Chico Teixeira detalha amor pelo Pantanal e das cenas com Almir Sater em remake

Chico Teixeira
Chico Teixeira abriu o jogo sobre personagem em Pantanal (Imagem: Divulgação / Globo/ João Miguel Jr.)

Filho do cantor Renato Teixeira, Chico Teixeira quis ir além das fronteiras da música e marca a sua estreia no mundo da dramaturgia ao dar vida ao personagem Quim, na primeira fase de Pantanal.

Sem dar muitos spoilers, ele fala que canções famosas e modas de viola serão tocadas junto com o amigo de Almir Sater – com quem aprendeu a tocar violão – que fez grande sucesso na primeira versão do folhetim, na extinta TV Manchete.

Apaixonado pelo Pantanal, cria da região que conhece bem, em especial a parte da Nhecolândia, no Pantanal do Mato Grosso do Sul, Chico Teixeira fala da força do bioma e destaca que a maior planície inundada do planeta é um espetáculo da natureza e que será mostrado no folhetim.

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Cheio de novidades, além da estreia da novela, ele prepara o lançamento de um álbum com canções de sua autoria e clássicos da música sertaneja que promete ser um sucesso.

Confira a entrevista na íntegra:

RD1 – Como foi estrear na carreira de ator no remake de Pantanal?

Chico Teixeira – No início fiquei ansioso, pois sabia que seria um grande desafio. Afinal, não conhecia a dinâmica das gravações, não sabia se conseguiria decorar e assimilar os textos e ainda precisaria fazer uma entrega à altura da história que está sendo contada.

No entanto, o acolhimento da equipe e do elenco foi fundamental para que me sentisse confortável e começasse a me conhecer como ator. O apoio da nossa preparadora de elenco Andrea Cavalcante foi crucial para que eu pudesse entender toda a dinâmica.

O que poderia adiantar sobre o personagem Quim?

Ele é um peão fiel aos patrões Joventino (Jesuíta Barbosa) e seu filho José Leôncio (Renato Góes), tendo como parceiro de lida o Tião (Fábio Neppo), seu amigo que o acompanha até o fim. É uma amizade muito bonita.

Quim e Tião são dois peões atrapalhados e pirracentos, Filó (Letícia Salles) que o diga… Eles têm uma pureza e são sonhadores. Não dá para falar do Quim sem o Tião. Eles gostam da música, de umas modas antigas que também são do agrado dos seus patrões e da peonada nas rodas de viola.

Chegou a assistir a primeira versão da novela que contava com cantores como Almir Sater e Sérgio Reis dando vida aos peões na fazenda de José Leôncio?

Eu tinha 10 anos e assisti a primeira versão. Eu me lembro que o Quim era interpretado pelo Ewerton de Castro e eu gostava do jeito dele porque tinha um humor natural. A dupla com Marcos Caruso foi marcante para mim. Quando anunciaram que fariam o remake, assisti novamente alguns trechos da novela, mas nunca imaginei que faria parte desse elenco.

A trilha sonora também foi muito marcante. Ver Serjão (Sérgio Reis) e Almir na televisão foi legal, pois eles viviam em casa tocando violão e compondo. Nós somos vizinhos na Serra da Cantareira.

Por falar em Almir Sater, você irá trabalhar com ele, que é parceiro de seu pai em algumas músicas. Como foi esse encontro durante as gravações da novela?

O Almir está na minha vida há muito tempo. Não saberia dizer quando o conheci porque ele é um irmão para o meu pai. Lembro-me quando ele pediu um violãozinho meu emprestado para gravar uma música. E, desde então, é o seu companheiro fiel… Não me devolveu mais. Ele conta essa história nos shows e muita gente me pergunta se sou o menino do violãozinho do Almir. Sim, sou eu (risos).

Recentemente, participei da banda do projeto Tocando em Frente (Almir, Renato e Sérgio). Viajamos por quase três anos pelo país. O Almir é um ser humano gentil e sábio, e é sempre divertido estar com ele. Foi um grande parceiro e incentivador para mim nesse projeto.

Quando ele ouviu o meu nome ser cogitado para o elenco da novela, para Almir ficou feliz e ligou para o Renatão, meu pai, para contar tudo. Eu ainda não tinha falado nada porque não estava com tudo fechado em relação ao trabalho. O Almir foi quem me deu a notícia de que eu estava confirmado no elenco de Pantanal.

Na primeira versão Almir Sater e Sérgio Reis gravaram cenas tocando diversos sucessos como Chalana, Comitiva Esperança e outros. Alguns dessas músicas você irá cantar na novela?

O Quim na primeira versão não cantava. O Bruno Luperi (autor) adaptou suavemente o personagem para que eu pudesse contribuir com a música nessa primeira fase. Então, sugeri algumas músicas antigas que têm o astral pantaneiro. Teremos lindas surpresas que eu e Almir já gravamos.

É verdade que você aprendeu a tocar violão no Pantanal, na casa de Almir Sater?

O Almir me levou para o Pantanal, fui para lá passar alguns dias, que viraram meses. O fim da tarde era sempre regado a música e cantoria. Ele me pediu para que eu fizesse base para ele estudar os solos.

Eu estava aprendendo, mas tinha um pouco de dificuldade. Mas quando voltei do Pantanal já estava mais solto e aí não teve jeito: descobri que a música poderia ser um caminho para mim e só faltava saber se iria me levar junto com ela.

A novela promete mostrar as belezas naturais do Pantanal. Como foi a experiência de gravar cenas num lugar tão especial?

O Pantanal é um bioma mágico, intenso e poderoso. Mas é frágil às ações do homem. Nossas atitudes aqui na cidade refletem na dinâmica das águas. E aí vem a seca, as queimadas e a tristeza dos povos pantaneiros que zelam e dependem desse bioma para uma vida saudável. O povo pantaneiro tem amor pela magia e a vida selvagem que deve ser respeitada e protegida. Ver o Pantanal secar é sinal de que a humanidade está indo na direção errada. Gravar em um bioma tão rico é um ato de grande responsabilidade.

O Pantanal encanta turistas de toda parte… Uma das coisas que mais escuto das pessoas que visitam o Pantanal é sobre como ele mexe com a gente. Geralmente os turistas chegam quando o sol ainda está escaldante, quando a luz do dia ainda está firme. Talvez, o fato de conseguir ver o que está em volta (bichos, flores, árvores, rios…) faça com que a gente acredite ter o domínio sobre tudo aquilo. Mas, quando o sol se põe e o dia escurece, o Pantanal mostra ainda mais todo o seu poder. É uma grande orquestra de bichos e a gente nada consegue enxergar, só escutar e sentir lá no fundo o que o Pantanal quer da gente: que a gente se volte para essência do que é natural. E a natureza está aí para ajudar a gente.

Você conhece bem a região. Quais são os pontos mais bonitos do Pantanal? A parte de Corumbá é a mais encantadora, não?

Fui muitas vezes a Corumbá, mas sempre a trabalho. Então, é aquela história: “um dia a gente chega e no outro vai embora.” No Pantanal Sul, a região de Nhecolândia, é onde gravamos e onde eu mais conheço. O mais bonito é ver o Pantanal pulsando, as águas subindo na época cheia, de forma consistente; depois assistir as águas baixando, os bichos saudáveis e fortes, os banhos de rio, o céu estrelado, o nascer e o pôr do sol são indescritíveis. O humor pantaneiro também é algo que me chama muito a atenção.

Além da novela, você está preparando algum lançamento para este ano? Algum novo álbum?

Gravei um álbum durante a pandemia e o guardei para lançar agora. São canções de minha autoria e alguns clássicos da música sertaneja, são 14 canções ao todo. Eu proponho o sertanejo moderno, uma nova sonoridade para essa atmosfera saturada que se tornou o mercado musical no Brasil.

Dia 25 de março lanço a primeira música, na sequência alguns singles e, em breve, o disco. Pra quem quiser conhecer um pouco da minha obra musical, o material está disponível em todas as plataformas digitais, são oito álbuns contando com este novo.

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Márcio Gomes
O carioca Márcio Gomes é apaixonado pelo jornalismo, tanto que o escolheu como profissão. Passou por diversas redações, já foi correspondente estrangeiro dos títulos da Editora Impala de Portugal como Nova Gente, Focus, Boa Forma, e editor na revista de BORDO. Escreveu para várias publicações como Elle, Capricho, Manchete, Desfile, Todateen, Shape, Seleções, Agência Estado/Estadão, O Fuxico, UOL, entre outros.
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