Amor de Mãe
Regina Casé como Lurdes em Amor de Mãe; novela leva mães de todo o Brasil para a TV (Imagem: Reprodução / Globo)

Repórter do RD1, Paulo Carvalho twittou ontem (25) durante o primeiro capítulo de Amor de Mãe: “‘Tua mãe tá aqui!’. É a frase que o filho mais escuta“. Na novela de Manuela Dias, Lurdes (Regina Casé) empregou tal “mantra” para consolar Magno (Juliano Cazarré), seu primogênito, que matou um homem acidentalmente na tentativa de salvar uma vítima de estupro. Na “vida real”, as mães recorrem à máxima desde casos mais graves até para os pequenos que esfolam o cotovelo numa traquinagem.

É justamente nessa similaridade com todas as mães que a nova novela das 21h ganha pontos junto ao público. A Dona do Pedaço, produção anterior do horário, também bebia nesta fonte: a mãe que batalhou para criar a filha sozinha e, de repente, se vê traída por ela – a psicopata Josiane (Agatha Moreira) conduzia a narrativa.

Em Amor de Mãe, os conflitos partem das genitoras. Lurdes está em busca do filho vendido pelo próprio pai; Thelma (Adriana Esteves) descobre um aneurisma inoperável e passa a temer pelo futuro de seu herdeiro; Vitória (Taís Araújo) almeja adotar uma criança, ou engravidar, após perder um bebê aos seis meses de gestação.

Manuela Dias prometeu, em diversas entrevistas antes da estreia, que sua narrativa não apontaria para a figura clássica do vilão. E cumpriu. As “maldades” de Amor de Mãe são fabricadas pela vida e pelos perfis dos personagens. Com o intuito de ajudar uma desconhecida, Magno converteu-se em assassino.

Já Vitória batalhou no tribunal pela absolvição do corrupto Álvaro (Irandhir Santos), acusado de homicídio, mesmo sabendo de sua culpa. A mãe do morto reagiu indignada à defesa e, sem pena, empurrou a advogada, causando o incidente que a fez perder o bebê. Profissional exemplar, Vitória pagou com o filho a perda da outra mãe, injustiçada. Deu pena. Mas pareceu justo. A moral do ser humano é assim, “torta”: nos apiedamos da mesma forma que julgamos sem piedade.

Guardadas as devidas proporções, Amor de Mãe tem muito do universo de Manoel Carlos, também comum a Lícia Manzo (que substitui o novíssimo folhetim em maio do ano que vem). O diferencial está na expansão dos domínios promovidas por Manuela: a trama não se concentra apenas na elite do Leblon, promovendo o encontro destes com o fictício bairro do Passeio – inspirado em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro.

A autora trouxe todos estes conflitos de forma clara, demonstrando a mesma habilidade de Maneco. A direção artística de José Luiz Villamarim trouxe novidades. Não transformou novela em série, como muitos apontaram – num posicionamento que parece desmerecer o gênero que fez o êxito da TV no Brasil. Villamarim e equipe apostaram em novos enquadramentos e num excelente plano-sequência que culminou com o desfecho que comprometeu a trajetória de Magno.

O roteiro, embora forte, não pareceu pesado. Há humor na ótica de Lurdes, uma mulher castigada por inúmeros contratempos, sobre a vida. Isto é da personagem e não de sua intérprete Regina Casé, voltando grandiosa às novelas. O elenco, aliás, é outro ponto dentro da curva. Não há um único deslize na escalação, que contempla Chay Suede (Danilo), Isis Valverde (Betina), Jéssica Ellen (Camila), Júlio Andrade (Sinésio), Nanda Costa (Érica) e Thiago Martins (Ryan), dentre outros.

Amor de Mãe estreou prometendo bom entretenimento. E muita emoção. Vi minha mãe nos olhos marejados de Lurdes ao ver a filha se formando; e no temor de Thelma pelo sustento de seu menino já não tão menino assim, caso ela falte. A novela, muito provavelmente, fisgará o público através desta familiaridade. Há inúmeras telespectadoras como Lurdes, Thelma e Vitória. E muitos filhos destas entre o público. Todas as mães estão lá, na nova, e excelente, novela das 21h.

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