
Uma pergunta feita no Show do Milhão acabou entrando para a história da TV brasileira e também da Justiça. O caso envolveu a participante Ana Lúcia Serbeto de Freitas Matos, que chegou à pergunta final do programa apresentado por Silvio Santos, no SBT.
Na ocasião, ela já havia acumulado R$ 500 mil e poderia tentar responder à questão que valia R$ 1 milhão em barras de ouro. No entanto, a dúvida apresentada acabou gerando uma longa disputa judicial.
Participante do Show do Milhão parou antes do prêmio máximo
Ana Lúcia participou do programa em junho de 2000 e chegou à última etapa da atração. Como acontecia no formato, ela precisava decidir se arriscaria tudo na pergunta final ou se pararia com o valor já conquistado.
Caso respondesse corretamente, levaria o prêmio máximo. Porém, se errasse, ficaria com um valor muito menor. Diante da pergunta apresentada, a participante decidiu não arriscar e saiu do palco com os R$ 500 mil acumulados.
A polêmica começou depois, quando ela questionou a validade da pergunta. O entendimento foi de que a questão não tinha uma alternativa correta clara, o que teria tirado dela a chance real de disputar o prêmio de R$ 1 milhão.
Pergunta sobre Constituição virou disputa judicial
A questão envolvia direitos indígenas previstos na Constituição Federal. O programa perguntava qual percentual do território brasileiro era reconhecido pela Constituição como direito dos povos indígenas. As alternativas exibidas eram:
| Alternativa | Resposta |
|---|---|
| A | 22% |
| B | 2% |
| C | 4% |
| D | 10% |
O programa indicava 10% como resposta correta. No entanto, a Constituição não estabelece um percentual fixo do território nacional destinado aos povos indígenas.
O texto constitucional reconhece os direitos originários sobre as terras tradicionalmente ocupadas, mas não define esse direito por meio de porcentagem.
Justiça reconheceu perda de chance no Show do Milhão
Após a participação, Ana Lúcia entrou na Justiça pedindo indenização. O caso ganhou grande repercussão porque envolvia não apenas o valor milionário, mas também a responsabilidade do programa ao formular uma pergunta decisiva.
A discussão chegou ao Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu que houve prejuízo à participante. Porém, o tribunal entendeu que ela não poderia receber automaticamente os R$ 500 mil restantes, já que não havia certeza de que acertaria a pergunta final.
Com isso, a indenização foi fixada em R$ 125 mil, valor referente à perda da chance de tentar disputar corretamente o prêmio máximo.
O caso se tornou um dos episódios mais lembrados do Show do Milhão e marcou a televisão brasileira por transformar uma pergunta de entretenimento em uma decisão histórica na Justiça.
Moysés Batista é editor de conteúdo no FDR, com foco em finanças pessoais, benefícios sociais, políticas públicas e direitos do cidadão. Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atua com foco na produção de conteúdos informativos orientados por dados oficiais e normas do Governo Federal. É responsável por análises e pautação sobre programas sociais, crédito, previdência e consumo, com ênfase em clareza, serviço ao leitor e verificação de informações públicas. E-mail para contato: [email protected]
