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Regina Duarte como Helena, em “Por Amor”, próximo cartaz do “Vale a Pena Ver de Novo” (Imagem: Divulgação / Globo)

Conflitos relacionados à maternidade irão dominar a dramaturgia da Globo neste 2019. A relação mãe x filhos vai de “Por Amor” (1997), próximo cartaz do “Vale a Pena Ver de Novo”, até “Amor de Mãe”, texto de Manuela Dias que ocupa a faixa das 21h, se nada mudar, em novembro. No clássico de Manoel Carlos, com retorno agendado para o próximo dia 29, Helena (Regina Duarte) troca seu bebê, vivo, pelo filho morto de sua filha, Maria Eduarda (Gabriela Duarte); o ato coloca em xeque sua relação com Atílio (Antonio Fagundes), induzido pela esposa a acreditar na morte do herdeiro. Já no folhetim ainda inédito, Regina Casé dá vida à mãe que deixa Minas Gerais em busca do filho vendido pelo próprio pai – lembra ou não lembra, de leve, “Senhora do Destino” (2004), com Maria do Carmo (Susana Vieira) no encalço da sequestrada Lindalva / Isabel (Carolina Dieckmann)?

“Malhação – Toda Forma de Amar” aposta em trama similar: Rita (Alanis Guillen) deseja reaver a guarda da filha, que julgava morta, adotada por Lígia (Paloma Duarte). Em “A Dona do Pedaço”, que antecede “Amor de Mãe”, Maria da Paz (Juliana Paes) vive em conflito com a deslumbrada Josiane (Agatha Moreira), capaz de articular um plano para roubar sua progenitora. O enrede remete a Raquel (Regina Duarte) e Maria de Fátima (Gloria Pires), de “Vale Tudo” (1988), também reeditada em “Verão 90”, via Janaína (Dira Paes) e Jerônimo (Jesuíta Barbosa). Ainda, “Bom Sucesso”, próxima novela das 19h, com Grazi Massafera interpretando uma “mãe coragem” que acredita estar condenada à morte. E o remake de “Éramos Seis”, às 18h, tendo Gloria Pires na pele da matriarca Lola.

Reincidente

Esta não é a primeira vez que a grade da Globo se debruça sobre um mesmo tema. Em 2001, a emissora apostou em uma trinca, digamos, ecumênica: da filosofia hippie adotada por Cristal (Sandy), protagonista de “Estrela-Guia”, às 18h, até o candomblé, de Mãe Ricardina (Zezé Motta) e do pescador Guma (Marcos Palmeira), em “Porto dos Milagres”, às 20h. Entre as duas tramas, atualmente reprisadas no Canal Viva, “Um Anjo Caiu do Céu”, com João Medeiros (Tarcísio Meira) buscando redenção após ser salvo pelo anjo Rafael (Caio Blat). Em “Vale a Pena Ver de Novo”, a icônica “Roque Santeiro” (1985), sobre Asa Branca, cidade que vive da fama de milagreiro de um mártir que, de repente, surge vivo, para desespero dos poderosos locais.

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Emilio Dantas viverá Pedro II em “Nos Tempos do Imperador”, novela das 18h prevista para 2020 (Imagem: Divulgação / Globo)

Cabe destacar outra “coincidência global”, já na programação 2020. Dom Pedro II e sua esposa, Teresa Cristina, estarão presentes tanto em “Nos Tempos do Imperador”, novela das 18h centrada nos conflitos da família real – incluindo as filhas do casal, Isabel e Leopoldina –, e em “O Selvagem da Ópera”, supersérie sobre o maestro Carlos Gomes, que viajou a Itália, onde fez fama, com o auxílio dos monarcas. “Imperador”, como se sabe, estava prevista para este ano. Foi adiada por conta da “complexidade de produção”, tal qual “Selvagem”. Estaria a Globo pensando em uma ação crossover, com a interação dos dois produtos? Cabe lembrar que, na substituta de “Éramos Seis”, Emilio Dantas fará Pedro II; Andreia Horta, Teresa Cristina.

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Sandy como Cristal, em “Estrela-Guia”; trama está em reprise no Canal Viva (Imagem: Divulgação / Globo)

E por falar em “Estrela-Guia”, a coluna consultou o Viva a respeito da manutenção do horário da “novela da Sandy”, de segunda-feira a sexta-feira, 11h45. Não obtivemos retorno até o fechamento. A expectativa nas redes sociais é que o canal destine essa faixa, considerada infanto-juvenil, para folhetins que marcaram tal fatia de público, na época de suas exibições originais. Casos de “Sonho Meu” (1993), “Era Uma Vez… ” (1998) e “O Beijo do Vampiro” (2002), além das já reapresentadas “A Gata Comeu” (1985), “Top Model” (1989) – que completa 30 anos em setembro – e “Vamp” (1991).

Ainda sobre o Canal Viva: a temporada 1990 do “Domingão do Faustão” está em exibição aos sábados, 10h30. Enquanto isso, na Ancine, tramitam processos, abertos pela Globo, acerca das temporadas 1993 e 1995 de “Os Trapalhões” – a última, já sem Mussum. O humorístico ocupa posição de destaque tanto no horário nobre, quanto nos fins de semana do canal pago.

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Nelson Xavier, no papel-título de “Chico Xavier”; minissérie será reapresentada no Canal Brasil (Imagem: Divulgação / Globo)

Curioso constatar também que produtos então “fadados” ao Viva estão se espalhando pelos canais Globosat. Após “Tapas e Beijos” (2011) e “O Canto da Sereia” (2013) no GNT, a série “Chico Xavier”, adaptada do filme homônimo de 2010, exibida pela Globo no ano seguinte, chegou ao Canal Brasil nesta sexta-feira (19), às 22h30. O longa-metragem, dirigido por Daniel Filho, remonta a trajetória do médium mineiro, da infância à velhice (interpretado por Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier). No elenco, Cássia Kis, Christiane Torloni, Giovanna Antonelli, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Pedro Paulo Rangel e Tony Ramos.

Ligo

“Malhação – Toda Forma de Amar” e seu elenco adulto. Não só pela volta de Paloma Duarte, uma das atrizes mais brilhantes de sua geração, ao vídeo, como também por Mariana Santos, destaque de “Pega Pega” (2017), agora Carla, mãe de Thiago (Danilo Maia) e Raíssa (Dora de Assis), tia da protagonista Rita. Ainda, Olívia Araújo, a Cesária de “O Tempo Não Para”, já muito bem colocada como Vânia, que mantém uma relação conturbada com a filha, Jaqueline (Gabz). E Júlio Machado, vilão em “Velho Chico” (2016) e “Os Dias Eram Assim” (2017), aqui como o “homem da lei” Marco Rodrigo, também pai de uma adolescente, Anjinha (Caroline Dallarosa).

Desligo

“Verão 90”. Exaltada, desde a pré-produção, por reverenciar os anos 1990, a novela das 19h não faz nada além de embalar em um “quase nada” de nostalgia a sua trama sem rumo. Não há personagens “vivendo” a década em questão, exceto por um ou outro passo de lambada de Dandara (Dandara Mariana), objetos de cena e carros. A narrativa episódica não incomoda, mas é fato que não há ali história para contar. Pena. As autoras, Izabel de Oliveira e Paula Amaral, responderam por “Cheias de Charme” (2012) – como titular (ao lado de Filipe Miguez) e colaboradora, respectivamente –, folhetim muito bem conectado com seu tempo, especialmente no cenário musical, da explosão de ritmos e fenômenos nascidos na web, habilmente reconstruído na ficção. Em “Verão 90”, não há nem enredo, nem conexão com os 90s.

 

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