O ator e diretor Gracindo Júnior morreu na noite da última terça-feira (1º), aos 83 anos, por causas naturais. A informação foi confirmada pelo filho do artista, Pedro Gracindo.
Filho do também consagrado ator Paulo Gracindo, ele construiu uma trajetória de mais de seis décadas no rádio, teatro, cinema e televisão, com passagens marcantes pela Globo, pela extinta TV Manchete e pela Record.
O início da carreira de Gracindo Júnior
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, no Rio de Janeiro, ele começou na Rádio Nacional aos 15 anos, em 1959, onde trabalhou como ator, redator e disc-jóquei — a mesma emissora em que o pai vivia o auge da carreira.
Militante do Partido Comunista, Gracindo Jr. foi um dos artistas atingidos pela ditadura militar em 1964, ficando impedido de trabalhar na rádio junto com outros 38 nomes, entre eles Dias Gomes e Mário Lago.
O pioneirismo de Gracindo Júnior na Globo
Gracindo Jr. integrou o primeiro elenco da Globo, já contratado quando a emissora foi inaugurada, em 1965, participando da novela “Rosinha do Sobrado” naquele mesmo ano.
Um dos papéis mais marcantes de sua carreira foi João Maciel, em “O Casarão” (1976), personagem que interpretou na fase jovem enquanto o próprio pai vivia a versão mais velha — uma rara oportunidade de os dois dividirem diferentes momentos do mesmo personagem.
A passagem pela Manchete e o retorno à Globo
Em 1984, foi para a TV Manchete, onde interpretou Dom Pedro I em “A Marquesa de Santos” e, dois anos depois, Antônio Sampaio em “Dona Beija” — uma das produções de maior repercussão da emissora, ao lado de Maitê Proença.
De volta à Globo, esteve em novelas como “Mandala”, “Rainha da Sucata”, “Explode Coração” e “Celebridade”, além de assumir também a direção de atrações como “Os Trapalhões” e núcleos de novelas das 18h.
Os últimos trabalhos e a despedida
A partir de 2006, Gracindo Jr. passou a integrar produções da Record, como “Cidadão Brasileiro”, “Poder Paralelo” e a minissérie “Rei Davi”, seguindo ativo no meio artístico até os últimos anos.
Ele deixa a esposa, Daisy Poli, com quem estava havia mais de 50 anos, além de cinco filhos e sete netos. O velório está previsto para esta quinta-feira (3), a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, aberto ao público.
Paulo Carvalho acompanha o mundo da TV desde 2009. Radialista formado e jornalista por profissão, há cinco anos escreve para sites. Está no RD1 como repórter e é especialista em Audiências da TV e TV aberta. Pode ser encontrado nas redes sociais no @pcsilvaTV ou pelo email [email protected].


