Anitta quebra silêncio sobre Bolsonaro e cobrança por posicionamento
Anitta comentou sobre a eleição de Jair Bolsonaro (Imagem: Reprodução)

Anitta decidiu quebrar o silêncio sobre o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e sobre ter sido cobrada para se posicionar durante as eleições. Ao programa chileno “Tercera Voz”, nesta semana, a cantora afirmou que não poder “estimular o pensamento de que está correto ter preconceito com algo”.

“A situação no meu país agora está muito difícil sobre esse tema [política], porque está tudo muito forte nos extremos, como se fosse água e vinho, e você tem que escolher um lado, decidir de que lado está, porque as pessoas te cobram. Como entretenimento, como cantora, eu antes não expunha minha opinião política em nada. Eu fiz isso pela primeira vez neste ano, por essa situação“, afirmou a funkeira, que foi adepta da campanha “#EleNão” contra o presidente eleito.

A artista acrescentou sobre o motivo pelo qual não se posicionava: “Eu não colocava minha opinião política em nada, porque acredito que – quando você tem uma carreira grande – as pessoas sempre vão te perguntar e te pressionar até o final. Como te disse, não tive uma educação forte no Brasil, eu vim de um lugar onde não havia muitas oportunidades, então se você me pressiona até o final em uma questão política eu vou ficar tipo ‘não sei responder nada’, porque não entendo, não tive tempo de me aprofundar. Estou estudando tantas outras coisas, que tem a ver com meu trabalho, e não tive tempo de me aprofundar em política desta maneira”.

“Sempre tive medo de me posicionar politicamente. Medo de influenciar as pessoas com algo que eu ainda não sei falar tão bem. Acho que isso é uma responsabilidade muito grande. O que aconteceu no Brasil… Eu não compreendo quem é melhor – estrategicamente economicamente, para a educação, para a economia – eu não sei te dizer. Não estudo para isso, de verdade não sei. Mas, socialmente, como artista, começaram uma onda, uma febre de colocações sociais, posições a respeito da sociedade, que não há como uma artista como eu, que representa a diferença, as minorias… Eu acho que independente do que seja necessário, não posso estimular o público a pensar que ter pensamentos anti-sociedade é algo que deve ser estimulado. Estou sempre cantando para a comunidade LGBT… Não posso estimular o pensamento de que está correto ter preconceito com algo”, acrescentou Anitta.

A carioca também garantiu que às vezes não há como fugir de algumas responsabilidades. “Não há como agradar a todos. Às vezes você tem que se posicionar com o que você sente no coração. De verdade, socialmente, tenho pensamentos de que não posso estimular as pessoas a pensarem diferente disso. Mas se você me pergunta politicamente, estrategicamente, economicamente, não entendo nada disso”, disse ela.

“Tento fazer [com suas músicas] que as pessoas aprendam algo. Ou que não aprendam [diretamente], mas que aprendam a discutir, debater e respeitar que o outro pense de maneira diferente. Você pode pensar de maneira completamente diferente de mim, e não vou deixar de ser sua amiga por isso. Eu respeito que você tenha outros ideais em sua vida. Para mim, quando faço um clipe e chamo uma drag queen, é para colocar a drag queen na pauta. Ou se mostro minhas celulites é para que as pessoas vejam e falem sobre isso. O fato de poder conversar, sem que haja uma briga, já é um lucro: respeitar as diferenças de pensamento”, encerrou a artista sobre o tema.

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