Série sobre Hebe Camargo mostram mais coisas que não existiram

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Série sobre Hebe Camargo mostram mais coisas que não existiram (Imagem: Henrique Hennies/ Globo)

Quem assistiu ao seriado de Hebe Camargo (1929-2012) acaba constatando que ele serviu pra duas coisas. A primeira é desmontar a imagem da apresentadora, mostrando quase uma alcoólatra, com cenas que, em tempo, algum foram verdades. E a outra coisa é que usam o seriado ideologicamente.

A roteirista do projeto, Carolina Kotcho, é filha de um notório petista Ricardo Kotcho, que foi muito criticado pela estrela da TV, quando ela soube que ele era petista. Além do filme ser insidioso contra Hebe, também procura ser contra a Ditadura Militar de 64.

No sétimo episódio do seriado é mostrada uma cena em que uma das pessoas da equipe do programa pede pra que Hebe convide o General Medici para ser entrevistado no programa. Ela, no entanto, revela que não vai convidá-lo e que não tem medo dele.

Logo depois, colocam no ar uma cena do fogo no teatro Record, onde era feito a atração da comunicadora. Num outro momento, aparece Hebe pensando se o fogo não foi colocado lá porque ela não convidou Medici.

A ignorância dos fatos de quem escreveu isto é imensurável. Primeiro, Hebe em tempo algum na Record tinha o poder de convidar pessoas. O programa dela era uma criação e comando da Equipe A, que comandava todos os principais formatos da emissora.

A Equipe A era formada por Tuta Carvalho, filho do dono Paulo Machado de Carvalho e dono da Jovem Pan, que determinava tudo que iria acontecer. Ele determinava a sua secretária que convidasse as pessoas que ele achava que dariam Ibope no programa.

Na equipe, estava Manoel Carlos que era encarregado de redigir a atração e ficar no ponto eletrônico falando com Hebe. Ao lado dele ficava Raul Duarte, primo de Tuta, que tinha poder na indicação de convidados. Além disso, havia o Nilton Travesso, que ficava atrás do palco para orientar a entrada dos entrevistados.

O dono da Record, que era Paulo Machado de Carvalho, tinha excelentes relações com os militares. E um detalhe que a roteirista – talvez por seu radical ideal de esquerda e objetivo de criar imagem de bandido dos militares – não sabia era que o General Medici, em tempo algum, deu entrevista a qualquer programa de auditório que fosse convidado.

O General Medici tinha postura muito austera e exatamente pela sua linha de postura não dava entrevistas e raramente recebia jornalistas no Palácio.

Outro detalhe era que o ex-presidente era fã de Jô Soares e Golias, e que gostava de ver na Record, toda semana, a Família Trapo.

Eu conheci um por um de todos que citei acima. A roteirista petista do filme de Hebe mostrou a artista das piores maneiras possíveis. O que me espanta mais ainda é que quem aprovou tudo foi o ex empresário e sobrinho dela. Com parentes assim não se precisa de inimigos.


Tiago Mind é um famoso e icônico crítico e profissional de TV. Mantém sua identidade oculta para preservar fontes.

*Suas opiniões não refletem, necessariamente, a posição do RD1.

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