O renomado diretor Daniel Filho agitou os bastidores da televisão ao expor publicamente aqueles que ele considera “amigos falsos”.
Em entrevista ao programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, o diretor relembrou a decisão de deixar a Globo no início dos anos 1990 e refletiu sobre os bastidores do poder dentro da emissora.
Aos 88 anos, o veterano da dramaturgia afirmou que queria descobrir quem era longe dos cargos de comando que ocupou durante décadas. “O poder é um lugar muito complexo, que cria muitos amigos falsos e inimigos poderosos”, declarou.
Daniel contou que a decisão surpreendeu muita gente nos bastidores da televisão. Na época, ele ocupava uma posição de destaque e recebia um alto salário na emissora.
“Eu disse: ‘Quero saber quem sou eu sem essa cadeira em que estou sentado’. A cadeira do poder cria uma redoma em torno de você”, afirmou.
Trajetória na Globo
Convidado por Boni para integrar a Globo em 1967, Daniel Filho se tornou um dos nomes mais importantes da dramaturgia da emissora.
Ao longo da carreira, dirigiu novelas marcantes como “Irmãos Coragem”, “Selva de Pedra”, “Pecado Capital”, “O Casarão”, “O Astro” e “Dancin’ Days”.
Em 1991, já como diretor da Central Globo de Produção, decidiu deixar a emissora.
Durante o período fora da empresa, dirigiu e produziu a série “Confissões de Adolescente”, exibida pela TV Cultura entre 1994 e 1996, além de assumir a Superintendência de Operações e Programação da Band.
Daniel voltou à Globo em 1995, mas afirmou que a sensação de frustração permaneceu. Segundo ele, muitos projetos eram preparados por sua equipe, mas acabavam executados por outras pessoas.
“Eu preparava o programa, a ideia, e entregava para outro fazer. É muito frustrante”, declarou.
O diretor afirmou ainda que “Confissões de Adolescente” foi a primeira obra que realmente conseguiu considerar sua. “Na Globo, há muitos programas nos quais meu nome nem aparece nem dizem que eu tenho algo a ver com a produção”, disse.
Daniel Filho deixou a Globo em definitivo em 2015. Além das novelas que marcaram gerações, também assinou minisséries como “Primo Basílio” e “A Vida Como Ela É…”, consolidando seu nome como um dos principais profissionais da história da televisão brasileira.
Maria Clara é jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Passei por redações de jornais produzindo notícias para os portais, fiz gerenciamento de redes e já fui a campo como repórter de rua em emissoras de televisão aberta. Instagram: @clarajordao_
