A notícia da demissão sempre cai como uma bomba, mas para repórteres veteranos da Globo, o impacto de um desligamento após décadas de dedicação pode vir de formas surpreendentemente distintas.
A sensação de perder o emprego dos sonhos, onde construíram carreiras sólidas, é dolorosa, mas para alguns, pode se tornar um impulso para algo novo e inesperado.
Uma coluna do site Terra investigou como alguns dos rostos conhecidos do jornalismo da emissora encararam o fim de um ciclo.
Graciela Andrade, que esteve quase 25 anos na Globo Minas, confessou estar “bem triste” com sua saída involuntária no início de julho.
Em uma postagem, ela pediu um tempo para “organizar os sentimentos” decorrentes do fim de uma era, mostrando que o luto é uma etapa natural.
Mas nem todos reagem da mesma forma. Lucas Almeida, que ganhou destaque cobrindo o ‘BBB26’ e trabalhou seis anos na TV Bahia, em Salvador, fez questão de mandar um recado claro:
“Não quero que ninguém olhe para mim com pena, nem achando que eu estou sofrendo”. Ele prefere focar no orgulho de sua trajetória.
O que dizem os veteranos sobre o desligamento?
Edney Silvestre, uma voz icônica por 26 anos na emissora, comunicou sua despedida de forma solene, em vídeo, usando terno e gravata, um gesto de reverência aos anos de audiência.
“Eu estou partindo”, anunciou, emocionado, lembrando de momentos marcantes como a cobertura do 11 de Setembro em Nova York.
Cecília Flesch, após 17 anos na GloboNews em um período de alta, relatou ter “ficado em choque” com o desligamento abrupto.
Da mesma forma, Márcia Witczak, com 25 anos de casa na Globo DF, encarou o momento como um “luto, e a gente tem que viver o luto”, sem disfarçar a dificuldade.
Ana Zimmermann, que teve seu vínculo rompido após três décadas na afiliada RPC Paraná, questionou-se: “O que eu fiz de errado?”.
No entanto, ela optou por uma abordagem pragmática e sem vitimismo, afirmando que “Não vou morrer, a vida não vai acabar”.
Já Joyce Guirra, ao fim de 14 anos na Rede Bahia, buscou leveza: “Como é bonito olhar o passado e me orgulhar, ter a convicção de que fiz o meu melhor em cada entrevista, reportagem, ao vivo.”.
Fernando Rêgo Barros, após 31 anos na emissora, divulgou uma carta de agradecimento e, posteriormente, iniciou uma batalha judicial para reivindicar direitos trabalhistas, mantendo a discrição pública.
A resiliência diante da adversidade é um tema recorrente, lembrando a inspiração de Steve Jobs, que foi demitido da própria Apple e retornou para revolucionar o mercado tecnológico.
Maria Clara é jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Passei por redações de jornais produzindo notícias para os portais, fiz gerenciamento de redes e já fui a campo como repórter de rua em emissoras de televisão aberta. Instagram: @clarajordao_
