Fábio de Melo usa Babu, do BBB 2020, para desabafar sobre “irmão” Rodrigo Branco

Fábio de Melo
Fábio de Melo usa Babu para desabafar sobre Rodrigo Branco (Imagens: Reprodução – Instagram / Montagem – RD1)

O padre Fábio de Melo decidiu se pronunciar sobre os comentários considerados racistas do empresário Rodrigo Branco sobre Thelma, do BBB 2020, e a jornalista Maju Coutinho. Em publicação, o religioso publicou um vídeo em que Babu Santana aparece dando uma aula sobre preconceito.

“Não acompanho o jogo [BBB 2020]. Sei pouco sobre os candidatos. Não tô aqui fazendo torcida pra ninguém. Quero apenas, com muita humildade, oferecer meu lugar de fala ao Babú. Em poucos minutos ele nos recordou que precisamos ressignificar o que dizemos. A mim sempre incomodou o simbólico negativo que atribuímos ao conceito de negro. Mas eu quero e preciso evoluir”, declarou o cantor.

Em seguida, Fábio de Melo contou que Rodrigo Branco é um irmão para ele, mas que nem por isso o defenderia. “A sua fala me estarreceu. Eu não costumo colocar meu senso de justiça no bolso para defender os que amo. Quando tive um familiar preso por roubo, eu assumi a defesa de quem foi roubado”, disse ele.

“Rodrigo é um irmão que a vida me deu. Mas não assumo sua defesa. Não compactuo com o que ele disse. Mas não o abandono, pois sei que ele jamais me abandonaria“, acrescentou o padre.

Fábio de Melo seguiu: “Thelma e Maju são duas mulheres grandiosas, mas não o são porque são ‘preta’. São porque são. Mas não podemos negar que o caminho para elas foi muito mais difícil do que para os que nascem sob o ‘vergonhoso e infame privilégio da cor’. A exemplo de Zileide Silva, Glória Maria, Heraldo Pereira e tantos outros, elas nos recordam que seus espaços não lhes foram concedidos por piedade ou correção histórica, mas sim por competência, esforço e capacidade”.

“Eu estou muito triste com o acontecido. E queria que tudo isso nos ensinasse. Pode ser que você também tenha algo a ser corrigido na mentalidade e suas expressões. Apresse-nos. Para que ataques como o do Rodrigo não se repitam. Para que a luz dos pretos nos livre da cegueira de nossa claridade”, completou.

 

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Não acompanho o jogo. Sei pouco sobre os candidatos. Não tô aqui fazendo torcida pra ninguém. Quero apenas, com muita humildade, oferecer meu lugar de fala ao Babú. Em poucos minutos ele nos recordou que precisamos ressignificar o que dizemos. A mim sempre incomodou o simbólico negativo que atribuímos ao conceito de negro. Mas eu quero e preciso evoluir. O que digo influencia o que penso. É neste ciclo que preciso interferir. Há 7 anos eu escrevi um livro intitulado: “o discípulo da madrugada”, a história de um homem que só se encontrava com Jesus sob a proteção das sombras. Foi uma forma de ressignificar a noite. Lá eu disse: “sim, o escuro também me ilumina.” Sei que muitos estão sabendo do episódio de racismo que envolveu meu amigo Rodrigo Branco. Nesta semana, ele proferiu agressões verbais à Thelma, do BBB, e à apresentadora Maju Coutinho. A sua fala me estarreceu. Eu não costumo colocar meu senso de justiça no bolso para defender os que amo. Quando tive um familiar preso por roubo, eu assumi a defesa de quem foi roubado. Rodrigo é um irmão que a vida me deu. Mas não assumo sua defesa. Não compactuo com o que ele disse. Mas não o abandono, pois sei que ele jamais me abandonaria. Hoje, quando assisti a esse vídeo, vi uma oportunidade de tocar no fato, uma vez que tantos sabem de minha proximidade com ele. Babu nos alerta para o racismo da linguagem. Ele tem razão. Precisamos de uma profunda mudança de mentalidade. Thelma e Maju são duas mulheres grandiosas, mas não o são porque são “pretas”. São porque são. Mas não podemos negar que o caminho para elas foi muito mais difícil do que para os que nascem sob o “vergonhoso e infame privilégio da cor.” A exemplo de Zileide Silva, Glória Maria, Heraldo Pereira e tantos outros, elas nos recordam que seus espaços não lhes foram concedidos por piedade ou correção histórica, mas sim por competência, esforço e capacidade. Eu estou muito triste com o acontecido. E queria que tudo isso nos ensinasse. Pode ser que você também tenha algo a ser corrigido na mentalidade e suas expressões. Apresse-nos. Para que ataques como o do Rodrigo não se repitam. Para que a luz dos pretos nos livre da cegueira de nossa claridade.

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Fábio Almeida é jornalista, produtor multimídia e um apaixonado pelo que acontece na televisão. É redator e responsável pela coluna “Do Fundo do Baú”, publicada às quintas-feiras no RD1, com conteúdos marcantes da história da TV brasileira. Está nas redes sociais no @luizfabio_ca e também pode ser através do email luizfabio@rd1audiencia.com

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