A Fazenda 2021 está refém da pressão psicológica e do fantasma do cancelamento

A Fazenda 2021
Erika Schneider, Gui Araújo e Fernanda Medrado são figuras centrais dessa teoria (Imagens: Divulgação – Record / Montagem – RD1)

A Fazenda 2021 teve a maior quantidade de participantes de todos os tempos, com potencial para ter bastante enredo, desde os principais aos secundários, e até mesmo os paralelos. No entanto, tudo se uniu numa única massa, com um reality show preso à pressão psicológica e ao tão temido cancelamento.

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Fernanda Medrado tinha o sonho de entrar na atração rural, mas cedeu à pressão do confinamento e desistiu do programa, inclusive arcando com multas e perda dos prêmios que ganhou.

Pouco antes de sair, foi duramente pressionada por MC Gui sobre a amizade com Dayane Mello, basicamente como um “me ame ou me deixe”. No geral, conseguiram enfiar na cabeça da rapper que ela poderia estar sendo cancelada, após a briga com Rico Melquiades, e a ex-participante deixou o medo tomar conta de sua cabeça e foi impedida de se entregar totalmente ao projeto.

Erika Schneider tinha todos os elementos de uma clássica favorita de reality, mas deu o azar de pegar uma roça junto a Dayane, sua aliada, e assim seu público dividiu votos na roça contra Tiago e ela deu adeus à luta por R$ 1,5 milhão.

A bailarina foi aporrinhada desde o dia que assumiu o cargo de fazendeira até sua eliminação. Absolutamente tudo que era dito por ela já recebia o “veredito” da soberba, quase como um xeque-mate, que a impediam de agir como mulher, ficando engessada com medo da retaliação coletiva, já que o “grupão” estava em maioria absoluta.

Erika também foi refém da falta de raciocínio, com os peões repetindo à exaustão que ela foi muito injusta com Mussunzinho — e outros homens como Erasmo Viana — ao colocar machismo como justificativa de voto, que ela iria pagar, sendo que o próprio público concordou e tirou o ator de jogada. Fora que ninguém enxerga o fato óbvio que 2 contra 1, numa roça, é sempre vantajoso para o sozinho.

Gui Araújo tem agido como o dono da sabedoria, o professor de Deus, ditando o que é certo e o que é errado, quem é digno e quem não é, quem será odiado pelo público e quem não… Altamente manipulador, se mostra como amigo e faz possíveis aliados se sentirem culpados por discordar de sua visão arrogante, já que morde e assopra com maestria. Tem toques de gaslighting.

O ex-MTV comanda um time que se agarrou a pauta do “cancelamento” e usa como arma sempre que pode, como meio de parar ou intimidar um inimigo, causando esse círculo vicioso de censura alheia. Isso aconteceu recentemente numa discussão entre Solange Gomes e Marina Ferrari. No fundo, ninguém se entrega 100% por causa desse fantasma.

O cancelamento pode e certamente vai acontecer com uns e outros, mas algumas peças desse jogo chamado A Fazenda precisam ser descartadas. O cancelamento tem que ser consequência do que acontece no confinamento, e não motivo, medo, causa ou assunto.

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Matheus Henrique Menezes
Oficialmente redator desde 2017. Experiências como editor e social media. Já escrevi sobre famosos, TV, novelas, música, reality show, política e pauta LGBTI+. Vídeos complementares no YouTube, no canal Benzatheus.
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