Autor de Pantanal, Benedito Ruy Barbosa morre aos 95 anos

Benedito Ruy Barbosa
Benedito Ruy Barbosa morre aos 95 anos (Imagem: Divulgação / Globo)

Nesta terça-feira (7), Benedito Ruy Barbosa, o gênio por trás de novelas que marcaram gerações como Pantanal, Renascer, O Rei do Gado e Terra Nostra, faleceu aos 95 anos.

A notícia, que pegou o país de surpresa, foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor) de São Paulo, onde o autor estava internado devido a complicações de insuficiência renal crônica.

O HCor emitiu um comunicado oficial: “O Hcor informa que o autor Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, faleceu nesta manhã devido a complicações de insuficiência renal crônica (IRC). A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar”

O quadro de saúde do autor já era delicado há três anos, com histórico de reinternações por infecções, mas a família não havia divulgado detalhes sobre sua hospitalização mais recente.

Benedito Ruy Barbosa: O legado de um contador de histórias

Benedito Ruy Barbosa não foi apenas um autor; ele foi um cronista da alma brasileira, um mestre em retratar a vida no campo, os desafios do trabalhador rural e a saga dos imigrantes em terras tupiniquins.

Com uma carreira que começou na década de 1960, ele provou que era possível fazer sucesso estrondoso com histórias que fugiam do convencional, conquistando o público com narrativas poderosas e personagens inesquecíveis.

Seu talento nasceu em Gália, interior de São Paulo, onde, após perder o pai cedo, teve que arregaçar as mangas para ajudar a família.

Essa vivência no campo, aliada a uma sensibilidade ímpar, moldou sua visão de mundo e, consequentemente, suas obras.

De São Paulo ao Paraná, cada passo de sua vida parecia plantar a semente de uma nova história a ser contada. O autor passou por diversas emissoras, da Tupi à Band, antes da Globo.

Foi na Manchete, com Pantanal (1990), que ele causou um verdadeiro terremoto na audiência, ofuscando concorrentes. A Globo, percebendo o estrondo, o trouxe de volta.

Os bastidores de obras de Benedito Ruy Barbosa

A genialidade de Benedito Ruy Barbosa não se limitava apenas à escrita. Ele era conhecido por sua dedicação e, por vezes, por seus métodos de trabalho.

Em Esperança (2002), a relação com a emissora e a intervenção de Walcyr Carrasco para acelerar os capítulos geraram polêmica. “Quando ele assumiu a novela, deixei de assistir. Se visse, queria bater nele. Na época, liguei para o Mário Lúcio Vaz [então diretor artístico da Globo] e disse: ‘Avisa o Walcyr que, quando eu encontrar com ele, eu vou dar porrada, entendeu?’. Ele simplesmente acabou com minha novela”, declarou o autor em depoimento.

Para garantir que suas histórias fossem contadas exatamente como imaginava, Benedito Ruy Barbosa apostou em remakes de seus próprios sucessos, como Cabocla (2004), Sinhá Moça (2006), Paraíso (2009) e Meu Pedacinho de Chão (2014), sempre ao lado de suas filhas. 

Sua última novela, Velho Chico, em 2016, dividiu autoria com a filha Edmara e o neto Bruno Luperi, e apesar de não ter o mesmo impacto de suas obras anteriores, ficou marcada pela tragédia da morte do protagonista Domingos Montagner.

Paulo Carvalho
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Paulo Carvalho

Paulo Carvalho acompanha o mundo da TV desde 2009. Radialista formado e jornalista por profissão, há cinco anos escreve para sites. Está no RD1 como repórter e é especialista em Audiências da TV e TV aberta. Pode ser encontrado nas redes sociais no @pcsilvaTV ou pelo email [email protected].