Ao vivo na Globo: comentários racistas contra o Japão vazam antes de jogo do Brasil

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As falas foram ao ar no programa Encontro (Imagem: Reprodução/Globo)

A Globo se viu no centro de uma polêmica nesta segunda-feira (29) após a exibição de comentários com teor racista durante a cobertura pré-jogo entre Brasil e Japão.

As falas foram ao ar no programa Encontro, que acompanhava a expectativa dos torcedores na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para a partida que estava marcada para as 14h.

Durante a interação ao vivo, comandada por Patrícia Poeta, dois torcedores entrevistados pelo repórter Ivo Madoglio recorreram a estereótipos associados aos japoneses.

Um deles, identificado como Caique, declarou: “O japonês, com todo respeito, tem o olho fechado, e quando o jogador do Brasil largar aquele chute, aquele míssil, o goleiro do Japão não vai enxergar por onde a bola vai passar. Vai ter gol do Rayan. Rayan, você é o cara”. Logo em seguida, outro entrevistado acrescentou: “Hoje o Brasil vai fazer os japoneses abrirem o olho”.

A polêmica das falas racistas

As declarações, ditas em tom de brincadeira, reforçaram discursos que a comunidade nipo-brasileira e influenciadores têm alertado como “racismo recreativo”.

O repórter Ivo Madoglio seguiu com a entrada ao vivo, e não houve qualquer comentário ou intervenção sobre o conteúdo das falas naquele momento da transmissão.

Horas antes da exibição desses comentários na TV, influenciadores já vinham alertando nas redes sociais sobre o aumento de manifestações racistas e xenofóbicas direcionadas a japoneses e nipo-brasileiros por conta da partida.

Bruna Tukamoto, em um vídeo que viralizou, reuniu exemplos de atitudes consideradas ofensivas e orientou sobre como evitar esse tipo de comportamento.

“Não chamar de Japa ou Coreia. Vocês colocarem todo mundo na mesma caixinha é apagar as subjetividades de todo mundo”, alertou Bruna.

A mulher também criticou piadas com nomes de jogadores e a presunção de que toda pessoa amarela torceria para a seleção japonesa.

“Não fazer piadinhas com os nomes dos jogadores –um clássico racismo recreativo que toda pessoa amarela já sofreu”, destacou.

Leo Kazuya, outro influenciador, fez um apelo aos torcedores antes da partida.

“Eu odeio ter que ser essa pessoa, mas vale lembrar que momentos assim, de rivalidade, não devem ser desculpa para você ser o c* do fundo do lixo de uma pessoa horrível. Torcer pelo Brasil é diferente de ofender outras nacionalidades”, declarou.

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Maria Clara é jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Passei por redações de jornais produzindo notícias para os portais, fiz gerenciamento de redes e já fui a campo como repórter de rua em emissoras de televisão aberta. Instagram: @clarajordao_