Ricardo Boechat
Ricardo Boechat fez história na TV e na rádio com comentários e condutas “peculiares” (Imagem: Divulgação / Band)

O jornalismo está de luto. Ricardo Boechat, âncora do “Jornal da Band”, faleceu no início da tarde desta segunda-feira (11), após a queda do helicóptero que o transportava sobre a Rodovia Anhanguera, que liga o interior de São Paulo à capital. Boechat era uma das vozes mais fortes do jornalismo atual.

Seus comentários no “Jornal da Band”, ou na rádio BandNews FM – onde dava expediente toda manhã – ecoavam nas redes sociais, incomodavam poderosos e traduziam o sentimento de muitos brasileiros sobre temas espinhosos, especialmente políticas. Mas a voz não era o único recurso de Boechat, que “causou”, em muitos momentos, com ações impensadas para um jornalista na posição dele. E que, graças à seriedade e competência que ele transmitia, ganharam relevância e repercussão.

Ricardo Boechat sempre reagiu indignado aos escândalos de corrupção que assolam o Brasil há tempos. Em 2015, ironizou os depoimentos de deputados envolvidos nos “saques” que implicaram na debilidade financeira da Petrobras. Então na bancada, sacou o celular e fingiu ligar para a mãe: “Foi você quem recebeu os dinheiros das empreiteiras? Não? Os deputados da CPI também tão dizendo que não…”.

Em 2009, após a notícia de um satélite desativado prestes a cair na Terra, Boechat surpreendeu o público e os então colegas Joelmir Beting e Ticiana Villas Boas ao abrir um guarda-chuva para se proteger do “ferro-velho” espacial. Beting, companheiro de bancada no “Jornal da Band” entre 2006 e 2012, entrou na brincadeira, olhando para cima como se procurasse pelo lixo espacial…

Interagir com as pautas do telejornal era uma constante para Ricardo Boechat, não só através de comentários, como também de “recursos cenográficos”, caso do guarda-chuva e da peruca que usou após uma matéria sobre calvície, para diversão da colega Lana Canepa – apresentadora interina do “Jornal da Band” desde a saída de Paloma Tocci da emissora.

O mesmo se deu em novembro do ano passado, após uma reportagem de Gilberto Smaniotto sobre robôs produzidos por chineses para substituir apresentadores de telejornal. Na transição de um bloco para o outro, o titular do “Jornal da Band” deixou suas funções a cargo de um boneco, similar aos tais robôs, dublado por ele…

Nas redes sociais, Boechat também produzia matérias de interesse público, como quando anunciou a campanha de vacinação contra a gripe, em 2015. Mas o que chamou a atenção, nesta pauta, foi a presença de uma peça “incomum” em seu figurino: por baixo da camisa, o jornalista usava um sutiã rosa. Evidente que, com o vídeo “viralizado”, a campanha, sempre negligenciada pelos brasileiros, ganhou força.

Em outro vídeo, do início de 2016, Ricardo Boechat surgiu sem camisa, curtindo uma das belas praias do Rio de Janeiro. Na ocasião, o jornalista criticou o mau hábito dos frequentadores do local, incapazes de descartar o próprio lixo. “Esse vídeo podia ser uma mensagem institucional para que todos mantenhamos nossas praias limpas, mas o objetivo desse vídeo é pra mostrar meu corpinho”, ironizou.

Sempre sincero, Boechat incitou reações extremadas, como a do pastor Silas Malafaia, revoltado com a posição do jornalista sobre a incitação de igrejas neo pentecostais à intolerância religiosa. Diante do melindre de Malafaia, Ricardo Boechat, usando de seu programa na BandNews, revidou: “Malafaia, vai procurar uma rola, vai… Não me enche o saco. Você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel…”.

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