecado” (2014)

Outra novela estrelada por Maite Perroni que também encarou a substituição de atores. Escalada para dar vida à vilã Lorena na história, a atriz estreante Vannya Valencia foi alvo de uma enxurrada de críticas da imprensa mexicana, por conta de seu fraco desempenho no papel.

Com isso, Lorena desapareceu da trama por longo tempo e retornou somente perto da reta final, interpretada por outra atriz, a já experiente Altair Jarabo. Uma curiosidade: para a exibição no SBT, o estúdio de dublagem Rio Sound manteve a mesma dubladora nas duas atrizes que viveram Lorena.

Com a morte de Augusto Benedico, Armando Calvo passou a viver Firmino em “Carrossel” (Imagem: Reprodução / Televisa)

“Carrossel” (1990)

As aventuras da professora Helena (Gabriela Rivero) e seus alunos eram pura diversão para as crianças que acompanharam, nos anos 90, a versão mexicana de “Carrossel”. Ainda assim, muitas delas ficaram perdidas por duas mudanças inexplicáveis que aconteceram de uma hora para a outra – como de praxe na teledramaturgia mexicana – no elenco da novelinha.

A mais marcante se deu quando o porteiro da Escola Mundial, Firmino, saiu temporariamente de cena devido à morte do ator que o interpretava, Augusto Benedico. Poucos capítulos depois, o personagem retornou nas mãos de outro intérprete, Armando Calvo, bem mais jovem e de aparência bem distinta ao anterior.

Mais para a frente, outra mudança idêntica aconteceu com Clara Vilassenhor, mãe de Maria Joaquina (Ludwika Paleta) – que era vivida por Karen Sentíes e, de repente, “se transformou” na atriz Kenia Gazcón. A troca ocorreu porque Karen deixou o casting da Televisa para assinar contrato com outro canal mexicano.

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