Há 20 anos, Silvio Santos desfilava na Globo e batia recorde de audiência no Carnaval carioca

Silvio Santos
Silvio Santos em desfile da escola de samba Tradição no Carnaval do Rio de Janeiro em 2001 (Imagem: Agência O Globo)

“Ô abre alas que eu quero passar” é uma tradicional marchinha de Carnaval cantada pelo apresentador Silvio Santos em seus programas de auditório. O comunicador, por conta de sua história, teve sua trajetória contada na avenida, durante o desfile da G.R.E.S. Tradição.

Há exatos 20 anos, durante o Carnaval de 2001, o apresentador deu as caras na tela da Globo, que transmitia a folia carioca na Sapucaí ao vivo, para todo o Brasil. Durante os 80 minutos de desfile, a Globo teve que mostrar todo o elenco do SBT, seu concorrente histórico, desfilando pelos carros alegóricos na avenida.

Mesmo fazendo grande propaganda para o concorrente, quem se deu bem foi a própria Globo, que viu seus índices de audiência baterem recordes.

Muitos nomes do SBT marcaram presença na concorrência, como Gugu Liberato (1959-2019), Hebe Camargo (1929-2012), Carla Perez, Ratinho, Babi Xavier, Fabiana Andrade, Adriana Bombom, Jackeline Petkovic, Moacyr Franco e Ronald Golias (1929-2005).

Com o enredo Hoje É Domingo, É Alegria. Vamos Sorrir e Cantar!, de Lourenço e Adalto Magalha, o desfile abriu a avenida com o carro abre-alas mostrando O Baú da Felicidade. Os demais trouxeram a Grécia, onde os pais de Senor Abravanel se casaram. As demais passagens do apresentador do SBT, como a atuação como camelô, até chegar ao posto de um dos principais nomes da história da comunicação e da televisão brasileira, também tiveram destaque.

Os programas que tiveram a apresentação de Silvio Santos também foram retratados no desfile. Troféu Imprensa, Namoro na TV, Show do Milhão e Domingo no Parque foram algumas das atrações que entraram na avenida para refrescar a memória dos foliões.

Homenagem ao rei da TV

Meses antes de entrar na avenida, a Tradição decidiu que homenagearia Silvio Santos com o enredo narrando sua história de vida profissional. “A ideia de homenagear o dono do SBT partiu do publicitário paulista Wagner Jacopetti. Desde 1997, ele vinha negociando com Cintia Abravanel, filha de Silvio Santos. Em abril deste ano, finalmente ele autorizou o enredo”, trouxe o jornal Folha de S. Paulo, em 12 de julho de 2000.

Silvio Santos, porém, disse que não daria qualquer patrocínio à escola de samba e sequer deixou claro se participaria do desfile. A dúvida permaneceu até minutos antes do desfile começar, com Silvio Santos entrando na Sapucaí. A presença do animador dividiu as atenções do público.

Houve especulação por parte da imprensa se a Globo exibiria, ou não, o desfile da Tradição por conta do enredo escolhido. De acordo com informações da época, a Globo estenderia o Fantástico para evitar transmitir o desfile para todo o Brasil. A emissora só mostraria o desfile para a cidade do Rio de Janeiro. A confusão, no entanto, foi encerrada após um comunicado da emissora.

“As agremiações têm liberdade de escolha de seus enredos, e a emissora não vai prestigiar ou discriminar nenhuma escola por causa de um tema específico”, informou o jornal O Estado de S. Paulo em 12 de fevereiro de 2001.

Antes do começo do desfile, a Tradição distribuiu ao público camisetas, pequenos aviões de papel e aproximadamente 40 mil máscaras de Silvio Santos.

Guerra de logotipos

Outra polêmica que se deu à época foi que o logotipo do SBT não foi visto na avenida. Quem destacou o fato foi o jornal O Estado de S. Paulo, em 4 de fevereiro de 2001. “Uma das razões é evitar possíveis atritos com a Globo, responsável pela transmissão do evento”, dizia o texto do informativo.

Orlando Júnior, carnavalesco da Tradição, também explicou a ausência da marca do canal de Silvio Santos nos carros alegóricos. “Mostrar o símbolo significaria fazer propaganda do SBT. Nós estamos contando a história do Silvio Santos, e não da emissora. Não vem ao caso exibir a marca”, falou o sambista. “Se carregássemos o logotipo, poderíamos ter problemas não só com a Globo. Mas isso não vem ao caso”, complementou.

Todas essas polêmicas se deram pelo fato de que semanas antes, em 18 de janeiro, os canais tiveram um atrito por causa da Copa João Havelange. Na ocasião, Vasco e São Caetano disputavam a final do campeonato, mas por conta da aqueda de um alambrado, a disputa teve que ser adiada. No segundo jogo, o Vasco entrou em campo, pela Globo, com a logomarca do SBT na camisa. O fato se deu porque Eurico Miranda (1944-2019), dirigente do time carioca à época, era um fiel antagonista do canal carioca.

Audiência nas alturas

Mesmo exibindo, praticamente, a grade de programação do SBT inteira, a Globo não saiu perdendo pela propaganda. Com Silvio Santos em cena para todo o Brasil, a emissora viu seus índices disparem naquele ano.

A emissora bateu 39 pontos de audiência em média e ultrapassou a casa dos 40 pontos de pico.

Em 2001, Silvio Santos foi o homenageado da Tradição no Carnaval (Imagem: Agência O Globo)
Silvio Santos foi o homenageado pela Tradição no Carnaval 2001 (Imagem: Agência O Globo)
Em 2001, Silvio Santos foi o homenageado da Tradição no Carnaval (Imagem: Agência O Globo)
Silvio Santos sobe em carro alegórico (Imagem: Arquivo QUEM)
Gugu Liberato desfilou como destaque em um dos carros alegóricos da agremiação (Imagem: Agência O Globo)

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Reuber DiirrReuber Diirr
Reuber Diirr é formado em jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Com passagens pela Record News ES e TV Gazeta (Globo/ES), é apaixonado por televisão e acompanha as coletivas de imprensa com matérias exclusivas em vídeos com os artistas para o RD1. Além disso, produz conteúdo multimídia com as principais informações dos famosos para o Instagram, Twitter, Facebook e Youtube do RD1. Acompanhe os eventos com famosos clique aqui!
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