Regina Duarte
Regina Duarte será Secretária de Cultura do Governo Bolsonaro (Imagem: Reprodução / Instagram)

Prezada Regina Duarte,

Não existe caminho mais desconfortável do que aquele que conduz à relevância, e até mesmo uma das Helenas de Manoel Carlos sabe que conquistas duradouras só se concretizam após desconfortos passageiros;

O recado da ampla maioria dos brasileiros – aqueles que vivem fora da bolha liderada pelos integrantes do Projaquistão – para você é simples: não tenha medo.

Não tenha medo das distorções que suas falas sofrerão, das manchetes sensacionalistas das quais você será alvo, dos tweets de colegas de profissão enfurecidos com a sua própria irrelevância e dos muitos outros desafios que certamente surgirão em seu caminho.

É claro que você corre alguns riscos. “Manifestos Pela Democracia” serão escritos; “Entidades” irão repudiá-la; “Especialistas” dirão que você errou; Caetano Veloso talvez componha uma música sobre a “Volta do Fascismo”. Mas tudo isso passa, e passa tão rapidamente quanto os planos maquiavélicos das super vilãs que hoje habitam o Canal Viva.

Caso você estivesse a serviço de um grupelho ou patrulha, aí sim seria prudente ter medo, pois hoje nunca foi tão fácil identificar aqueles que escondem seu autoritarismo atrás de frases de efeito, bandeiras vermelhas ou pétalas de flores.

Em 1965, ano de sua estreia na TV, eles até poderiam nos enganar. Em 1985, quando ia ao ar Roque Santeiro, eles poderiam se disfarçar. Em 2006, enquanto assistíamos a Páginas da Vida, eles nos sabotaram. Em 2015, quando você esteve em Sete Vidas, eles ainda se camuflavam, embora já estivessem à beira do precipício.

Mas agora, em 2020, a turma dos “Intelectuais Que Sabem Mais Do Que O Povo” nada pode fazer.

Ou melhor: eles ainda podem espernear, te chamar de nazista, afirmar que você é uma traidora burguesa ou coisas do gênero.

Nada, porém, que sobreviva à mais implacável das inimigas: a realidade.

A verdade, Regina, é que você decidiu deixar o confortável status de estrela global para ganhar infinitamente menos e trabalhar infinitamente mais. Quem tem o mínimo de lucidez sabe o quanto isso é admirável.

Coragem!

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