O dia em que Lulu Santos ficou “p da vida” e sobrou até para sertanejos

Lulu Santos
Em 1992, Lulu Santos soltou o verbo no Domingão do Faustão (Imagem: Reprodução/ Globo)

Lulu Santos sempre deu o que falar com seus desabafos na televisão. No entanto, poucos ficaram tão marcados como o que ele soltou, ao vivo, em pleno Domingão do Faustão ao falar sobre política. É este momento que vamos retirar Do Fundo do Baú nesta quinta (27).

Em 1992, o artista foi convidado de Fausto Silva e acabou deixando o apresentador sem palavras ao falar sobre política. O assunto acabou se estendendo e sobrou até para a música sertaneja, que, na época, estava estourada nas principais rádios.

Tudo começou quando Lulu foi questionado pelo apresentador se “o presidente [Fernando Collor] deve ficar ou deve sair”. Faustão se referiu ao momento em que o presidente brasileiro da época sofria um processo de impeachment.

O artista, então, tentou fugir do tema em alta no Brasil e começou a discursar sobre a disputa pela presidência americana, entre George W. Bush – que, para ele, era um político “conservador, moralista e hediondo” -, e Bill Clinton.

Em seguida, no entanto, desabafou sobre os brasileiros e, visivelmente irritado, chegou a pedir para o público ouvi-lo ao invés de aplaudi-lo. “Um instante, eu não falei nada especial ainda”, disparou ele, enquanto o público o elogiava.

“A última vez que eu estive aqui nesse programa, era um dia antes das eleições, e eu manifestei a minha vontade eleitoral”, começou ele, que entoou o jingle do ex-presidente Lula, da época.

Lulu Santos acrescentou: “Nem todo o Brasil correspondeu a essa coisa progressista que o Rio de Janeiro tem e acabou o país investindo na caretice de achar que aquele rapaz com aparência dita bonitinha, por causa da gravatinha, ia trazer benefícios para o país. Foi caretice da parte da gente. Infelizmente o povo brasileiro tendeu para o outro lado”.

“Eu sempre percebi que isso ia acabar mal. E outra coisa, a gente fez duas escolhas naquela época. Eu lembro bem que saía no jornal que o atual presidente dizia que, quando chegasse ao poder, ele iria instituir o que ele chamava de ministério da vingança”, disse o artista, que, então, começou a citar a música sertaneja.

“Naquela época, os artista que são da minha geração, como Lobão, Paralamas, Legião e as pessoas do rock, não deram apoio à candidatura desse presidente. Quem deu apoio são pessoas filiadas ao que se chama de música sertaneja, que eu chamo de música ‘breganeja’. Eu tenho pavor desse tipo de música, embora eu ache que existe espaço para tudo que for desejado pelo público. Só queria lembrar que houve quem desejasse o Fernando Collor e essa música sertaneja. Eu acho que a música sertaneja foi a trilha sonora dessa administração. Eu gostaria que uma fosse embora junto com a outra”, concluiu ele.

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Fábio Almeida é jornalista, produtor multimídia e um apaixonado pelo que acontece na televisão. É redator e responsável pela coluna “Do Fundo do Baú”, publicada às quintas-feiras no RD1, com conteúdos marcantes da história da TV brasileira. Está nas redes sociais no @luizfabio_ca e também pode ser através do email luizfabio@rd1audiencia.com