A novela completa 70 anos; gênero ainda tem muitas histórias para contar

Novela
Oswaldo Louzada (Leopoldo) e Flora (Carmem Silva) em Mulheres Apaixonadas; debates da ficção repercutiram na realidade nestes 70 anos de novela (Imagem: João Miguel Júnior / Globo)

O dia é todo dela! A novela brasileira completa 70 anos nesta terça-feira (21). Quantas mudanças o gênero e o Brasil passaram, do primeiro capítulo de Sua Vida me Pertence, ao vivo, ao episódio de ontem (20) de Quanto Mais Vida, Melhor!, a estreia mais recente, toda gravada em meio aos protocolos de proteção contra a Covid-19. A novela entrou para o cotidiano do público, permaneceu no topo do pódio da TV brasileira e segue fazendo história.

Em sete décadas, os folhetins foram dos romances impossíveis às discussões sobre o desquite. Escalada (1975), de Lauro César Muniz, precipitou a aprovação da Lei do Divórcio, assim como Mulheres Apaixonadas (2003), de Manoel Carlos, influiu no Estatuto do Idoso. O brasileiro viu na tela da TV tudo o que debatia na mesa do jantar: os modismos, os planos econômicos, a honestidade, a liberdade sexual, a barriga de aluguel, a doação de órgãos, a reforma agrária, a representatividade LGBTQIA+…

A novela, afinal, nada mais é do que a observação da realidade e dos tipos, tão ricos, que povoam nosso dia a dia. Do bicão Beto Rockfeller (Luís Gustavo), da novela homônima (1968), ao taxista Carlão (Francisco Cuoco / Eduardo Moscovis), atormentado pelas necessidades que o levam a gastar o dinheiro de um assalto esquecido no banco do seu carro em Pecado Capital (1975 / 1998). E das mães e dos filhos, dos ambiciosos aos ingratos, dos mocinhos aos vilões…

O gênero que pautou até os horários dos brasileiros – quem nunca deixou para sair após a novela das oito? – agora pode ser visto a qualquer momento. A novela está disponível no streaming (e nos sites piratas). A audiência pulverizou. O êxito não se mede mais apenas pelos números. Em meio a tantas reinvenções, a dramaturgia mantém sua trajetória de consonância com o público. Um espelho que deve seguir refletindo e encantando quem aprecia por muitos e muitos anos.

Nota 10 para Gilberto Braga – Meu Nome é Novela e Malu Mader

Malu Mader
Malu Mader em entrevista à série documental Gilberto Braga – Meu Nome é Novela; produção está disponível no Globoplay (Imagem: Reprodução / Globoplay)

O Globoplay lançou ontem (20) a série documental Gilberto Braga – Meu Nome é Novela, com roteiro de Lalo Homrich, pesquisa de imagem de Diego Erlacher e direção geral de Antônia Prado. Ótima pedida para quem aprecia a história da TV. Cabe atenção especial para os depoimentos de Malu Mader, uma das parceiras mais frequentes de Giba. Malu revela bastidores de clássicos como Celebridade (2003), analisa a rejeição de O Dono do Mundo (1991) e confirma as afinidades entre ela e o autor, que acompanhamos tanto no vídeo quanto fora dele.

Aliás…

Próxima série documental do Globoplay, O Canto Livre de Nara Leão estreia no dia 7. A trajetória da cantora será revisitada através de depoimentos, imagens de arquivo e música. Os cinco episódios contam com direção de Renato Terra, produção de Anelise Franco, produção musical de Dé Palmeira, montagem de Jordana Berg, pesquisa de pauta de Ricardo Calazans e pesquisa de imagem de Ferdinando Dantas, Julia Schnoor e Priscila Serejo.

Para ver e rever

O Canal Viva informa que o capítulo de Páginas da Vida (2006) que sofreu problemas técnicos, no último dia 16, está disponível no Globoplay e no VIVA Play. Na TV, o episódio em questão – no qual Nanda (Fernanda Vasconcellos) entra em trabalho de parto após um acidente – foi reposto no último domingo (19), durante a maratona da obra de Manoel Carlos.

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Duh Secco
Duh Secco é  "telemaníaco" desde criancinha. Em 2014, criou o blog Vivo no Viva, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.
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