Marcílio Moraes: “Não vejo nenhuma novela abordar a realidade que estamos vivendo”

Marcílio Moraes
Marcílio Moraes não vê realidade política nas novelas de hoje; autor respondeu por Roda de Fogo, próxima estreia do Globoplay (Imagem: Divulgação / Marcílio Moraes)

Diante da repercussão da entrevista de Marcílio Moraes sobre uma possível nova versão de Roda de Fogo (1986), a coluna Curto-Circuito voltou a conversar com o autor, desta vez para questionar porque nenhuma emissora aceitaria produzir um remake da trama que discutiu a busca pelo poder do Brasil pós-Ditadura Militar.

Não vejo nenhuma novela ou mesmo série abordar a realidade brasileira imediata, a que estamos vivendo. Roda de Fogo foi feita em 1986. A ditadura, formalmente, tinha acabado um ano antes. Todo o aparato de poder dos governos militares ainda estava instalado, a censura ainda existia. Roda de Fogo abordou diretamente essas questões. Não vejo nenhuma novela hoje falar da Lava Jato, do Mensalão, da ideologia tradicionalista, que inspira o governo Bolsonaro“, analisou Marcílio.

O autor lembrou que nenhuma produção da atualidade ousou em abordar questões como flerte do presidente Jair Bolsonaro com a volta do autoritarismo. “Em 86, estávamos saindo dos governos dos generais e tinha um general na novela, ainda que de pijama. Agora, setores pedem a volta dos generais, mas não tem nenhum general nas novelas ou séries, com ou sem pijama… (risos)”, completou.

Estratégia em Portugal

Com estreia marcada para o próximo domingo (25), a terceira temporada do Canta Comigo só será transmitida em Portugal no dia 2 de maio, às 19h30, pela Record Europa. A estratégia da emissora é antecipar a exibição da versão local do programa do país, All Together Now, grande sucesso de audiência do canal local TVI. A atração portuguesa também estreará sua nova temporada neste dia, só que às 23h.

Falando nisso

Ricardo Pereira
Ricardo Pereira (Romeu) em Amor Amor; novela rende liderança de audiência para a SIC (Imagem: Ana Bento / SIC)

Novela com rostos conhecidos dos brasileiros, como Ricardo Pereira, Pedro Carvalho, Paulo Rocha e Maria João Bastos, Amor Amor tem garantido a liderança de audiência para a SIC. A novela de Ana Casaca – em sua primeira empreitada como titular – coloca a emissora portuguesa à frente de sua principal concorrente, a TVI, que apresenta Bem Me Quer, estrelada por outra figurinha famosa por aqui: José Condessa, o Juan de Salve-se Quem Puder.

Já a Globo Portugal vem privilegiando títulos “esquecidos” no Brasil. Após resgatar Sabor da Paixão (2002), trama de Ana Maria Moretzsohn que passou em brancas nuvens pela faixa das 18h, o canal agora aposta em Um Anjo Caiu do Céu (2001), comédia sentimental de Antonio Calmon para às 19h – com estreia prevista para maio, 19h40. A coluna torce para que as duas obras sejam disponibilizadas para o público daqui em breve, via Canal Viva ou Globoplay.

Adaptação

A contextualização de Da Cor do Pecado (2004) no Viva, com direito a um texto de alerta justificando os costumes e comportamentos do ano de realização da trama, influenciou até o pôster da novela no Globoplay. As cores usadas para ilustrar o controverso título da trama, com direito aos seios de mulher negra ao fundo, sumiram. A plataforma optou por uma versão em preto e branco.

Duh Secco e Luiz Fábio Almeida
A coluna Curto-Circuito é assinada por Duh Secco e Luiz Fábio Almeida, editores-assistentes do RD1 e reúne, de terça a sábado, logo cedinho, o que é e vai virar notícia nas próximas horas envolvendo os movimentados bastidores da TV.
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