Uma ação inusitada do Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais colocou a Globo no centro de uma polêmica linguística, com um pedido de indenização de R$ 10 milhões.

O motivo? A pronúncia da palavra ‘recorde’ por parte de jornalistas da emissora. O procurador Cléber Eustáquio Neves alega que a entonação utilizada pela Globo, com a força na primeira sílaba (‘ré-cor-de’), estaria incorreta.
Segundo ele, a pronúncia adequada, seguindo a norma culta da língua portuguesa, deve ter a tonicidade na penúltima sílaba (‘re-COR-de’), sem acento gráfico, pois a palavra é paroxítona. Trechos de programas como o Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural foram anexados como provas.
A norma culta da língua portuguesa estabelece que todas as palavras proparoxítonas são acentuadas. Proparoxítonas são aquelas em que a sílaba tônica é a antepenúltima, como em ‘lâmpada’ ou ‘médico’.
A ação do MPF argumenta que a Globo, por seu papel relevante na difusão de informações, deveria ser um parâmetro de qualidade na observância da norma.
Ação contra a Globo pede correção pública e indenização milionária
Além da indenização de R$ 10 milhões, a ação pede que a emissora veicule uma correção pública sobre a pronúncia da palavra em seus telejornais e programas esportivos.
Uma liminar para adoção rápida da medida também foi solicitada. A Globo foi notificada antes do Carnaval e informou que não comenta processos em andamento.
A ação também inclui um pedido de pagamento por suposta “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa”, argumento que será analisado pela Justiça. Este caso destaca a importância da precisão linguística na mídia.
Paulo Carvalho acompanha o mundo da TV desde 2009. Radialista formado e jornalista por profissão, há cinco anos escreve para sites. Está no RD1 como repórter e é especialista em Audiências da TV e TV aberta. Pode ser encontrado nas redes sociais no @pcsilvaTV ou pelo email [email protected].


