Estrela-Guia
Guilherme Fontes e Sandy, como Tony e Cristal, em “Estrela-Guia” (Imagem: Carlos Ivan / O Globo)

O Canal Viva estreia nesta segunda-feira (8), às 11h45 – sem horário alternativo, porém, disponível no Viva Play – “Estrela-Guia” (2001), a tão famosa novela da Sandy. Sucesso de audiência às 18h, a novela volta ao ar em meio às celebrações dos 30 anos de carreira da cantora, com direito à retomada, momentânea, da dupla Sandy & Junior. Abaixo, listo dez motivos para curtir este repeteco!

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Sandy como Cristal, em “Estrela-Guia” (Imagem: Divulgação / Globo)

O bom músico Junior que me desculpe, mas, no clã Xororó, quem demonstrou vocação para estrela, desde sempre, foi Sandy. Pequena no tamanho, e já gigante na voz, a cantora dominava os palcos, mesmo contando sempre com a agradável companhia do gracioso irmão. Sandy foi crescendo e aparecendo (mais!). Ganhou, ao lado de Junior, uma série para chamar de sua. Chegou aos cinemas através do então rei das bilheterias, Renato Aragão. Pouco depois, veio o convite para “Estrela-Guia”. Sandy esteve atriz. E enquanto esteve, demonstrou talento para tal. A paixão pela música – ou o sangue – falou mais alto. A ascensão no cenário artístico prosseguiu, mesmo com o fim da dupla. A reapresentação do folhetim, no embalo dos shows comemorativos destes 30 anos de Sandy e Junior, resgata este período rico da trajetória dos irmãos; especialmente, a dela, recordista em venda de discos, estrela de dez das dez capas semanais de revistas infanto-juvenis e protagonista de novela.

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Rosamaria Murtinho como Carlota, em “Estrela-Guia” (Imagem: Divulgação / Globo)

A história de Sandy e Junior também é, guardadas as devidas proporções, a história dos inúmeros fãs – e até de quem tentava se manter alheio ao domínio dos irmãos no “mercado” para crianças e adolescentes, décadas atrás. A minha memória guarda, com carinho, os CDs, pôsteres, roupas de cama e banho, figurinhas distribuídas em chicletes que ocupavam as prateleiras e as gavetas de casa, bem como o recreio no colégio. Para quem era adulto em 2001, “Estrela-Guia” talvez não soe tão interessante hoje. Afinal, a novela é “bobinha” até para o horário das 18h, onde foi exibida originalmente – como é, aliás, boa parte da obra, enquanto autora solo, de Ana Maria Moretzsohn, hoje colaboradora na Record. Para a molecadinha daquele tempo, porém, “Estrela-Guia” soa tão agradável quanto “A Gata Comeu” (1985) e “Top Model” (1989) para a geração “oitentista” ou “Vamp” (1991) e “Era Uma Vez…” (1998) para os filhos dos anos 1990. Dá aquela sensação de tempo bom que não volta mais…

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Evandro Mesquita como André, em “Estrela-Guia” (Imagem: Divulgação / Globo)

Por falar em nostalgia, o Canal Viva, sabemos, é o recanto preferido dos nostálgicos. Embora tenha privilegiado apenas uma fatia de seu público com suas recentes escolhas – a da década de 2000, com “Terra Nostra” (“raspinha do tacho” de 1999), “O Cravo e a Rosa” (2000) e “Porto dos Milagres” (contemporânea de ‘Estrela’) –, o Viva segue queridinho (ou quase), abastecendo as expectativas dos noveleiros de ver ou rever aquele folhetim saudoso… Desde o anúncio de Estrela-Guia, todo mundo se pergunta: “O horário das 11h45 veio para ficar?“. Ninguém sabe. Talvez nem o Viva, que, certamente, irá avaliar a resposta do público à reapresentação da novela da Sandy antes de tomar qualquer decisão. Para o telespectador, resta torcer para a manutenção da faixa. Primeiro pela sacudida na grade vespertina, há anos restritas às reprises de “Família Dinossauros”, “Malhação” e “Sandy & Junior”; segundo, pela possibilidade de ter ali outras tramas “infanto-juvenis”, como as citadas acima…

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Rodrigo Santoro como Carlos Charles, em “Estrela-Guia” (Imagem: Divulgação / Globo)

Vale lembrar que “Estrela-Guia” atingiu a maioridade no último dia 12. E esta será a primeira reprise da trama. A título de comparação, “Por Amor” (1997), com 22 anos incompletos, será reapresentada pela quarta vez a partir do dia 29, em “Vale a Pena Ver de Novo”. Logo, “Estrela-Guia” está mais do que apta ao resgate via Viva – para tristeza de quem acredita que “novelas velhas” são, apenas, as exibidas de 2000 para trás. A Globo bem que tentou repetir a trama em sua grade vespertina, chegando a anuncia-la em seu site oficial, nos últimos meses de 2003. O retorno, anunciado para janeiro de 2004, na vaga então ocupada por “Anjo Mau” (1997), acabou suspenso após a saída de Sandy e Junior da emissora, em meio à aposta da dupla no mercado internacional; “Corpo Dourado” (1998) acabou herdando o posto. Eis que, para os fãs, enfim chegou a hora de rever a produção – ou ver, para quem se interessa pela novela apenas de ouvir falar.

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Marcos Winter e Maitê Proença, como Bob e Kalinda, em “Estrela-Guia” (Imagem: Divulgação / Globo)

“Estrela-Guia” resgata não só o auge de Sandy e Junior, o apreço dos fãs ou a época delicinha, para alguns, em que a novela foi exibida originalmente. A narrativa foi permeada por uma mensagem de fé, digamos assim, pertinente em 2001 e necessária neste 2019. Praticamente todos os personagens anseiam por “paz, amor e harmonia” – do casal Hanuman (Marcos Winter), e Kalinda (Maitê Proença), pais de Cristal (Sandy), que troca a confusão do Rio de Janeiro pela tranquilidade do Arco de Aliança, em Jagatah, Goiás, ao engenheiro André (Evandro Mesquita), que deseja trilhar o mesmo caminho, para desespero da esposa, Luciana (Isabela Garcia). O folhetim é permeado pelos ensinamentos de Purunam (Nelson Xavier), líder da comunidade alternativa, pelas carta de Sukhi (Fernanda Rodrigues) e pelas sensações que atormentam Santiago (Sérgio Marone). Para os crédulos e para os céticos, a novela prega a mesma mensagem: a ligação com o astral, e a natureza, engradece o homem.

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Fernanda Rodrigues e Thaís Fersoza, como Sukhi e Gisela, em “Estrela-Guia” (Imagens: Divulgação / Globo)

Por falar em Sukhi, que grande atriz é Fernanda Rodrigues! Ela e Thaís Fersoza, a rebelde Gisela, “impediram” Sandy de brilhar sozinha. Fernanda já era “velha” conhecida dos noveleiros: foi da menininha em “Vamp” para a pré-adolescente irritante em “A Viagem” (1995), até a jovenzinha apaixonada em “Malhação” (1995). Thaís veio depois, trilhando o mesmo caminho, explodindo, de fato, com a romântica Erica, de “Esplendor” (2000), trabalho anterior de Moretzsohn. Ambas amadureceram, tal qual Sandy, entre estúdios de TV e ensaios fotográficos. Hoje, as três são mães. E esta atividade acabou por “afastar” tanto Fernanda, quanto Thaís das novelas. Como coincidência pouca é bobagem, Fernanda e Thaís viveram vilãs em seus últimos trabalhos, “O Outro Lado do Paraíso” (2017, Globo) e “Escrava Mãe” (2016, Record). Dois talentos reverenciados na nova reprise do Viva: Sukhi, mais que amiga, friend, de Cristal; Gisela, a inimiga da riponga, num primeiro momento.

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Thiago Fragoso e Rodrigo Santoro, como Bernardo e Carlos Charles, em “Estrela-Guia” (Imagens: Divulgação / Globo)

A ala jovem de “Estrela-Guia” conta também com Thiago Fragoso, estreando na Globo. Seu personagem, Bernardo, divide a atenção do pai, Mauro (Tarcísio Filho), com a segunda esposa dele, Heloísa (Graziella Moretto), e os frutos desta nova união. O rapazinho despertou a atenção da equipe de “O Clone”, novela de Gloria Perez que estreou às 21h quatro meses após o término da trama que levou Fragoso à emissora; no folhetim, o ator foi contemplado com o dependente químico Nando, que lhe permitiu voos mais altos posteriormente. Ainda, a presença de Rodrigo Santoro, em franca ascensão: o hoje astro de Hollywood saía das páginas das revistas de fofoca – por conta da turbulenta separação de Luana Piovani – para os prêmios de cinema, com “Abril Despedaçado” e “Bicho de Sete Cabeças”. “Estrela-Guia”, na pele do calhorda Carlos Charles, foi a última novela inteira de Santoro, que “foi e voltou” em seu trabalho seguinte, “Mulheres Apaixonadas” (2003). Vale conferir.

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Lilia Cabral e Carolina Ferraz, como Daphne e Vanessa, em “Estrela-Guia” (Imagens: Divulgação / Globo)

Já que falei em vilania, abram alas para Daphne e Vanessa, personagens de Lilia Cabral e Carolina Ferraz. A espalhafatosa Daphne, fazendeira que pretende unir Carlos Charles, seu filho, e Cristal – tomando posse da Arco da Aliança e do veio de esmeraldas que atravessa Jagatah – serviu como mais uma amostra do talento de Lilia, “oculto”, nos últimos tempos, por tipos de uma mesma linhagem. Quem viu Valentina, de “O Sétimo Guardião”, viu Maria Marta, em “Império” (2014), por exemplo, Daphne, na contramão das megeras que Aguinaldo Silva deu a atriz, serviu para Lilia Cabral mostrar toda sua versatilidade. O mesmo para a perua tresloucada, que disputa, veladamente (num primeiro momento), Tony (Guilherme Fontes), com Cristal. Carolina, que vinha de um momento crítico na carreira – a mal ajambrada Lucinha, de “Pecado Capital” (1998) – se reinventou com a madame tomada de amores pelo peão Inácio (Floriano Peixoto), amante de Daphne. Mandaram bem!

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Guilherme Fontes e Sandy, como Tony e Cristal, em “Estrela-Guia” (Imagem: Divulgação / Globo)

O lado maléfico da força conta ainda com Mônica Torres, encarregada de Su-Sukhan, a hippie que, pasmem, vai na contramão dos ensinamentos do mentor Purunam; também as alopradas Lucrécia (Lucinha Lins) e Carlota (Rosamaria Murtinho), a melhor amiga e a mãe de Tony, o eleito de Cristal. Aliás, cabe destacar Guilherme Fontes, galã de Gloria Pires em “Mulheres de Areia” (1993), reconectando-se com as novelas após um bom tempo dedicado à direção, no cinema, com a ingrata missão de servir de príncipe encantado para Sandy. Em núcleos paralelos, Ana Carbatti – atriz de forte presença, ainda colhendo os louros de Zulmira, sua personagem em “Força de um Desejo” (1999) -, como Dominique, primeira companheira de Tony; e Gabriel Braga Nunes, que quase arrebatou o protagonista, como Guilherme, produtor musical, sempre acompanhado da fiel escudeira Lalá (Christine Fernandes, ótima e, lamentavelmente, negligenciada). Ah, também Junior, como o malabarista Zeca…

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A trilha sonora de “Estrela-Guia” (Imagem: Reprodução / Mercado Livre)

Menino Junior, aliás, esteve envolvido com a trilha sonora, outro ponto alto de Estrela-Guia. O repertório vai da regravação de ‘Imagine’, hit de John Lennon, na voz de Paulo Ricardo à original ‘Just the way you are’, com o deus do soul Barry White. Do esquecível PO Box, banda de ocasião que reeditou ‘Lá em Mauá’, até a inesquecível Elis Regina, com ‘Como nossos pais’. Uma curiosidade: dizem que Xororó não consentiu com a presença de Sandy, sozinha, no CD – que estampou o logotipo da produção na capa. A resistência vinha da necessidade de manter a imagem de dupla, Sandy & Junior. Agora, com a reprise no Viva, todo mundo vai poder comprovar que não havia razão para o periférico Zeca ilustrar a trilha ao lado da figura central do enredo… Junior, porém, cantou sozinho: é dele a versão de ‘Enrosca’, que, com Guilherme Lamounier, embalou muitas cenas de “Locomotivas” (1977), clássico das 19h. Sandy, por sua vez, restringia seu potencial vocal aos mantras de Cristal.

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