Exclusivo: Globo estuda exibir Pantanal antes da novela de João Emanuel Carneiro

Pantanal
Cristiana Oliveira (Juma Marruá) em Pantanal; remake de clássico da Manchete pode furar fila das nove na Globo (Imagem: Divulgação / Manchete)

O remake de Pantanal pode furar a fila das 21h na Globo. O projeto liderado por Bruno Luperi e Edmara Barbosa, neto e filha de Benedito Ruy Barbosa, é cotado para substituir Um Lugar ao Sol, de Lícia Manzo, no segundo semestre do ano que vem. Caso tal ideia seja sacramentada, Olho Por Olho, novo trabalho de João Emanuel Carneiro, ficará para os primeiros meses de 2022.

A coluna procurou Silvio de Abreu, diretor do departamento de dramaturgia da Globo, para saber tanto do adiamento de Olho Por Olho, quanto da escalação de Pantanal. Conforme apurado com exclusividade pelo RD1, Rogério Gomes deve assinar a direção artística do remake. João Emanuel Carneiro virá na sequência, permitindo que Gomes tenha tempo para tocar a substituta, a cargo de Glória Perez.

Silvio ainda não respondeu; a matéria será atualizada caso o faça.

Enredo rejeitado pela Globo na década de 1980, por conta dos custos de produção e da complicada logística de gravações, Pantanal ganhou forma na Manchete graças ao acerto de Benedito com o diretor Jayme Monjardim. A novela deu início a um novo tempo na dramaturgia brasileira, apostando alto em externas e tomadas contemplativas.

Em cena, Zé Leôncio (Paulo Gorgulho / Cláudio Marzo), que faz fortuna com a criação de gado ao lado do pai Joventino (também Marzo). Num arroubo de juventude, Leôncio se une à urbana Madeleine (Ingra Liberato / Ittala Nandi). Os desentendimentos afastam o pecuarista do filho Jove (Marcos Winter), criado no Rio de Janeiro. Enquanto isso, Zé Leôncio vive um relacionamento de idas e vindas com a criada Filó (Tânia Alves / Jussara Freire) – que lhe dá outro filho, Tadeu (Marcos Palmeira).

Anos depois, Jove decide unir-se ao pai. É quando ele se encanta por Juma Marruá (Cristiana Oliveira), figura selvagem que, assim como a mãe Maria (Cássia Kis), vira onça quando está em perigo. Outro tipo mítico é o Véio do Rio (Marzo, de novo), que transforma-se em sucuri para proteger a região dos intentos criminosos de gente como o grileiro Tenório (Antonio Petrin).

O êxito de Pantanal abalou a linha de shows da Globo, que chegou a produzir uma novela especialmente para às 21h30, Araponga. E ofuscou a repercussão de Rainha da Sucata, ainda que o título da Manchete não concorresse diretamente com o folhetim global, assinado por Silvio de Abreu. Em live no perfil do Instagram Cenas da Teledramaturgia Brasileira, Edmara Barbosa relevou a intenção de refazer a trama, debatendo questões ambientais e reverenciando os 90 anos do pai.

Antecedentes

Alterações na fila das nove são comuns. Desde que Silvio de Abreu assumiu o setor, a faixa sofreu mudanças em duas ocasiões. Na primeira, entre 2015 e 2016, A Lei do Amor foi adiada, permitindo a exibição de Velho Chico – também do clã Barbosa – após A Regra do Jogo. A intenção foi dar um respiro ao horário, que enfrentava a concorrência de Os Dez Mandamentos na Record, encaixando uma trama rural entre tantos folhetins urbanos.

A segunda se deu em 2019, às vésperas da estreia de Manuela Dias como titular do gênero. Walcyr Carrasco concebeu A Dona do Pedaço para substituir a malsucedida O Sétimo Guardião, de Aguinaldo Silva. Aqui, a emissora buscou revitalizar a audiência, propiciando melhores condições para o lançamento de Amor de Mãe. O mesmo Walcyr assinou O Outro Lado do Paraíso (2017), cobrindo espaço cogitado, a princípio, para O Homem Errado, sinopse engavetada de Duca Rachid e Thelma Guedes.

CONTINUE LENDO →

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.