Claudia Di Moura desabafa sobre racismo e representatividade negra na TV

Claudia Di Moura
Claudia Di Moura desabafou sobre racismo em vídeo para o projeto Eu, Ator (Imagem: Reprodução / YouTube)

Claudia Di Moura, conhecida por interpretar Zefa na novela Segundo Sol (2018), fez um desabafo sobre o racismo em vídeo gravado para o projeto Eu Ator, no qual falou a respeito do preconceito e desigualdade de oportunidades para atores negros no meio cultural, especialmente na televisão.

As palavras da atriz foram ditas ao lado de Guilherme Logullo e foram gravadas. A íntegra da participação de Moura está disponível no YouTube. Em seu comentário, a atriz contrapõe a demanda por representatividade à incipiente disseminação de papéis negros na TV.

“Falamos muito sobre representatividade, bacana, que bom, mas, acho que o branco entendeu diferente. Representatividade não é ter um casal de pretos na televisão, no cinema, no teatro. Queremos proporcionalidade”, afirmou Claudia em conversa com Guilherme Logullo.

A artista continuou: “Queremos protagonismo na frente das câmeras e atrás delas. Queremos pretos escrevendo, pretos dirigindo, queremos preto na linha de frente. Queremos normatizar a nossa presença, os nossos corpos. Por que é que a preta tem que falar da escravidão ou estar sempre com o papel de subalternidade? Queremos nos deslocar desses lugares e normatizar. Ser uma dona de siderúrgica; ser uma CEO, uma presidente de uma empresa. Então, é disso que queremos falar. E é por aí que vamos continuar clamando. Não queremos mais papéis subalternizados”.

A famosa conclui que, para que haja mudanças, é preciso que elas ocorram com o apoio de todos. “Isso só vai ser possível se o branco pegar na nossa mão. Isso não é uma guerra. Isso é empatia. Isso é ceder um pouco dos seus privilégios. Eu sei que é difícil, porque privilégio é poder. Ninguém quer abrir mão do poder”, disse.

Ela encerrou com uma sentença forte sobre o racismo no Brasil. “Não sei falar de racismo, porque racismo é invenção do branco. É um assunto que não me interessa, porque eu não sei falar dele… (…) A gente precisa parar de falar das dores… Já foi lá, aconteceu, vive acontecendo… Mas, a gente quer falar que nós somos um povo resistente, um povo de luta”, sentenciou.

“A gente morria lutando. A gente também tocou fogo no canavial, a gente matou branco… E, a gente pode voltar a fazer isso… Porque eu acho que está passando da hora de deixar de ser revolta para ser vingança. Me desculpa”, finalizou.

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