Câmera exclusiva da Globo permitiu flagra de Galvão Bueno eufórico no Tetra

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Galvão Bueno, ao lado de Arnaldo Cezar Coelho e Pelé, na conquista do Tetra; Globo reapresenta Brasil x Itália neste domingo (26) (Imagem: Reprodução / Globo)

Cabô! Cabô! Acabou! É tetra! É tetra!”. Foi assim que Galvão Bueno celebrou a conquista do Tetra, na Copa do Mundo dos Estados Unidos, com vitória do Brasil sobre a Itália nos pênaltis. Os gritos do narrador entraram para a história da TV brasileira; a imagem deste momento, com Galvão aos pulos – ao lado dos comentaristas Arnaldo Cezar Coelho e Pelé –, virou meme. A Globo, que reexibe a partida hoje (26), voou alto com a transmissão do torneio em 1994.

Boa parte dos telespectadores – na época, televisores de 14 e 20 polegadas dominavam os lares brasileiros – acompanharam a disputa do Brasil pela taça por meio da emissora, que dividiu a transmissão com Band e SBT. A Folha de São Paulo destacou, na edição de 24 de julho de 1994, a predileção de 61% do público pela emissora-líder. 27% optaram pela Band, enquanto o SBT mobilizou 9%; outros 3% optaram por pular de canal em canal.

Para tal feito, a Globo não mediu esforços. Alocou Fátima Bernardes, Fernando Vannucci e Pedro Bial em um estúdio em Dallas; Carlos Nascimento também marcou presença, servindo de “terceiro apresentador” do Jornal Nacional durante a Copa. Escalou cerca de 140 profissionais para a cobertura. Dos repórteres, Caco Barcellos, Ernesto Paglia, Marcos Uchoa, Tino Marcos e Sônia Bridi seguem na casa. Também participaram Roberto Thomé (hoje na Record), Roberto Cabrini (do SBT), Hermano Henning (agora na Rede Brasil) e os finados Paulo Francis e Paulo Henrique Amorim, além de Carlos Dornelles e Luiz Fernando Lima, atualmente fora do vídeo.

Cléber Machado e Oliveira Andrade respondiam pelas partidas de outras seleções, com comentários de Raul Plassmann, ex-futebolista. Além da estrutura disponibilizada para o pool das emissoras, a Globo contava com quatro câmeras exclusivas – três delas no nível do campo e uma voltada para a torcida –, bem como com uma mini câmera acoplada na bancada dos narradores e comentaristas; foi esta novidade que permitiu focalizar Galvão eufórico com o pênalti perdido por Roberto Baggio.

A estação também fez uso de três recursos especiais para as devidas análises de intervalo e do pós-jogo: o tira-teima, em voga desde 1986 com a Copa do México; o super slow motion, mas pode chamar de câmera lenta; e o touch screen, tecnologia que está ao alcance dos dedos de todo o mundo, através das telas interativas de celular, tablets e afins. O emprego de um satélite facilitou a transmissão de notícias Brasil – Estados Unidos; permitiu inclusive que o lateral esquerdo Leonardo conhecesse o filho Lucas, que nasceu durante a disputa, em matéria produzida por Pedro Bial para o Jornal Nacional.

Apesar de todo o aparato tecnológico da Globo, a Band abriu ligeira vantagem sobre a parceira na avaliação do trabalho apresentado. Pesquisa DataFolha, do mesmo 24 de julho, mostra que a cobertura do canal dos Saad foi considerada ótima / boa por 95% dos telespectadores; 90% atribuíram a mesma classificação aos serviços da emissora-líder – que também apostou alto na TV por assinatura, com 400 horas de cobertura, e jogos em VT nas madrugadas, para aquela que foi a primeira Copa do SporTV.

A Band exibiu mais jogos do que a Globo. Foram 46 partidas ao vivo e outras 6 gravadas. Silvio Luiz e Luciano do Valle respondiam pela narração; o último também apresentou o Apito Final, mesa-redonda que reunia craques como Gérson, Mário Sérgio, Rivelino, Tostão e Zico. Elia Júnior, hoje no BandSports, ancorava a transmissão direto de Dallas. 100 profissionais compunham a comitiva, além de oito câmeras novíssimas e seis ilhas de edição. Amaury Júnior, também enviado para os Estados Unidos, produzia reportagens tanto para o seu programa, Flash, quanto para os telejornais da casa.

O departamento de esportes do SBT, então dirigido por Osmar de Oliveira, mobilizou 50 repórteres. Luiz Alfredo e Carlos Valadares foram encarregados da narração; do Brasil, os comentários de Carlos Alberto Torres, Orlando Duarte e Telê Santana – que volta à estação no reality futebolístico Uma Vida, Um Sonho. Ainda, o resgate do Amarelinho, criado para a Copa da Itália (1990); a bolinha, uma espécie de emoji, traduzia o sentimento da torcida durante as partidas. “Contra” Amaury, estava Otávio Mesquita, do Perfil; ele também abastecia os noticiários, bem como sua atração de fim de noite.

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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