Após interpretar empresário e médico, David Junior celebra mudança de estereótipo na TV

David Junior
David Junior interpreta o Dom em Pega Pega (Imagem: Divulgação)

No ar na reprise de Pega Pega como Dom, David Junior, que na novela interpreta um empresário milionário, refletiu sobre a mudança de papéis de atores negros na TV. Em conversa com a Quem, o artista pontuou:

Todos os personagens são importantes e carregam um ato político à minha carreira. Em Pega Pega, tive a oportunidade de sair do estereótipo da subserviência imposta para o negro e ganhar um papel de empresário bem-sucedido, que fala francês, se veste bem e, apesar de ter sido criado longe de sua família biológica, consegue se reconectar com suas raízes e encontrar sua identidade”.

“Ele cresceu na Suíça. Imagina um homem negro crescendo num país majoritariamente branco? Dom foi meu primeiro personagem em uma trama com maior relevância dramática, além de estar de mãos dadas com uma equipe e elenco tão generosos, em que trabalhar era um deleite. Coleciono boas lembranças e bons amigos até hoje”, recordou.

Agora, em 2021, David topou participar de Sob Pressão, série em que interpretou o neurocirurgião. Sobre o novo papel, o ator disse: “Minha imagem já é um ato político. Sou grato ao Lucas [Paraízo, autor] e ao Andrucha [Waddington, diretor] por terem me dado essa oportunidade de fazer um neurocirurgião. Tive uma dificuldade de encontrar referências”.

“Quando parei para pensar em como seria o cabelo de um neurocirurgião negro. Entrei em um conflito gigante. Cheguei ao Andrucha e falei: ‘Já que a gente não tem referência, posso criar a minha? Vamos fazer com o meu cabelo?’. Ele gostou da ideia. Em nosso país, com 56% da população negra, a gente não tem essa representatividade em lugares de poder, digamos assim“, continuou David Junior.

“Acostumou-se a ver negros em lugares de subserviência e devemos romper isso. Para mim, foi um desafio gigante, mas, acima de tudo, uma honra representar os 56% da população dessa maneira tão digna e empática. Foi muito bom estar no papel de um médico que ajuda a salvar vidas e não escalado para um papel que perde a vida ou tira vidas, que é onde costumamos ver os homens negros na dramaturgia. Fazer um médico foi uma honra máxima”, declarou.

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Da Redação
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