Lucinha Lins como Vilma, vilã incendiária de “Chamas da Vida” (2008) (Imagem: Divulgação / Record)

No dia 8 de julho de 2008, a Record estreou uma de suas novelas de maior sucesso: “Chamas da Vida”. Marco da carreira de Cristianne Fridman – pela primeira vez, sozinha à frente de um folhetim –, o título repercutiu entre os fãs do gênero por conta das polêmicas apresentadas em seu enredo e do desempenho brilhante de Lucinha Lins como a vilã Vilma – de cabelos ruivos para afastar a aura de doçura que o tom loiro, tão característico, sempre imprimiu à atriz. Abaixo, 12 curiosidades da trama, para celebrar os 10 anos!

1 – A Record chegou a anunciar a novela em sua programação com o título “Prova de Fogo”. A propaganda se deu em meio às novidades para a “grade 2008” do canal – que então contava com Britto Jr, Chris Flores, Eliana, Márcio Garcia, Maria Cândida, Milton Neves e Tom Cavalcante, além das transmissões de campeonatos esportivos e um pacote de filmes e séries adquirido junto aos estúdios Universal.

2 – Fábio Jr regravou a clássica “Fogo e Paixão”, de Wando, especialmente para a abertura da produção. A canção acabou incluída no álbum “Fábio Jr e Elas”, destinado, a princípio, apenas a duetos com vozes femininas, em versões “ao vivo”. Na trilha, a também reciclada “Feelings”, do brasileiro Morris Albert, destaque do repertório de “Corrida de Ouro”, folhetim que a Globo exibiu às 19h, em 1974.

Juliana Silveira (Carolina) e Leonardo Brício (Pedro), protagonistas de “Chamas da Vida” (Imagem: Divulgação / Record)

3 – Marcelo Serrado foi o primeiro nome cogitado para o protagonista, o bombeiro Pedro. O ator, contudo, acabou deslocado para a substituta “Poder Paralelo” – onde deu vida ao vilão Bruno Vilar. Leonardo Brício, então cogitado para interpretar o também bombeiro Cazé (Milhem Cortaz), assumiu o principal papel masculino, formando par romântico, valorizado pela “alta voltagem sexual”, com Juliana Silveira (Carolina).

4 – Assim como Serrado, Lu Grimaldi foi deslocada para ‘Poder’. Sua personagem, Mercedes, acabou nas mãos de Sandra Pêra. Já Nina de Pádua assumiu Lourdes, mãe da vilã Ivonete (Amandha Lee), que, segundo informações da época, teria sido oferecida a Tássia Camargo – esta deixou a Record após o término de “Vidas Opostas” (2006), reivindicando direitos trabalhistas na Justiça.

5 – Tiago Santiago, então à frente dos roteiros de “Os Mutantes – Caminhos do Coração” (2008), adquiriu uma participação no folhetim através do leilão beneficente da campanha Dia de Fazer a Diferença. Tiago surgiu em cena como um “anjo-mendigo” que aconselhava o desajustado Antônio (Dado Dolabella). O “ator-autor” já havia participado de uma novela na Globo, “Livre Para Voar” (1984).

Dado Dolabella (Antônio) e Rodrigo Faro (Wallace) em cena de “Chamas da Vida” (Imagem: Divulgação / Record)

6 – Durante as gravações, aliás, Dado, se viu em meio à polêmica suscitada após agredir a então namorada Luana Piovani e a camareira Esmeralda de Souza. Dolabella acabou condenado em 2014; a pena consistia em acompanhar palestras sobre violência contra a mulher. Na ficção, o ator exalou química com Andréa Horta (Beatriz), ampliando a presença de ambos no enredo.

7 – O incêndio do primeiro capítulo, na fictícia fábrica de sorvetes GG, foi gravado no mesmo galpão que abrigou as filmagens de “O Incrível Hulk” (2008). A produção contou com fardas dinamarquesas de amianto para os atores e seis câmeras “blindadas” avaliadas em R$ 1,5 milhão cada, além de uma brigada de incêndio “de verdade”. Para as cenas de fogo – acrescidas de efeitos obtidos com computação gráfica –, o diretor Edgard Miranda inspirou-se em filmes como “Brigada 49” (2004), estrelado por Joaquin Phoenix e John Travolta.

8 – Longas-metragens também inspiraram Amandha Lee, na concepção de Ivonete. A figura – noiva de Pedro; amante de Tomás (Bruno Ferrari) – remetia ao estilo de personagens de Pedro Almodóvar; especialmente a de Penélope Cruz em “Volver” (2006). Já Nathalia Rodrigues tomou por base para sua Suellen, jovem obcecada pela fama, os DVDs da banda Calypso, então liderada por Joelma. E por falar em cinema… Milhem Cortaz emendou o treinamento no BOPE, necessário para sua marcante participação em “Tropa de Elite” (2007), no laboratório com os bombeiros.

9 – O primeiro capítulo contou também com uma breve participação de Rodrigo Faro, na pele do bombeiro Wallace, vitimado no incêndio da GG. A intenção era contar com Faro na novela e, logo em seguida, tê-lo à frente do “Ídolos”, reality musical que fez história no SBT. A saída de Márcio Garcia da casa, contudo, precipitou o lançamento do novo contratado, que acabou assumindo “O Melhor do Brasil” em abril. A emissora havia adotado estratégia similar com Garcia que, mesmo já tendo migrado para o entretenimento, surgiu em participação no início de “Prova de Amor” (2005).

Letícia Colin (Vivi) e André di Mauro (Lipe): abordagem de casos de pedofilia em “Chamas da Vida” (Imagem: Divulgação / Record)

10 – A concorrência com “Pantanal” (1990), clássico da Manchete em reprise no canal de Silvio Santos, derrubou a audiência de “Chamas da Vida” em seus primeiros meses. Os índices subiram após reformulações; no Rio de Janeiro, “Chamas da Vida” ultrapassou a Globo em mais de uma ocasião. A novela, contudo, voltou a cair, nas últimas semanas, quando deslocada para 21h45, acabou batendo de frente com “Caminho das Índias” – comprimida entre “Promessas de Amor”, às 20h45, e “Poder Paralelo”, sua substituta, no ar às 22h15.

11 – Com as tais reformulações, os personagens André (Guilherme Leme), Carla (Verônica Debom), Jairo (Igor Cotrim), Ricardo (Waldyr Gozzi) e Verônica (Vanessa Pascale) saíram de cena. E cresceu o debate sobre pedofilia, através de Vivi (Letícia Colin), vítima de Lipe (André di Mauro). Também HIV (Guilherme, Roger Gobeth), drogas sintéticas (núcleo do ferro-velho liderado por Marreta, Vitor Hugo, e Manu, Juliana Lohman), além de machismo x feminismo, por um viés cômico (do casal Brito, Ewerton de Castro, e Roseclair, Stella Freitas, pais de Guilherme).

12 – A reprise, de outubro de 2015 a setembro de 2016, contou com um final “quase” inédito”. Tomás revelou ser “a Fênix”, incendiário que perseguia a também incendiária Vilma, sua mãe – na versão original, Léo (Rafael Queiroga), auxiliado pela irmã Darlene (Claudiana Cotrim). Tomás também respondeu pelos incêndios no repeteco do canal fechado Investigação Discovery, concluído apenas um mês antes do término da reexibição na Record. ‘Chamas’ amargou a segunda menor média da faixa vespertina: 4,8 pontos, à frente de “Dona Xepa” (2013), com 3,4.

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