Alexandre Frota e Bolsonaro
Alexandre Frota detonou Bolsonaro em entrevista (Imagem: Reprodução – Instagram – YouTube / Montagem – RD1)

Expulso do PSL após críticas duras contra o presidente Jair Bolsonaro e seus ex-colegas de sigla, Alexandre Frota, deputado federal por São Paulo, se manifestou contra a fala de Bolsonaro, que chama de forma insistente o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o torturador da ditadura militar, de “herói”.

Recentemente, Bolsonaro recebeu a viúva do coronel, morto em 2015, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra. “Olha, herói nacional para mim é o Ayrton Senna. Eu não acho que tenha sido uma boa, um bom momento para falar sobre isso”, argumentou o deputado ao site Buzzfeed.

“A gente está ai com a reforma tributária, estamos em trâmite com a reforma da Previdência, saindo vitoriosa da Câmara para o Senado. Então, isso, mais uma vez, é uma declaração desnecessária, né?”, continuou o famoso, que recordou outra fogueira acendida desnecessariamente pelo presidente.

Há alguns dias, Bolsonaro revelou que sabia qual foi o destino do pai de Felipe Santa Cruz, atual presidente da OAB. “Na semana passada ele disse qual era o destino do pai do presidente da OAB. Eu também quero saber qual era o destino, o que aconteceu. Acho que é um direito do Felipe Santa Cruz saber, ainda que eu discorde das maneiras partidárias do Felipe, eu acho que o nosso presidente teve um pouco de excesso”, declarou Alexandre.

“Seria um assunto que ele deveria deixar passar. Não precisava falar sobre esse assunto, mas já que falou, então ele apresente aí, conte a história, que ficou todo mundo curioso para saber”, pediu.

Expulso após decisão da alta cúpula do PSL na tarde desta terça-feira (13), o político ressaltou que não pensou em sair do partido: “O PSL é que quer a minha expulsão. Meu trabalho foi extremamente coerente e coeso”.

Na entrevista, Alexandre Frota falou sobre a relação com Jair Bolsonaro e os filhos Flávio, Eduardo e Carlos. “Ele é presidente e eu sou deputado federal. Esta é minha relação com ele. Eu fiquei muito agradecido e honrado de o presidente ter ido a minha sessão solene de homenagem ao Carlos Alberto de Nóbrega, do SBT. Eu e Bolsonaro, a gente não precisa ser amigo. Ele precisa muito do meu voto aqui dentro”, afirmou.

“O Carlos Bolsonaro eu não sei por onde ele anda porque ele é bloqueado nas minhas redes. E eu não tenho interesse em nada que ele fala, não compactuo com as coisas que ele diz por aí. O Flavio Bolsonaro, eu gosto dele, mas o Flavio está com problemas sérios para serem resolvidos. Já o Eduardo, eu pouco encontro com ele aqui nas sessões na Câmara. O Eduardo é uma pessoa que tem muitos trabalhos, viaja muito”, disse.

A conversa abriu espaço para uma crítica contra Olavo de Carvalho, considerado o guru do atual governo. “Eu acho só que se eu soubesse que ao apoiar o Bolsonaro eu estaria também colocando o Herculano Quintanilha [protagonista da novela ‘O Astro’, da Globo] da Virgínia no poder, que é o Olavo de Carvalho, talvez eu repensasse nisso. Esse senhor tem feito muito mal ao governo, à Câmara”. Ainda sobre Bolsonaro, o deputado salientou: “Ele tem falas que realmente complicam muito. Fui uma das primeiras pessoas a vestir a camisa dele. Não posso agradar todo mundo e não posso agradar ao Bolsonaro também. Se eu não agrado ao Bolsonaro, problema dele. Não posso fazer nada. Antes agradava, agora não agrado mais”.

Antes da sua saída da legenda ter sido confirmada, o ex-ator avaliou suas possibilidade. “Doria me convidou por três vezes. Deixou as portas abertas do PSDB. O DEM me convidou. O Podemos me convidou. O Podemos, o PROS, o PP também me convidou. Me sinto prestigiado, me sinto honrado com os convites, mas só vou pensar nisso futuramente, caso eu saia do PSL”, garantiu.

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