Parceiros em Vale Tudo, Aguinaldo Silva faz bela homenagem a Gilberto Braga

Aguinaldo Silva
Aguinaldo Silva faz texto em homenagem a Gilberto Braga (Imagem: Reprodução – Globo / Montagem – RD1)

Aguinaldo Silva compartilhou um texto em homenagem a Gilberto Braga, morto na última terça-feira (26), aos 75 anos, por complicações de uma infecção sistêmica, no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. Parceiros em Vale Tudo (1988), o autor de Império (2014) rasgou elogios ao colega.

Silva disse que viu Braga pela primeira vez na redação do jornal O Globo, no começo da década de 1970. “Eu trabalhava na editoria de cidade e fora incumbido de esperar o crítico de teatro, que viria fazer a crítica de uma peça qualquer logo após a estreia”, começou.

O veterano contou que ficou de plantão até que “um rapaz mais ou menos” da sua idade apareceu “vestido num smoking elegantíssimo e impecável”:

“‘Quem é?’ – perguntei a um repórter policial de plantão, que me respondeu: ‘É o Gilberto Tumscitz, o crítico de teatro’. Sim, porque então ele ainda não usava o seu segundo sobrenome, que era Braga. Passou a usá-lo anos depois, quando deu seus primeiros passos na profissão em que se tornaria um craque: o de roteirista – e grande novelista – de televisão”.

Aguinaldo seguiu com a história: “Não sei se já então ele pensava em seguir por este caminho – acho que sim. Quanto a mim, que adorava minha profissão de jornalista, ir parar na tevê era coisa que nunca me passou pela cabeça. Mas o fato é que nós dois chegamos lá, Gilberto primeiro – e com grande sucesso – e eu, meio que empurrado por Leopoldo Serran, Boni e Daniel Filho”.

O famoso lembrou da parceria com Gilberto Braga e Leonor Bassères na criação de Vale Tudo. A foto exposta por ele na publicação foi tirada naquela época, na casa do amigo, no bairro do Flamengo.

O último encontro

“Já a última vez que vi Gilberto Tumscitz Braga pessoalmente foi no começo deste século que agora loucamente transcorre. No Teatro Municipal, no intervalo de mais uma La Traviatta, ainda com o Amami, Alfredo a ecoar nos meus ouvidos, fui correndo fazer xixi e lá o encontro fazendo o mesmo”, recordou.

“Ao me ver, ele disparou: ‘Como é difícil ser seu amigo, hem?’. Enquanto me colocava ao seu lado no assim chamado mictório perguntei [o] porquê e ele respondeu: ‘Some durante anos e nem sequer manda notícias!'”, reclamou.

Depois do encontro inesperado, os dois tomaram uma taça de champanhe no bar do teatro, o Assyrius, e por lá falaram sobre novelas. Com o sinal do teatro, os dois se despediram. Gilberto pediu: “Não suma de novo, vamos nos ver logo!”. Foi a última vez que os dois se viram.

“Hoje de manhã, nessa Lisboa enevoada, acordo com a notícia: ele se foi, ainda jovem para nossos parâmetros – seis dias antes de completar 76 anos”, lamentou Aguinaldo Silva.

“Eu teria mil histórias para contar sobre essa nossa amizade à distância ou, segundo ele, difícil. E também diria que o fato de nos vermos tão raramente se deveu apenas ao que chamo de minha esquisitice”, entregou.

“Sou um sujeito que gosta de ficar no seu canto, com seus escritos, seus filmes e seus livros. E o Gilberto era um gentleman, um cavalheiro no sentido mais puro da palavra e também um homem do mundo”, resumiu.

“Em suma: uma figura cada vez mais rara nesses nossos dias em que se tornou uma virtude ser insultuoso, curto e grosso”, definiu. “Sempre à distância vou sentir falta da sua fina ironia, do seu profundo amor pelo próximo que ele tentava esconder, mas não conseguia. Com Gilberto Braga vai-se um protagonista de primeira linha da história da televisão brasileira… Mas para sempre ficará sua obra”, finalizou.

Confira:

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Paulo Carvalho
Paulo Carvalho acompanha o mundo da TV desde 2009. Radialista formado e jornalista por profissão, há cinco anos escreve para sites. Está no RD1 como repórter. Pode ser encontrado nas redes sociais no @pcsilvaTV ou pelo email [email protected].
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