Praticante do candomblé, Jéssica Ellen fala sobre intolerância religiosa e desafios da carreira

Amor de Mãe
Jéssica Ellen no ar em Amor de Mãe; atriz fala sobre suas crenças em entrevista (Imagem: João Cotta / Globo)

Jéssica Ellen, sucesso na Globo em Amor de Mãe como intérprete da professora Camila, agora se lança como cantora com o EP intitulado Macumbeira. Ela, que é praticante do candomblé, defende a quebra do preconceito com o termo que dá nome ao seu novo trabalho.

Ser macumbeira é ter esse respeito pelos mais velhos, pela ancestralidade, com a natureza. A natureza é algo essencial para a nossa vida. Tem gente que fala que não gosta muito, mas não é questão de não gostar, você precisa da natureza para respirar, para comer. Você está negando algo que é essencial na sua vida”, disse em entrevista ao programa Trace Trends, do Globoplay.

Ellen complementou defendendo o que acredita ser uma macumbeira: “Para mim é ter toda essa consciência de que a gente faz parte de um todo que é muito maior do que nós“.

Na novela de Manuela Dias, a artista incorporou alguns elementos da sua religião à personagem. Em muitas cenas, ela surgia com um contra egum nos braços, adereço utilizado pelos praticantes de sua crença e também da umbanda para afastar espíritos de baixa vibração que atuam na escuridão.

Além disso, nas redes sociais, ela faz questão de evidenciar a sua religiosidade e com frequência compartilha a sua fé e imagens dos santos que cultua.

Macumbeira é uma palavra que desde criança a gente ouve como algo pejorativo. ‘Ah, chuta que é macumba’. Como assim ‘chuta que é macumba’? Ninguém vai falar assim com o bacalhau da Páscoa, não tem isso. Então foi uma escolha consciente do nome, justamente para ressignificar esse xingamento”, argumentou.

Ainda no bate-papo, Jéssica comentou sobre o desafio profissional que foi atuar em Amor de Mãe. Para ela, foi uma experiência desafiadora e complexa. “Foi a minha estreia no horário das 21h. Eu estava apavorada. ‘Fodeu’, eu pensava. E na verdade não. Contracenar com atores tão generosos, como o Chay Suede, e a Adriana Esteves, que é uma deusa”, apontou.

Elson BarbosaElson Barbosa
Jornalista, encantado pelo entretenimento e pela possibilidade de contar e conhecer várias histórias ao mesmo tempo. Está no RD1 como repórter. Pode ser encontrado nas redes sociais no @ellsonbarbosa
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