João Vicente de Castro revela-se uma aposta equivocada para o elenco central de “Espelho da Vida” (Imagem: Divulgação/ TV Globo)

Em tempos de tramas vazias e repetitivas, que parecem ter “preguiça” de ir além dos lugares comuns da já algo desgastada cartilha folhetinesca, alguns suspiros de criatividade e ousadia se fazem mais bem-vindos do que nunca na atmosfera por vezes modorrenta da TV aberta.

A Globo, que já vem fazendo uma boa aposta nesse sentido com “O Tempo Não Para” na faixa das 19h, parece querer dar continuidade à linha “menos do mesmo” com a estreia, na noite desta terça-feira (25), de “Espelho da Vida”, sua mais nova saga das 18h.

Numa história que mistura espiritismo com viagens no tempo e princípios físicos quânticos, numa estrutura narrativa fragmentada, Elizabeth Jhin não faz pouco caso da inteligência da plateia e aposta no novo sem medo de errar ou soar pretensiosa. E o melhor: com qualidade.

O texto da autora mostrou-se afiado na apresentação dos personagens e conflitos desta nova história, o que, aliado a uma direção inspirada, trilha sonora de primeira e elenco equilibrado, garantiu um excelente resultado final nas telas.

Em sua segunda mocinha na Globo, Vitória Strada não quis saber de fazer feio. A atriz começou algo tímida nas primeiras cenas de sua Cris Valência, mas cresceu junto com a personagem ao longo do capítulo e já deixou claro que será um dos grandes destaques da trama. Irene Ravache, Reginaldo Faria, Ana Lúcia Torre e até a estreante em novelas Kéfera Buchmann também chamaram a atenção em suas primeiras aparições.

A exceção, como não poderia deixar de ser, atende pelo nome de João Vicente de Castro. Inexperiente, pouco carismático e dono de uma dicção incômoda, é difícil entender a insistência da direção em apostar nele com tantas opções melhores no mercado, dentro e fora do banco de elenco da Globo.

Este é, porém, o único demérito de Pedro Vasconcellos neste trabalho de estreia como diretor artístico na dramaturgia do canal carioca. Redondo na condução dos atores e das sequências de uma forma geral, ele aproveitou cada oportunidade que teve para mostrar seu potencial, especialmente evidenciado em trechos como o sonho em que Cris/Júlia (Vitória Strada) é perseguida e baleada e a emocionante chegada da protagonista à cidade de Rosa Branca.

Aliás, uma falha do roteiro ter escolhido esse ponto da história para encerrar o primeiro capítulo. Longe de criar expectativa para o que viria dali em diante, deixou a sensação de que a história havia sido apresentada pela metade e de que faltou um mote de verdade ao capítulo. Nada, porém, que deva prejudicar o interesse da audiência na trama, desde que não se perpetue pelos capítulos seguintes.

A estreia de “Espelho da Vida” deixou um bom prospecto para os próximos meses dos fins da tarde da Globo, que, por sinal, já vem de um histórico de ótimos títulos em sequência. A julgar pelo currículo da autora e o que foi apresentado até agora, tudo indica que vem coisa boa – e muito boa – por aí.

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Felipe Brandão é jornalista diplomado pela Faculdade Pitágoras (PR) e atua desde 2010 escrevendo sobre televisão e cinema. Aficionado por entretenimento, com predileção especial pelas novelas – nacionais e estrangeiras -, possui passagens por veículos como as revistas “Conta Mais” e “TV Brasil” e integra desde 2016 a equipe do RD1, nas funções de redator e editor-assistente.

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