Um dos galãs de Pantanal, Guito abre o jogo sobre experiência e fala da região

Guito
Guito falou sobre a experiência de gravar Pantanal (Imagem: Divulgação)

Simpático e gente boa, Guito encanta pelo seu jeito simples de ser. Dono de uma fala mansa e sempre com muitos ‘causos’ para contar, o sotaque de mineiro de Lavras fica evidente a cada resposta. Conversador, bom de papo, ele é destaque em Pantanal como peão Tibério, que na primeira versão do folhetim foi vivido por Sérgio Reis.

Cantor, agrônomo e sabendo como ninguém mexer com o mundo dos queijos (produto que matura e vende), ele não esconde que se diverte com o novo ofício, o de dar vida ao peão que é um sucesso em Pantanal. “Meus amigos brincam e dizem que não estou vivendo papel nenhum, e sim que o Tibério sou eu no ar, que não há muita diferença entre nós”, conta Guito para o RD1.

Aos 37 anos e pai de Heitor e Lara, o aventureiro Guito (que já morou em 15 cidades pelo Brasil) trocou a carreira promissora de executivo para ir à procura da felicidade e deu certo.

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Hoje, ele garante que não se arrepende de ter largado tudo para ter em sua companhia a viola, a estrada, o seu carro Rural e muitas canções. “Eu larguei tudo, uma carreira de executivo em que ganhava bem, para voltar para o interior. Peguei o meu carro velho e saí tocando pelo Brasil, e ainda vendendo queijo e cachaça. Não me arrendo, fiz a escolha certa”, garante o novo galã do horário nobre.

Confira a entrevista:

RD1 – Sua vida mudou após a estreia em Pantanal. Como é passar a ser reconhecido pelas ruas?

Guito – Por conta do volume das gravações, ainda estou andando pouco nas ruas. Mas quando ando de metrô, aqui no Rio, um ou outro fala comigo. Acho engraçado, mas é bom demais. E, de verdade, o que mais mudou na minha rotina é que antes eu dormia às 21 horas. Agora passei a me deitar por volta das 23 horas (risos).

Na primeira versão da novela Tibério foi interpretado por Sérgio Reis. Trocou informações com ele?

Não tive contato com ele, que é uma grande referência para mim na música caipira. Cheguei até a mandar uma mensagem para o Sérgio, mas não conseguimos nos falar. Às vezes me perguntam se fiquei com receio da comparação do personagem interpretado por ele e por mim. Eu digo que não. E, inclusive, procurei fazer algo diferente, justamente dar vida ao Tibério de forma diferente da interpretada por ele.

Tibério é de um universo que você domina. Ficou à vontade para dar vida ao personagem?

Com certeza! Fiquei confortável porque o Tibério é muito próximo do que eu sou. Talvez, a gente não seja tão próximo no quesito coração, amor. Fora isso, tanto eu como o Tibério somos bem parecidos. Seja nessa vida na estrada ou como gestor de fazenda, eu tenho muito dele.

Como definiria o Tibério? Você é um bom violeiro como o personagem?

Eu o definiria como um homem sensato, centrado, que busca sempre a paz e evita conflitos. Uma pessoa de muita calma e que pensa lá na frente. Ele carrega uma calma de espírito incrível e bate bem como violeiro. Aliás, eu sou um personagem violeiro, toco violão, viola e gaita. Eu toco ‘um cadinho’ de cada coisa.

Durante os intervalos das gravações de Pantanal tocou alguma moda de viola com Almir Sater?

Eu toco com o Eugênio, interpretado pelo o Almir Sater, que dispensa qualquer comentário em relação à viola. Eu o acompanho no violão. Às vezes, estou com o Trindade, o vivido pelo Gabriel Sater – filho de Almir Sater. Ele toca o violão e eu vou para a viola. Então, a gente fica nesse revezamento. Por sorte o galpão dos peões do José Leôncio (Marcos Palmeira) é recheado de viola. Durante as gravações, cada peão que passava por lá sempre largava uma viola… Mas a minha arte é mais a caneta, tenho várias composições. Quatro canções minha entraram na novela. O Almir é a minha maior referência musical. E tem muita coisa nova vindo por aí, vocês vão se surpreender…

Já conhecia a região do Pantanal? O contato com a natureza trouxe reflexões?

Eu não conhecia o Pantanal. Já viajei bastante pelo Brasil, morei em 15 cidades, e gosto de reparar o relevo, o clima, as transformações do local. Foi muito gostoso ir para o Pantanal. Devido ao porte das fazendas, a atividade é a pecuária. E é difícil entrar outra cultura ali. Foi lindo sobrevoar o Pantanal, que preserva uma cultura de 300 anos. Eu li sobre a colonização da região e fiquei encantado. Ali, o gado encontra um ecossistema perfeito, com água baixa e muita pastagem. A água sobe e o gado se adentra pela mata, e aí forma-se o equilíbrio. Há 300 anos essa é a atividade do Pantanal. Eu já vinha de uma rotina de estrada em cima de uma Rural fazendo shows pelo Brasil. O pôr do sol da região e a presença daqueles animais de grande porte – que a gente não está acostuma da a ver aqui, tudo foi uma experiência incrível.

Como é o Guito fora da TV?

Eu larguei tudo, uma carreira de executivo em que ganhava bem, para voltar para o interior. Peguei o meu carro velho e saí tocando pelo Brasil, e ainda vendendo queijo e cachaça. Não me arrependo, fiz a escolha certa. Sou hiperativo, adoro conversar, gosto da rua, de estar em contato com as pessoas. Pratico muito esporte. Agora que estou morando no Rio tenho aprendido a surfar e já fiz trilha aqui pela cidade. Até golfe fui inventar de aprender (risos). Desde que me propus a ter o controle de tudo o que envolve a minha felicidade, bani o carro da minha vida. Ando só com a Rural, levo os meus filhos para a escola de bicicleta e gosto de comprar e cozinhar o meu próprio alimento. Sou sedento pelo que me faz bem. Adoro ler sobre longevidade.

Além de cantor e ator, você ainda é engenheiro agrônomo…

Sou engenheiro agrônomo e cantor violeiro. Eu não tenho propriedade em Araxá. Isso surgiu lá no começo. Na verdade, a propriedade da minha família fica em Lavras. O que faço é maturar queijos. Compro queijos na Canastra e faço o acabamento. Acrescento o mofo, curo esses queijos e vendo. Parei com a administração da fazenda.

Você é casado e pai de dois filhos. O que eles têm falado sobre a nova profissão do pai?

Eles entendem que o pai trabalha na TV e que isso é uma fase. Outro dia, numa cena em que o José Leôncio perguntava ao Tibério se ele tinha família, o peão respondeu que não, que não era chegado a cabresto. Em casa, o meu filho assistiu essa cena e na hora deu um grito e começou a chorar. A mãe teve que intervir e dizer que aquilo era tudo mentira, que era igual aos desenhos animados que ele via na TV (risos).

Você faz um grande sucesso na novela. Valeu a pena aceitar o desafio de viver o Tibério?

É gratificante viver do meu próprio produto, que são às minhas músicas, canções e os meus shows. E agora representando uma história, a do Tibério. E o bom é poder ver que as pessoas estão gostando disso tudo. Com certeza, está valendo cada momento deste desafio, que é o de viver o Tibério em Pantanal. Estou muito feliz!

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Márcio Gomes
O carioca Márcio Gomes é apaixonado pelo jornalismo, tanto que o escolheu como profissão. Passou por diversas redações, já foi correspondente estrangeiro dos títulos da Editora Impala de Portugal como Nova Gente, Focus, Boa Forma, e editor na revista de BORDO. Escreveu para várias publicações como Elle, Capricho, Manchete, Desfile, Todateen, Shape, Seleções, Agência Estado/Estadão, O Fuxico, UOL, entre outros.
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