Bolsonaro
Rachel Sheherazade foi um dos alvos do governo de Jair Bolsonaro (Imagem: Reprodução – YouTube / Montagem – RD1)

O governo de Jair Bolsonaro, em pouco mais de oito meses, tem colocado um alvo nas costas de vários jornalistas que se mostraram contra as posições do presidente. Críticas construtivas ou não se tornaram argumento para falas polêmicas do Chefe de Estado e dos seus eleitores.

Entre os principais alvos estão jornalistas do SBT, do Grupo Bandeirantes e até do jornal O Estado de S. Paulo. Os bolsonaristas, assim chamados os eleitores de Bolsonaro, despejaram ofensas gratuitas contra Glenn Greenwald, Marco Antonio Villa, Carlos Andreazza, entre outros.

Entre os nomes que mais sofreram com os ataques nos bastidores da política está o de Rachel Sheherazade, que por suas colocações contra o atual governo sofreu represália até da direção do SBT.

Abaixo, você confere uma lista de cinco jornalistas que tiveram as suas vidas abaladas por causa da postura contra o governo federal, que inclui o jornalista Paulo Henrique Amorim, morto em julho.

5) Rachel Sheherazade

Rachel Sheherazade
Rachel Sheherazade é alvo constante dos bolsonaristas (Imagem: Reprodução / SBT)

Rachel Sheherazade sempre foi alvo de quem estivesse no comando do país, desde o PT e agora o PSL de Bolsonaro. A jornalista foi contratada em 2011 por Silvio Santos após suas declarações polêmicas em uma afiliada do SBT no Nordeste.

Crítica ferrenha da política brasileira, Rachel chegou a dar opiniões políticas no “SBT Brasil”, até que as suas falas afetassem o relacionamento entre a emissora e o governo de Dilma Rousseff.

A relação entre Sheherazade e governo não melhorou com a chegada de Bolsonaro ao poder. Desde o início do seu mandato, os eleitores do presidente têm apontado uma metralhadora de ofensas gratuitas contra a famosa. O maior patrocinador do SBT no momento, Luciano Hang, dono da Havan, já sugeriu a demissão de Rachel durante uma onda de demissões no jornalismo do canal.

A sugestão não foi atendida, mas um recado foi dado a ela pela direção da casa: na edição das sextas-feiras do “SBT Brasil”, a apresentadora foi vetada, como represália às suas colocações nas redes sociais e às suas caras e bocas na bancada do telejornal.

4) Carlos Andreazza

Carlos Andreazza
Carlos Andreazza saiu da Jovem Pan após críticas ao governo (Imagem: Reprodução / Twitter)

Carlos Andreazza era um dos nomes promissores da Jovem Pan, que nunca escondeu a sua preferência por um nome da direita como presidente do Brasil. A chegada do político ao Palácio do Planalto atingiu diretamente a postura de Andreazza com seus comentários políticos.

Suas colocações inviabilizaram a sua permanência da emissora paulista e, há algumas semanas, pediu demissão. “Pessoal, chegou a hora de eu deixar a Jovem Pan. Ao longo do último final de semana, conversei com a direção da rádio, apresentei meu pedido e fui liberado. As razões são inteiramente pessoais. Hoje eu me despeço. Foi meu último ‘3 em 1′”, afirmou no Twitter.

O programa “3 em 1”, se tornou o “carro-chefe” da programação da rádio. A atração foi criada pelo jornalista. Horas após o anúncio da sua saída, Carlos Andreazza fechou com a Rádio BandNews FM.

3) Marco Antonio Villa

Marco Antonio Villa
Marco Antonio Villa foi demitido da Jovem Pan (Imagem: Reprodução / Instagram)

Antes de Carlos Andreazza, Marco Antonio Villa foi a primeira vítima da Rádio Jovem Pan durante o governo atual. O professor Villa foi punido por suas colocações políticas contra Jair Bolsonaro com 30 dias longe dos estúdios.

Visto a punição descabida, o jornalista decidiu sair. “Eu decidi que não queri mais voltar para a Pan. Não tinha mais nem condições de voltar a trabalhar lá. Senti que não havia mais clima depois de me darem uma quase punição”, declarou, na época, à revista Veja.

Marco Antonio garantiu que sua postura com o antigo governo não mudou: “Mantive minha análise independente. Da mesma forma que eu critiquei os governos do PT, estou criticando o governo Bolsonaro”.

Sem poder provar a pressão que sofreu pelas suas declarações, o jornalista assinou dias depois com a Rádio Bandeirantes e hoje apresenta o “Primeira Hora”, das 7h às 8h, diariamente.

2) Glenn Greenwald 

Glenn Greenwald
Glenn Greenwald virou alvo de bolsonaristas e do próprio presidente (Imagem: Reprodução / Jovem Pan FM)

As mensagens do ministro Sérgio Moro com Deltan Dallagnol reveladas por Glenn Greenwald colocaram um alvo nas costas do norte-americano. Eleitores do presidente não pouparam críticas contra o jornalista.

Em entrevista, Jair Bolsonaro falou sobre o trabalho que Glenn tem feito no site The Intercept Brasil e surpreendeu colocando a família do jornalista na discussão. Greenwald é casado com o deputado David Miranda (PSOL/RJ) e juntos adotaram duas crianças.

“Eu teria feito um decreto porque quem não presta tem que mandar embora. Tem nada a ver com esse Glenn. Nem se encaixa na portaria o crime que ele está cometendo. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil”, afirmou Bolsonaro.

“Malandro para evitar um problema desse, casa com outro malandro ou adota criança no Brasil. O Glenn não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, declarou o presidente, em coletiva de imprensa.

1) Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim
Paulo Henrique Amorim foi um dos maiores críticos de Bolsonaro (Imagem: Reprodução / Record)

Paulo Henrique Amorim, morto em julho deste ano, aos 76 anos, após um infarto fulminante, foi um dos maiores críticos do novo governo. Suas posições contra a política eram corriqueiras em seu blog pessoal e em vídeos no YouTube.

As críticas duras contra Bolsonaro acabaram em uma represália da Record, onde esteve como um dos principais nomes do jornalismo desde a sua contratação, em 2003.

A saída de Paulo Henrique, de acordo com a Record, não teve nada relacionado ao posicionamento do jornalista contra o governo federal. Segundo a emissora, o afastamento se deu por conta da reformulação no jornalismo promovida pelo novo vice-presidente do setor, Antonio Guerreiro.

Edir Macedo, dono do canal paulista, declarou o seu apoio público ao atual presidente durante as eleições de 2018. O afastamento aconteceu dia 24 de junho, 16 dias antes da sua morte.

A maior fala de PHA contra Bolsonaro foi uma alfinetada. Ironizando o “capitão”, Amorim disparou sobre a ida do político a jogos de futebol. “O Bolsonaro é Palmeiras, Botafogo ou ele é Flamengo? ‘Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer’. Breve!”, disparou o jornalista.

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