Xuxa celebrou os 2 anos de seu ‘Xou’ com convidados especiais, como Léo Jaime (Imagem: Divulgação / Globo)

30 de junho de 1988. Não é exagero dizer que, nesta data, a Globo amanheceu alegre e foi dormir triste. Então estrela da casa, nas manhãs de segunda-feira a sábado, Xuxa Meneghel celebrava os dois anos de seu ‘Xou’ – e lançava sua primeira fita “solo” no cinema, “Super Xuxa Contra Baixo Astral”. Já o rei das tardes de sábado, Abelardo Barbosa, o Chacrinha, saía de cena em definitivo, vítima de um infarto agudo do miocárdio, nas últimas horas do dia. Na coluna de hoje, revisito a programação da emissora naquela quinta-feira.

Relembre a grade da Globo em 30 de junho de 1988:

Carlos Monforte à frente do “Bom Dia Brasil” (Imagem: Divulgação / Globo)

O “Telecurso 2º Grau” “abria os trabalhos” às 06h30. Na sequência, o “Bom Dia Brasil” (07h00), direto de Brasília, ancorado por Carlos Monforte, que deixou a casa em 2016. Naquela época, apenas São Paulo contava com o ‘Bom Dialocal (07h30), conduzido por Carlos Tramontina, num formato que conciliava notícias e entrevistas. Nesta faixa, nas demais emissoras, o ‘BDB’ era reapresentado – como o SBT costumava fazer, tempos atrás, com seu telejornal noturno.

Às 08h00, teve início a festa do “Xou da Xuxa”, pela primeira vez “ao vivo”. O ponto alto: a Rainha dos Baixinhos deixa o estúdio para encontrar a multidão que se acotovelava na porta do Teatro Fênix, puxando seu maior hit, ‘Ilariê’ – carro-chefe do álbum ‘Xou da Xuxa 3’, lançado no mês seguinte; ainda hoje, recordista de vendagens (3.300.000 cópias). O especial promoveu o primeiro encontro de Xuxa e Angélica, sua “sucessora indireta” no “Clube da Criança”, da Manchete; então colhendo os louros de seu primeiro LP, encabeçado pelo clássico ‘Vou de táxi’. Ainda, a presença da equipe do “Super Xuxa Contra Baixo Astral” e o lançamento das ‘Olimpíadas da Xuxa’, principal quadro dos programas nas férias de julho. Os desenhos “Alf, o E. Teimoso”, “Charlie Brown & Snoopy”, “Comando em Ação” e “Hello Kitty” entremeavam as atrações.

Fátima Bernardes, uma das apresentadoras das três edições do “RJ TV” (Imagem: Divulgação / Globo)

Pelo “RJ TV”, cuja primeira edição era exibida às 12h15, passaram nomes como Berto Filho, Fátima Bernardes, Liliana Rodrigues e Valéria Monteiro. A equipe de reportagem contava com grandes valores do jornalismo global: André Luiz Azevedo, Glória Maria, Pedro Bial e Tamara Leftel, dentre outros. Às 12h40, o “Globo Esporte”, com o indefectível “alô, você!” de Fernando Vannucci, hoje na Rede Brasil – nas matérias, Isabela Scalabrini, Luiz Fernando Lima, Marcos Uchoa, Mauro Naves e Tino Marcos. Leda Nagle, por sua vez, era a âncora do “Jornal Hoje”, 13h00, também conduzido por Marcos Hummel.

Em 5 de outubro de 1988, foi promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil, a “última pá” sobre o regime militar implantado em 1964. A Globo acompanhou todo o trabalho de elaboração e votação de leis e preceitos, presididos pelo deputado federal Ulysses Guimarães. E os boletins “Diário da Constituinte” (13h25) adiantavam as “últimas novidades” sobre o assunto.

Luís Gustavo e Reginaldo Faria como Ari / Victor Valentim e André / Jacques Leclair, em “Tititi” (Imagem: Divulgação / Globo)

O “Vale a Pena Ver de Novo” (13h30), como de praxe nas décadas de 1980 e 1990, resgatava a recente “Tititi”, condensada em 145 capítulos – apena 40 a menos do que a versão original, veiculada entre agosto de 1985 e março de 1986. Na trama de Cassiano Gabus Mendes, Ari (Luís Gustavo) e André (Reginaldo Faria) levam para o mundo da moda – sob as identidades de Victor Valentim e Jacques Leclair – as desavenças que os separaram ainda na infância. Os dois, contudo, se veem unidos pela paixão por uma mesma mulher, Suzana (Marieta Severo); pelo namoro de seus filhos, Luti (Cássio Gabus Mendes) e Walkiria (Malu Mader); e pela misteriosa Tia (Nathalia Timberg), a “mente criativa” por trás de Valentim.

Comédias e musicais eram apostas recorrentes da “Sessão da Tarde”” (14h20). Caso do cartaz daquele 30 de junho, “Roma, um Convite ao Amor” (1963). Logo após, a “Sessão Aventura” (16h20), então recorrendo a desenhos animados: “Os Caça-Fantasmas” – oriundo do longa-metragem de 1984 – e “ThunderCats”. Já a “Sessão Comédia” (17h20) trazia “O Poderoso Benson”, centrada na figura do mordomo Benson DuBois (Roberto Guillaume) e em suas intervenções na rotina dos patrões.

Cláudia Abreu (Ana Paula), Alexandra Marzo (Beth) e Malu Mader (Cláudia) em cena de “Fera Radical” (Imagem: Divulgação / Globo)

Fortes emoções abalaram a família Flores, principal núcleo de “Fera Radical”, no ar às 17h55. A primogênita Olívia (Denise Del Vecchio) acusava a nora, Beth (Alexandra Marzo) – e a mãe desta, Lourdes (Cleyde Blota) – de forçarem o casamento com Rafael (George Otto), usando da gravidez da adolescente. Já o caçula Heitor (Thales Pan Chacon) sentiu o recalque “bater forte” quando Cláudia (Malu Mader), a “fera” do título, contou que estava dividindo o teto com Fernando (José Mayer), o irmão vaqueiro do empresário, com quem já havia disputado a esnobe Marília (Carla Camuratti). O enredo de Walther Negrão assegurou uma das maiores médias do horário das 18h nos anos 1980.

Isabela Garcia e Beatriz Bertu, Ana e Heleninha, em “Bebê a Bordo” (Imagem: Divulgação / Globo)

Com uma popularidade então comparada à de Xuxa, Isabela Garcia atraía os pequenos para “Bebê a Bordo” (18h50), novela bastante adulta de Carlos Lombardi. A “queridinha dos baixinhos”, contudo, não primava pelo comportamento exemplar – tal qual a “rainha” – na novela: Ana, mãe aos 18 da fofínea Heleninha (Beatriz Bertu), fugia da cadeia para resgatar a filha, abandonada na porta da casa de Laura (Dina Sfat, em seu último e dos mais memoráveis trabalhos). Ela acabava no pronto-socorro após atropelar a menina, acompanhada de Nero (Ary Fontoura), com sua bicicleta. Porém, distante de Heleninha desde o parto, Ana não a reconheceu. E acabou dando no pé, antes da chegada de Laura – a mãe biológica que desconhecia – ao hospital. Assim como “Fera Radical”, “Bebê a Bordo” foi recentemente exibida (com cortes) pelo Canal Viva.

Cid Moreira dividia a bancada do “Jornal Nacional” com Celso Freitas (Imagem: Divulgação / Globo)

O “Jornal Nacional” entrava no ar, pontualmente, às 20h00, logo após o segundo boletim “Diário da Constituinte” (19h40) e a segunda edição do “RJ TV” (19h45). Cid Moreira e Celso Freitas respondiam pelo telejornal que, ainda hoje, registra a maior audiência do gênero no país. Na sequência, o “Momento Olímpico” (20h30), que trazia curiosidades dos esportes e dos atletas que pintariam, em setembro, nas Olímpiadas de Seul. Fernando Vannucci respondia pela narração; naquela quinta-feira, destaque para a equipe de vôlei feminino da China.

Lídia Brondi e Gloria Pires, as arqui-inimigas Solange e Maria de Fátima, em “Vale Tudo” (Imagem: Divulgação / Globo)

Caso você, caro leitor, esteja acompanhando “Vale Tudo” pela primeira vez, nesta segunda reapresentação no Viva, fica o alerta: este parágrafo contém spoiler! Maria de Fátima (Gloria Pires) consegue separar Afonso (Cássio Gabus Mendes) e Solange (Lídia Brondi), quase o “último ato” de seu plano para desposar o herdeiro da família Almeida Roitman. Evidente que a armação para cima da editora de moda conta com o auxílio do cafajeste César (Carlos Alberto Riccelli). Afonso e Solange, contudo, já “balançavam”, em razão dos atritos da moça com Odete Roitman (Beatriz Segall), ordinária de grife, mãe do rapagão. Dia ruim também para Raquel (Regina Duarte), a mãe de Fátima, que inaugura seu restaurante aos prantos, por não ter a presença VIP do amado, Ivan (Antonio Fagundes) – sugado pelos patrões, Odete e Marco Aurélio (Reginaldo Faria).

A série “Suspense” (21h30) foi um dos destaques da linha de shows da Globo nesta época. A produção revisitava clássicos do diretor Alfred Hitchcock, com comentários do próprio. No “Festival de Inverno” (22h30), a emissora resgatou grandes sucessos do cinema, como “Laços de Ternura” (1983), vencedor do Oscar e do Globo de Ouro de melhor filme, melhor atriz (Shirley MacLaine) e melhor ator coadjuvante (Jack Nicholson). Também Oscar de melhor roteiro adaptado e melhor diretor (James L. Brooks).

Abelardo Barbosa, o Chacrinha, nos deixou em 30 de junho de 1988 (Imagem: Divulgação / Globo)

O “RJ TV”, 3ª edição, à 01h00, começou com a notícia que ninguém queria dar: às 23h30, morria Abelardo Barbosa, o Chacrinha, já debilitado por conta de um câncer de pulmão. O comunicador havia retomado os trabalhos de seu ‘Cassino’ na semana anterior, dividindo o microfone com João Kléber; a lendária atração foi extinta no sábado (2), com a exibição do último programa gravado por Chacrinha. O “Jornal da Globo (01h05)”, com Eliakim Araújo e Leila Cordeiro, também repercutiu a despedida de Abelardo, então com 70 anos. No dia seguinte (1º), William Bonner, então na Globo São Paulo, estreava na bancada do “Jornal Hoje”, cobrindo as férias de Marcos Hummel, com as informações sobre o velório – e auxiliava a equipe do “Globo Repórter” a produzir um especial sobre o “Velho Guerreiro”, exibido na mesma noite.

A programação seguiu com o “Globo Economia”, de Lilian Witte Fibe, à 01h35. E o “Festival de Sucessos” (01h40), com “Alice não mora mais aqui” (1974), de Martin Scorsese, Oscar de melhor atriz para Ellen Burstyn.

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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