Dono da Band
João Carlos Saad, dono da Band, causou polêmica na web com opinião sobre a Lava-Jato (Imagem: Reprodução / YouTube)

O presidente do grupo Bandeirantes, dono da Band, João Carlos Saad está no centro de uma polêmica envolvendo a Operação Lava-Jato, apontada, meses atrás, como marco do combate à corrupção no Brasil, vista agora com desconfiança – em meio ao vazamento de mensagens envolvendo o hoje Ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro, Sergio Moro, um dos mais notórios promotores envolvidos na investigação que levou nomes como Luiz Inácio Lula da Silva à cadeia.

Em palestra no Fórum Band News na última segunda-feira (17), Saad atribuiu a crise econômica que assola o Brasil à Operação Lava-Jato. “Eu acho que falta um dado importante nessa análise, que é a destruição de grandes empresas nacionais, de setores inteiros que foram destruídos. Então, o combate eu estou de pleno acordo. E óbvio que um juiz de primeira instância tem mais é que fazer isso“, afirmou, mostrando apoiar a investigação.

Cabe às outras instâncias gerar um acordo de leniência que seja definitivo, que seja assinado com um único órgão ou com todos os órgãos, de tal maneira que as empresas continuem suas vidas e não sejam destroçadas, como é que o estamos vendo“, prosseguiu João Carlos Saad, entrando na questão acerca das empresas e da forma como estas foram afetadas pela Lava-Jato, o que acarretou prejuízos financeiros.

Não são só problemas econômicos. A elite que está aqui sentada com o poder judiciário, com o poder legislativo, com a CGU, tem instrumentos pra que se possa resolver isso. Tem instrumentos também, ou podem ser implementados, nós voltarmos como era antigamente: antes de prender uma pessoa investigue, busque provas, comprove aquilo e depois você prende. Senão você vai destruindo carreiras, profissões, nomes, empresas, setores“, continuou.

É como se o gerente de uma fazenda informasse ao responsável que aquele rebanho está com carrapato. E o sujeito, ao invés de combater os carrapatos, matasse o rebanho. É o mais ou menos o que nós fizemos aqui no Brasil. Nenhuma das empresas internacionais que se envolveu nos escândalos da Petrobrás, ou em outros escândalos, foi destruída. Nenhuma delas. […] A empresa a gente devia trata-la quase como os hindus tratam as vacas. Ela é sagrada” defendeu Saad.

O presidente do grupo Bandeirantes exemplificou: “Eu cansei de ver empresas que ganharam licitações, mas estavam envolvidas, aí não sai financiamento pra empresa fazer aquela linha do metrô. A empresa foi prejudicada, os seus acionistas foram, os seus funcionários foram, mas quem mais foi prejudicado foi a dona Maroquinha que mora lá longe, e que leva hoje três, quatro para chegar no seu trabalho. Nós não resolvemos o problema dela“.

Por fim, João Carlos Saad afirmou que empresas como Odebrecht, uma das investigadas pela Operação Lava-Jato, não são “intrinsicamente corrupta“. “Porque não tem uma denúncia da Odebrecht no setor privado? Ela teve que se corromper para lidar com o monopólio público […] Esta doença não veio do setor privado. Ela estava lá no setor público“, concluiu, condenando, mais uma vez, a corrupção na política.

A reprodução das falas de Saad nas redes sociais levaram a tag “Dono do Band” aos TrendingTopics do Twitter. Há opiniões favoráveis e contrárias à de João Carlos: “Dono da Band é o primeiro a perceber que o Brasil está indo para um caminho muito errado. Muitos acordarão quando for tarde demais“, comentou uma. “O Dono da Band diz que a Lava-Jato foi a responsável pelo desastre econômico do país. Lembrem a ele que certos ex-presidentes do Brasil são responsáveis pela crise“, escreveu outro.

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