Nany People usa o cinema para promover aceitação LGBT+ e exalta sua transexualidade

Nany People
Nany People usa o cinema para promover aceitação LGBT+ e exalta sua transexualidade (Imagem: Reprodução / Instagram)

Nany People estreia quinta-feira (10) nos cinemas a comédia Quem Vai Ficar com Mario?, onde interpreta a matriarca de uma equipe de teatro que dá força para um dos atores a assumir a própria sexualidade. Isso relembra uma história pessoal: a da sua transição de gênero, um grande avanço em sua vida.

Em entrevista à revista Marie Claire, a atriz concluiu que a arte faz as pessoas olharem para si e, no novo longa-metragem, tem a esperança que inspirará reflexões no público ao colocar personagens LGBTs como protagonistas, focando no humor e esquecendo o lado sofrido.

O filme traz Mário, interpretado por Daniel Rocha, na missão de revelar que é gay para o pai conservador, homofóbico e machista. Nany balanceou esse dilema comum, com a importância das famílias:

Minha geração saía de casa para mostrar que era capaz, e muitos aproveitavam para assumir uma condição que não era aceita e riscava a família de sua vida. O filme mostra a importância e a necessidade de não anular ninguém. A família pode ser feliz, cada um como é”.

O filme será lançado no âmbito comercial, mesmo com restrições na maioria das salas de cinema, por causa da pandemia da Covid-19. A veterana ressaltou a importância da dramaturgia na luta contra todo tipo de preconceito e discriminação:

O público sempre esteve pronto para assistir histórias LGBTs. As famílias sempre tiveram pessoas LGBTs em casa. Mas existe um pequeno grupo que acha que pode determinar o que a massa pode e não pode ver. A massa vê e convive com tudo. Tive o privilégio de ter uma mãe que me blindou, me empoderou e me encorajou, mas vivo no país que mais mata LGBTs no mundo”.

Nany People enxergou com otimismo a entrada dos LGBTQI+ na mídia e aposta que eles devem — e vão — não se limitar apenas ao próprio nicho, e se ampliar para o público em geral:

Hoje estamos com metade do jogo ganho. Nas campanhas, por exemplo, já existe um mercado engajado, mas vivemos essa atmosfera polarizada, então temos a outra metade, que é contra. Eu digo para abrirmos janelas, para que vejam nossa sobrevivência. É preciso mudar o conceito do que é a família, se desapegar de ser isso ou aquilo

Por fim, a artista contou que palestra a favor da autoaceitação e do acolhimento coletivo — inclusive no ambiente corporativo — e que se descobrir uma mulher sexual foi uma glória:

Eu faço palestras em empresas que estão incentivando seus funcionários a mostrar sua real natureza. Pra mim, me descobrir trans foi solução, não problema. Problema foi retardar isso até os 22 anos, porque não tinha nome o que eu era. Dizem que fiz história, mas eu estava sobrevivendo. Tive coragem de ser feliz sendo quem eu era, e foi a arte que me deu essa coragem”.

Confira:

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