Jornalismo da Record é denunciado por “fake news” envolvendo Covid-19

Record
Jornalismo da TV Vitória, afiliada da Record, é denunciado por “fake news” envolvendo Covid-19 (Imagem: Reprodução / Facebook)

A equipe da Record do Espírito Santo, por meio da TV Vitória, afiliada capixaba da emissora, viu seu jornalismo envolvido em uma polêmica nesta semana por conta da cobertura de mortes pela Covid-19.

Ocorre que uma equipe da emissora fez uma reportagem especial para mostrar o dia a dia do trabalho dos coveiros, no último dia 30, mas um vídeo começou a circular nas redes sociais insinuando que os profissionais do Jornalismo estariam forjando enterros e simulando o aumento de mortes pela doença.

A situação teve o ápice após a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) compartilhar as imagens e acusar os jornalistas de forjarem enterros.

A repórter Marla Bermudes, que comandava a matéria, chegou a ser hostilizada nas redes sociais com críticas pessoais e acusações de produzir fake news. “Eu e o cinegrafista Wilian O’Brien estávamos fazendo imagens para explicar o trabalho do coveiro e as atividades que eles exercem. A reportagem teve o objetivo de homenagear o trabalho desses profissionais e não de fingir que a coveira em questão estaria simulando a abertura de uma cova ou fingindo que estava enterrando alguém. A cova estava aberta e não a pedido da nossa equipe. Esse já é um procedimento do cemitério. As imagens mostradas no momento exato que ela está jogando terra, eram imagens de apoio para ilustrar as atividades que ela exerce no dia a dia“, explicou.

Saí da redação com uma missão: mostrar o dia a dia e o trabalho dos coveiros e coveiras. Uma profissão, inclusive, muito desvalorizada. Pessoas que trabalham o dia inteiro sob risco, na linha de frente, e que muitas vezes arriscam a própria vida por conta da profissão. Jamais sairia da minha casa para filmar e simular um enterro“, reforçou Marla, ao explicar que ela e o cinegrafista saíram com o intuito de contar sobre as dificuldades dos profissionais do cemitério. A jornalista prosseguiu:

Sou jornalista, mãe, mulher, e me senti muito desrespeitada por esses vídeos, além de ter sido agredida, ameaçada e xingada, assim como meu colega de profissão, o repórter cinematográfico Wilian O’Brien. Então, por favor, quando encontrar uma equipe de reportagem na rua e quiser nos filmar, venha até nós, pergunte o que é e por que estamos fazendo aquilo! Não crie e espalhe mentiras“.

A TV Vitória, por sua vez, emitiu um comunicado informando sobre a elucidação da reportagem. De acordo com o veículo de informação, duas agências responsáveis pela verificação da veracidade da notícia ressaltaram o compromisso com a verdade e não a produção de conteúdo falso.

De acordo com a emissora, as agências Lupa e Aos Fatos verificaram as imagens e descartaram qualquer tentativa de fraude na matéria. Segundo as agências, a reportagem da TV Vitória servia para mostrar a situação de trabalho dos coveiros nos cemitérios diante do enterro de pessoas mortas pela Covid-19.

Não é verdade que um vídeo que circula nas redes sociais mostre que coveiros do Cemitério de Barra do Jucu, em Vila Velha (ES), fizeram um enterro falso de uma vítima de Covid-19 a pedido de uma equipe da TV Vitória, afiliada da Record TV no estado. As cenas que circulam nas postagens de influenciadores bolsonaristas, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), mostram o momento em que os jornalistas gravavam imagens de apoio que integrariam uma reportagem sobre o dia-a-dia dos coveiros. A matéria foi ao ar nesta quarta-feira (31) e, em nenhum momento, associa as imagens a um sepultamento real“, traz a agência Aos Fatos sobre a gravação.

A gravação de imagens de apoio é um procedimento de praxe no jornalismo televisivo e serve para dar pano de fundo às informações reproduzidas na reportagem. Neste caso específico, elas foram utilizadas para mostrar parte da rotina dos coveiros, que inclui abrir covas para sepultamento. Foram exibidas ainda imagens de uma profissional do cemitério lavando as mãos e executando outros procedimentos do dia-a-dia“.

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo que circula pelo WhatsApp não ‘inventa um enterro’ para desinformar pessoas sobre a gravidade da pandemia da Covid-19. Na realidade, a gravação mostra a produção de uma reportagem especial da TV Vitória, uma afiliada da Rede Record, que falou sobre a rotina de trabalho dos coveiros. Em nenhum momento essa equipe estava simulando um enterro de uma pessoa que morreu com a doença“, traz a agência Lupa.

Para ilustrar, os cinegrafistas captaram diversas imagens de apoio que mostram a coveira realizando ações diárias, como lavar as mãos e tirar o equipamento de proteção. Esse é um procedimento comum realizado por equipes de televisão para contar melhor uma história. A repórter Marla Bermudes afirma que, quando chegaram ao cemitério, cinco covas já estavam abertas e a coveira mostrou para a equipe como era o movimento que ela realizava diariamente para enterrar os corpos“.

Confira:

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