5 fatos curiosos sobre o SBT, um jovem de 40 anos

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SBT completa 40 anos recheado de histórias (Imagem: Divulgação / SBT)

O SBT completa nesta quinta-feira, dia 19 de agosto, 40 anos de existência. O maior sonho de Silvio Santos se tornou realidade após uma concorrência do Governo Federal que garantiu a ele a concessão da antiga TVS.

Pela emissora popular passaram grandes nomes do mundo do entretenimento como Hebe Camargo e Gugu Liberato, que garantiu momentos históricos para a TV como o primeiro reality show de confinamento da história, a Casa dos Artistas.

Pensada com base na vontade e gosto do seu dono, o Sistema Brasileiro de Televisão já foi considerado a maior pedra no sapato da Globo, não apenas por causa dos programas de auditório, carro-chefe da programação ao longo das últimas quatro décadas, mas pela estratégia ímpar na divulgação de filmes, novelas e apelo em atrações em geral.

Abaixo você confere uma lista de cinco fatos curiosos sobre a história do SBT:

1) O sonho do patrão

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CDT Anhanguera, sede do SBT em São Paulo (Imagem: Roberto Nemanis / SBT)

Silvio Santos foi criticado nos bastidores da televisão por sua ideia de assumir um canal de televisão e transformá-lo na TV dos seus sonhos. Na época chefão da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, criticou a vontade do apresentador de dirigir-se para a massa.

Para o diretor da concorrente, outras emissoras como Band, Record e a própria Globo tinham um papel fundamental na vida das pessoas e, seguindo o pensamento, o país não precisava de um novo canal na TV aberta falando sobre os mesmos assuntos.

Mesmo em meio aos críticos, Silvio foi em frente e conseguiu por meio de uma concorrência feita pelo Governo Federal a concessão do canal 11 do Rio de Janeiro, a antiga TVS, em 1976.

A inauguração do que hoje é o SBT só aconteceu em 19 de agosto de 1981. Logo no início, Silvio desembolsou 60 milhões de cruzeiros para manter o seu empreendimento de pé.

Atualmente, a sede principal da emissora fica na Rodovia Anhanguera, em Osasco, região metropolitana de São Paulo. Anteriormente, a empresa de comunicação era sediada no antigo Teatro Silvio Santos, na Vila Guilherme, Zona Norte da capital paulista.

2) A casa que fez história

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Casa dos Artistas marcou a TV do Brasil por ser o pioneiro do gênero (Imagem: Reprodução / YouTube)

Uma dos maiores índices de audiência do SBT foi registrado vinte anos após a sua inauguração. Isso aconteceu por causa de uma estratégia ousada de Silvio, que saiu na frente da Globo e estreou o primeiro reality show de confinamento da história da TV brasileira: a Casa dos Artistas.

A final do programa registrou 47 pontos de média e 55 pontos de pico. O resultado foi a liderança isolada e uma vitória nunca antes vista em cima do Fantástico.

Naquele tempo, a Globo havia recém-adquirido os direitos de produção do Big Brother Brasil, da Endemol. A situação saiu da esfera televisiva para a judicial em poucos meses.

A emissora dos Marinho entrou com uma ação pedindo a interrupção do programa, que tirou do Fantástico uma invencibilidade de trinta anos na audiência.

3) A primeira luta

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SBT transmitiu primeira luta do UFC na TV (Imagem: Reprodução / YouTube)

O Ultimate Fighting Championship, que há poucos anos pertenceu à RedeTV! e foi uma febre tão grande que encheu os olhos da Globo, passou como um furacão pelo SBT. A emissora paulista foi a primeira da TV aberta do país que comprou os direitos de exibição de um evento do UFC.

O então chamado UFC 37.5 foi exibido na grade do início dos anos 2000 com destaque para a luta envolvendo um brasileiro: Vitor Belfort. Ele lutou contra Chuck Lidell. O norte-americano venceu por unanimidade na avaliação dos juízes.

Curiosamente, a luta ocorreu semanas após a saída de Belfort da Casa dos Artistas, em 2002. A exibição da primeira luta de UFC na TV foi mais uma estratégia de Silvio na tentativa de surfar na repercussão do reality show.

4) A eterna Coroa da TV

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Hebe Camargo e Silvio Santos no Troféu Imprensa; apresentadores receberam a alcunha de rainha e rei da TV (Imagem: Reprodução / SBT)

Falar de SBT é também lembrar de um dos nomes mais emblemáticos da história da TV: Hebe Camargo. Considerada a eterna rainha da TV, ela e Silvio Santos, o rei, percorreram caminhos opostos na vida artística até que se encontraram em 1986, quando Hebe fechou com o empresário depois de uma saída conturbada da Band.

Conjecturando uma contratação de peso para o seu casting e de olho em novos anunciantes para o SBT, Silvio marcou uma reunião com Hebe e em sua sala questões sobre salário, produção e liberdade de opinião foram discutidas. A dupla assinou um acordo e, de renovação em renovação, a união durou 24 anos.

O casamento foi marcado por vários momentos, sendo vários deles no palco do Teleton. De 1998 até 2011, a coroa da TV se reunia religiosamente para pedir dinheiro para as crianças da AACD.

Em 2010, Hebe saiu do SBT por divergências contratuais. Em 2012, Silvio Santos deu a ordem e a direção começou as tratativas para o retorno da apresentadora, debilitada pelo câncer. Dias depois do “sim”, Hebe faleceu.

5) Lugar de honra

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SBT disputa com a Record a vice-liderança em todo o país (Imagem: Divulgação / SBT)

Desde os seus primeiros passos, o canal se tornou vice-líder nas principais praças do país. Com nomes como Raul Gil, Jô Soares, Carlos Alberto de Nóbrega, Eliana, Celso Portiolli, Mara Maravilha, Carlos Nascimento, Hebe e Gugu, novelas estrangeiras, séries enlatadas como o mexicano Chaves, e Silvio Santos, claro, a emissora se consagrou.

Mesmo com fortes concorrentes como a TV Manchete nos anos 1980 e 1990 e a Record nos últimos 15 anos, o canal é cotidianamente lembrado pelo público.

Em 2008, a emissora viu o posto de vice-líder cair nas mãos da Record. A concorrente se tornou o segundo maior canal do país em meio aos investimentos pesados em jornalismo, novelas e programas de auditório.

Em maio de 2014, o “brinquedo” de Silvio Santos voltou ao lugar de origem. Seis anos depois, a pandemia do coronavírus jogou um balde de água fria no planejamento a longo prazo e, consequentemente, na audiência. Atualmente, o SBT vive uma crise de identidade, criatividade e produção, e ocupa o terceiro lugar na média comercial, atrás de Globo e Record.

Paulo Carvalho
Paulo Carvalho acompanha o mundo da TV desde 2009. Radialista formado e jornalista por profissão, há cinco anos escreve para sites. Está no RD1 como repórter. Pode ser encontrado nas redes sociais no @pcsilvaTV ou pelo email [email protected].
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