A TV de Laços de Família: relembre atrações da Globo na época da novela

Laços de Família
Reynaldo Gianecchini (Edu) e Vera Fischer (Helena) em Laços de Família; novela exibida há 20 anos está em Vale a Pena Ver de Novo (Imagem: Jorge Baumann / Globo)

Nesta segunda-feira (7), Laços de Família voltou à grade da Globo. O título ocupa o Vale a Pena Ver de Novo, faixa pela qual passou há 15 anos. Quem acompanhou a exibição original deste clássico de Manoel Carlos certamente guarda memórias de outras produções exibidas pela emissora no já longínquo 2000.

O período ficou marcado por estreias, como as do Altas Horas com Serginho Groisman, o ‘Caldeirão’ de Luciano Huck e o Programa do Jô – com o canal se curvando ao êxito que o antigo contratado alcançou no ‘Onze e Meia’, talk-show do SBT. A coluna resgata essas e outras curiosidades da grade da Globo entre junho de 2000 e fevereiro de 2001.

Abrindo a programação, o Programa Ecumênico, que trazia representantes de diversas religiões, um a cada dia semana, analisando os dilemas da sociedade de acordo com suas crenças. Logo após, o Telecurso 2000, em três módulos (profissionalizante, 1º e 2º grau). O programa, produzido pela Fundação Roberto Marinho, deixou de ser exibido em 2014, abrindo espaço para o Hora Um.

Logo após as notícias locais e o Bom Dia Brasil, ancorado por Leilane Neubarth e Renato Machado – hoje na GloboNews e no Globo Repórter –, a programação infantil, segmento pouco explorado pela TV aberta atualmente.

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Angélica em Bambuluá; Globo dedicava manhãs às crianças na época de Laços de Família (Imagem: Divulgação / Globo)

Em 2000, Angélica era a rainha das manhãs globais! Mas a fórmula do Angel Mix, que havia estreado em 1996, já havia se esgotado. Para conter a queda de audiência, a TV Globo cancelou o programa e estreou, de improviso, o bloco Férias Animadas, em 3 de julho. Angélica deixou o auditório, passando a anunciar desenhos como O Garoto Bugiganga, Jovens Monstros, Invasão da Terra – produzido por Steven Spielberg – e a sensação Digimon, uma resposta ao sucesso de Pokémon, então exibido pela Record. Digimon contava com um tema de abertura cantado por Angélica. Quem era criança naquela época ainda sabe todinho!

Junto com Férias Animadas, entrou no ar a TV Globinho. Vários repórteres-mirins realizavam entrevistas, entre a exibição de um desenho e outro. Em outubro, como presente de dia das crianças, a emissora lançou Bambuluá, nova atração de Angélica. Bambuluá era a cidade dos sonhos, pela qual a apresentadora / cantora se apaixonou após a realização de um show por lá. A cidade vivia em embate com Magush, localidade vizinha, dominada pelo Senhor Dumal. Contra ele, estavam os “cavaleiros do futuro”, grupo de crianças que utilizava diferentes tipos de energia para combater o inimigo. A TV Globinho passou a fazer parte de Bambuluá, que contava ainda com Turma da Mônica na TV – desenhos e esquetes de Jotalhão e Penadinho – e Irmãos em Ação, quadro do qual Cecília Dassi, a Sandrinha de Por Amor (1997), participava.

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Em 2000, Mais Você de Ana Maria Braga enfrentava problemas de audiência (Imagem: Divulgação / Globo)

Logo após o Angel Mix, e posteriormente Férias Animadas, tínhamos os melhores momentos de Os Trapalhões. As confusões de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias deixaram de ser exibidas quando o Mais Você passou a ser exibido de manhã.

A atração de Ana Maria Braga estreou em outubro de 1999, às 13h40, entre o Vídeo Show e o Vale a Pena Ver de Novo. Com problemas de audiência, o programa mudou de faixa em agosto de 2000, aproveitando-se do início do horário eleitoral para prefeitos e vereadores. O formato continuou padecendo às 10h45, certamente por ser veiculado em um horário no qual as crianças, naquele tempo, dominavam o controle remoto. Sem a esperada reação, o Mais Você entrou de férias em dezembro para voltar repaginado em março de 2001, quando Laços de Família já havia chegado ao fim. Aí, já alocado às 8h00, o programa começou a trilhar o caminho do sucesso…

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Herson Capri (Ramiro) e Sílvia Pfeifer (Letícia) em Tropicaliente; folhetim passou em brancas nuvens pelo Vale a Pena Ver de Novo (Imagem: Divulgação / Globo)

Talvez prejudicada pela entrega do Mais Você, quando exibido à tarde, a reprise de Tropicaliente (1994) não rendeu como esperado. A “tesoura” da edição transformou os 194 capítulos originais em apenas 79. Além disso, cometeu deslizes imperdoáveis, como exibir o mesmo bloco duas vezes em um determinado capítulo.

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Vivianne Pasmanter (Irene) e Paulo Betti (Olavo) em A Próxima Vítima; reprise em Vale a Pena Ver de Novo contou com cenas inéditas (Imagem: Arley Alves / Globo)

Substituta do folhetim de Walther Negrão no ‘Vale a Pena’, A Próxima Vítima (1995) foi a primeira trama da sessão a apresentar cenas inéditas. O final alternativo – com Ulisses (Otávio Augusto) respondendo pela série de crimes – fora concebido, originalmente, para agradar o público de Portugal, que acompanhou a novela com apenas um mês de diferença em relação ao Brasil. Nem todo mundo, porém, chegou a ver o novo desfecho, tão bem escrito quanto o original, já que a reprise, assim como Tropicaliente, não funcionou como esperado no quesito audiência

Exibir uma novela das oito à tarde trouxe transtornos para a Globo. O Ministério Público determinou que a emissora teria de adequar A Próxima Vítima, à então recém-lançada Classificação Indicativa, para obter o selo “livre”, podendo assim ser exibida em qualquer horário. No entanto, os cortes trariam prejuízos ao entendimento da narrativa. O Ministério Público entendeu que a Globo não editou a novela como deveria, desencadeando uma ação para supressão de cenas de violência, que, caso não fosse cumprida, poderia levar à multa de até R$ 5 milhões.

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Regina Duarte (Porcina) em Roque Santeiro; novela ganhou repeteco por conta dos 50 anos de TV e 35 de Globo (Imagem: Nelson Di Rago / Globo)

Em dezembro, A Próxima Vítima foi substituída por Roque Santeiro (1985). A novela de maior sucesso da televisão brasileira voltava ao ar nove anos após sua última exibição – às 17h, em 1991 – para homenagear os 50 anos de TV no Brasil e os 35 de Globo. O elenco adorou o repeteco! Em entrevista ao jornal O Globo, no dia que antecedeu a volta da novela, Cássia Kis, a Lulu, declarou: “Foi uma novela maravilhosa! Vai ser uma grande homenagem a atores que não estão mais conosco, como Paulo Gracindo (Padre Hipólito) e Armando Bógus (Zé das Medalhas). Vamos matar a saudade”. Roque Santeiro também sofreu com números, mas, por sorte, não padeceu com a edição, como suas antecessoras.

Malhação, que havia migrado para o Colégio Múltipla Escolha há pouquíssimo tempo, bombava! O casal Marcelo (Fábio Azevedo) e Joana (Ludmila Dayer) estava à frente da temporada, a mesma que pôs em cena o inesquecível Cabeção (Serginho Hondjakoff). Nessa fase, Malhação debatia temas importantes, numa linguagem que agradava jovens e adultos, pais e filhos. Em outubro, por exemplo, o enredo compreendeu o dilema de Érica (Samara Felippo), que se descobriu soropositiva. Já em janeiro, foco na homossexualidade de Sócrates (Erik Marmo), alvo dos ataques preconceituosos de Perereca (Márcio Kieling).

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Cássia Kis (Adelaide) em Esplendor; êxito da trama contemporânea de Laços de Família às 18h determinou esticamento (Imagem: Divulgação / Globo)

Esplendor também bombou muito! A “novela de verão”, cuja missão era resgatar os bons índices das 18h com uma narrativa de curta duração, agradou tanto que acabou esticada – abortando o tal projeto “folhetim para o calor”. De ensolarada, Esplendor não tinha nada! Muito pelo contrário… A trama era calcada no jogo de sombras que unia Flávia (Letícia Spiller), vivendo sob falsa identidade para fugir de um crime que não cometeu; Frederico (Floriano Peixoto), enclausurado em seu palacete desde a morte de sua esposa; e Cristóvão (Murilo Benício), braço-direto de Frederico, a quem invejava de modo doentio.

A novela de Ana Maria Moretzsohn chegou ao fim em 23 de junho, três semanas após o início de Laços de Família. No último capítulo, Cristóvão morre ao cair de um penhasco, tentando fugir com o dinheiro de Frederico e colocando a vida de sua amada Flávia e de seu caçula Gui (Thiago de Los Reyes) em risco. Já Adelaide (Cássia Kis, destaque absoluto da produção) tem uma filha com Norman (Gracindo Jr.), mas, com a saúde abalada desde os primeiros capítulos, falece pouco depois, numa das cenas mais bonitas, e inesquecíveis, de Esplendor.

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Adriana Esteves (Catarina) e Eduardo Moscovis (Petruchio) em O Cravo e a Rosa; clássico dividiu horário nobre com Laços de Família (Imagem: Divulgação / Globo)

Qual foi a primeira chamada veiculada no primeiro intervalo de Laços de Família? Acertou quem respondeu a de O Cravo e a Rosa! Com Esplendor se aproximando do fim, a Globo aproveitava a estreia da novela das oito, para anunciar o próximo cartaz das seis. O teaser já deixava claro quão divertida seria a trajetória do casal Julião Petruchio (Eduardo Moscovis) e Catarina Batista (Adriana Esteves).

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Pipa, Elaine, Juliana e Andréa, participantes da primeira edição de No Limite, sucesso da Globo em 2000 (Imagem: Roberto Steinberger / Globo)

No domingo, 23 de julho, a Globo deu início a onda de realities que, até hoje, domina a TV aberta. Era a estreia do No Limite! 12 participantes, com idades entre 18 e 60 anos, isolados em uma praia, obrigados a viver em condições adversas, enfrentando provas radicais para faturar R$ 300 mil… O game, vencido pela cabeleireira Elaine, atingiu 47 pontos na estreia. E chegou a picos de 54 com a degustação dos exóticos olhos de cabra. Um marco na história da TV brasileira!

O No Limite também fez subir a audiência do Fantástico, que o antecedia. A revista eletrônica já estava em uma boa fase, devido ao sucesso de quadros como o do ilusionista David Blane, que realizava truques na rua – e que bombou tanto a ponto de vir ao Brasil a convite do dominical – narrados pela voz indefectível de Cid Moreira; o Me Leva Brasil, de Maurício Kubrusly, lançado em janeiro; e o Retrato Falado, de Denise Fraga, que deixou seu programa de origem, o Zorra Total, para fazer história no show da vida, chegando a responder pela maior audiência do dominical.

O Sai de Baixo, também por conta do No Limite (no ar sempre após o reality), deslanchou! Não que o humorístico não tivesse feito sucesso até então… Pelo contrário! Sai de Baixo sempre foi muito bem quisto pelos telespectadores, que, no entanto, rechaçaram a mudança de cenário da temporada 2000. O restaurante Arouche’s Place logo saiu de cena, trazendo de volta o velho apartamento de Vavá (Luís Gustavo), do qual Neide Aparecida saiu (por conta da licença-maternidade de Márcia Cabrita), dando vez para a doméstica Sirene (Cláudia Rodrigues).

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Ana Paula Padrão na bancada do Jornal da Globo; jornalista assumiu o noticiário em agosto de 2000 (Imagem: Divulgação / Globo)

Também rolou dança das cadeiras no Jornal da Globo A excelente Lilian Witte Fibe deixou a bancada em abril de 2000. Após um breve período sob o comando do ótimo Carlos Tramontina, o JG ganhou nova âncora em 7 de agosto: Ana Paula Padrão, hoje à frente do Master Chef, na Band. A jornalista assumia a bancada em definitivo, após anos como correspondente em Brasília, Londres e Nova York.

Em outubro de 2000, foi a vez do Bom Dia Brasil ganhar cara nova! Mas não na apresentação… Leilane Neubarth e Renato Machado seguiam no comando do telejornal, que passou a contar com dois ambientes em um único cenário. A bancada se integrava ao espaço das poltronas, utilizado em entrevistas e comentários. Ao fundo, uma escultura do venezuelano Jesus Soto, feita de acrílico, formava a imagem do globo terrestre e do mapa do Brasil, com seus feixes presos do chão ao teto do cenário, um dos mais belos da história do telejornal.

Em 19 de agosto, a Globo deu início ao Festival da Música Brasileira, uma empreitada não muito bem sucedida que pretendia revelar novos talentos da MPB. 24 mil músicas foram inscritas e apenas 48 selecionadas para participar do programa, dividido em cinco episódios exibidos nas noites de sábado, logo após o Zorra Total. O público vaiou a canção vitoriosa, ‘Tudo Bem Meu Bem’, de Ricardo Soares, premiado com R$ 400 mil. A torcida era toda para ‘Brincos’, de Amauri Falabella, interpretada por Lula Barbosa, vencedora no voto popular, por telefone.

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Luciano Szafir, apresentador da última fase do Você Decide; programa foi extinto após queda nos números (Imagem: Divulgação / Globo)

Ainda em agosto, estreou a minissérie Aquarela do Brasil, com a incumbência de servir a grade de forma que outras atrações não fossem prejudicadas pelas Olímpiadas, que estavam para começar, e pelo horário eleitoral. Acrescente aí outra atribuição: elevar a moral da segunda linha de shows, abalada pelos filmes exibidos pelo SBT. Para você entender, segue um resumo das atrações pós-Laços de Família:

– Nas terças-feiras, o Casseta & Planeta, Urgente! fazia a alegria da galera, com sátiras como Esculachos de Família, na qual Bussunda interpretava Helena. Em seguida, entrava o Muvuca, de Regina Casé;

– Nas quintas-feiras, Linha Direta usava de dramatizações de casos reais, envolvendo crimes, sob o comando de Marcelo Rezende e, posteriormente, Domingo Meirelles. O Você Decide vinha na sequência, ancorado por Luciano Szafir.

– Nas sextas-feiras, o tradicional Globo Repórter antecedia o humorístico Garotas do Programa, estrelado por Zezé Polessa, Marília Pêra, Mariana Hein, Drica Moraes, Camila Pitanga e Betty Gofman.

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Maria Fernanda Cândido (Isa) em Aquarela do Brasil; minissérie padeceu com horário tardio e bastidores conturbados (Imagem: Roberto Steinberger / Globo)

Aí Aquarela do Brasil estreou e Muvuca, Você Decide (que estava para ser apresentado por Cissa Guimarães) e Garotas do Programa foram rifados da grade. A princípio, a minissérie fez bonito! Mas depois, exibida tardiamente por conta do futebol de quarta, e com desajustes entre o autor Lauro César Muniz e o diretor Jayme Monjardim, Aquarela do Brasil ficou impossibilitada de operar o milagre que lhe fora pedido. Mais: a minissérie obrigou TV Globo a negociar com a família de Ary Barroso pelo uso do título da canção ufanista composta por ele em 1939; recebeu uma enxurrada de críticas de Benedito Ruy Barbosa, que via no projeto resquícios da ideia que pretendia utilizar em sua nova novela; e acarretou em um processo que acusava a emissora e o autor de plágio. Independente de tudo isso, valeu a pena acompanhar a saga de Isa Galvão (Maria Fernanda Cândido), a moça do interior que desponta como cantora de rádio, despertando a paixão do Capitão Hélio (Edson Celulari) e do pianista Mário Lopes (Thiago Lacerda), durante a Segunda Guerra Mundial.

A única atração que sacudia a audiência da linha de shows em 2000 era a Tela Quente, com títulos de responsa! A comédia O Professor Aloprado, com Eddie Murphy, pintou na sequência do capítulo de estreia de Laços de Família; depois, vieram Romeu e Julieta (com Leonardo Di Caprio), Velocidade Máxima 2 (com Sandra Bullock), Volcano: A Fúria (com Tommy Lee Jones) e 007: O Amanhã Nunca Morre (com Pierce Brosnan).

Os jogos de quarta-feira também se saiam bem… Tanto que a Globo programou partidas em outros dias da semana, almejando manter os índices em alta. Um exemplo: a exibição do clássico Corinthians x Palmeiras pela Libertadores, que registrou 59 pontos de pico, na terça, 6 de junho, logo após o segundo capítulo de Laços de Família.

No sábado, 10 de junho, às 19h, a emissora exibiu a disputa de Acelino “Popó” Freitas e Lemuel Nelson pelo cinturão de superpenas em Boxe Internacional (empurrando Laços de Família para 22h); o brasileiro levou a melhor!

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William Bonner e Fátima Bernardes, âncoras do Jornal Nacional; cenário foi integrado à redação em 2000 (Imagem: Divulgação / Globo)

Em 12 de junho, o Brasil parou para acompanhar o sequestro do ônibus 174, no Rio de Janeiro. A Globo, temendo que o público fosse surpreendido pelo desfecho trágico do caso (que de fato aconteceu), decidiu não manter a transmissão ao vivo ininterruptamente. O então diretor da Central Globo de Jornalismo, Evandro Carlos de Andrade, reviu tal decisão pouco depois, alegando que “poupar” o telespectador da informação seria uma forma de censura. Desde então, fatos prolongados que causam grande expectativa no público são sempre mantidos no ar, sem interrupções. A repercussão do triste ocorrido se deu no Jornal Nacional, então com Fátima Bernardes e William Bonner no novíssimo cenário, um mezanino acima da redação.

Uma corrente de solidariedade dominou o sábado, 29 de julho, com a transmissão do Criança Esperança. Os esportes olímpicos deram a tônica do especial naquele ano. O mestre de cerimônias Renato Aragão desceu do teto por uma corda, logo após um vídeo comemorativo dos 15 anos do programa. E é claro que o elenco de Laços de Família marcou presença! Helena Ranaldi, Reynaldo Gianecchini e Tony Ramos deram seus depoimentos, entre os números musicais, assim como o jogador de vôlei Maurício Lima e o velocista Robson Caetano. O especial rememorou o sequestro do ônibus 174, promovendo um apelo pela paz.

Outra celebração veiculada durante a exibição original de Laços de Família foi a Missa da Vida, celebrada pelo padre Marcelo Rossi no dia de Finados. O evento, que contou com shows do Fat Family e de Sandy e Júnior, reuniu 2,4 milhões de pessoas no Aterro do Flamengo, e foi exibido, ao vivo, na manhã de 2 de novembro.

Em 2000, a TV comemorou 50 anos de atividade no Brasil! E a Globo chegou aos 35 anos de existência. Para homenagear tais datas, a emissora produziu diversos especiais, comumente veiculados aos sábados, após a novela das oito. Enquanto Laços de Família esteve no ar, foram exibidos cinco especiais. Segue a lista:

– Programas de auditório (10/06): com as participações de Gugu Liberato e Hebe Camargo (do SBT) e Raul Gil (então na Record), o especial reverenciou figuras como Chacrinha, Flávio Cavalcanti e J. Silvestre;

– Programas infantis (15/07): Elias Gleizer e Susana Vieira estrelaram o conto, no qual ele, o pai, preparava uma festa de aniversário para ela, a filha, com o tema “infantis da TV”. Assim, rememoravam clássicos como Capitão Aza, Vila Sésamo, Sítio do Pica-Pau Amarelo, Globinho, Xou da Xuxa e Rá Tim Bum.

– Publicidade (07/10): numa homenagem aos comerciais, revimos o “reclame” dos cobertores Parahyba, do primeiro sutiã Valisère, do garoto Bombril, do casal Unibanco, o “tempo passa, tempo voa” do Banco Bamerindus e o “baixinho” da Kaiser.

– Novelas (28/10 e 04/11): para encerrar, o mais especial dos especiais! Depoimentos emocionantes, dos atores e do público, rememoram a história da telenovela no Brasil, em dois programas que ficaram eternizados na memória de todo noveleiro.

Em 13 de setembro, a Globo iniciou a cobertura das Olimpíadas de Sydney, na Austrália. Com a diferença de fuso horário de mais de 14 horas, o canal foi obrigado a apostar em madrugadas olímpicas. A equipe do Programa do Jô, que havia estreado em abril de 2000, chegou a ir para Sydney, mas, como o número de provas exibidas ao vivo superou as expectativas, o programa quase não foi ao ar durante o período. A audiência bombou! Índices nunca antes vistos na madrugada foram registrados durante as transmissões esportivas. E durante todo o ano, a emissora havia exibido, entre Jornal Hoje e Vídeo Show e Programa do Jô e Intercine, os programas Perfil Olímpico, que recontava a trajetória de grandes atletas e das promessas da delegação brasileira.

Com o término dos jogos, a Globo reformulou a grade. Após o Telecurso 2000, passou a entrar o Globo Rural diário, uma versão mais ágil do dominical que segue bombando nos domingos. O jornalístico, também extinto para a entrada do Hora Um, era apresentado em sua estreia por Rosana Jatobá, com previsão do tempo de Lúcio Sturm.

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Serginho Groisman no Altas Horas; atração estreou durante exibição de Laços de Família às 20h (Imagem: Divulgação / Globo)

Também em outubro, na madrugada de sábado, 14, estreou o Altas Horas. Serginho Groisman já estava na Globo desde o ano anterior, no comando do Ação e de programas especiais, como o Festival da Música Brasileira. Na primeira edição, Paula Toller e Rita Lee cantaram acompanhadas da banda do programa, formada apenas por mulheres. O jornalismo marcava presença na fase inicial do Altas Horas, percorrendo cenários noturnos, como uma delegacia, boates e até uma academia de ginástica que funcionava 24 horas, novidade para a época. A atração logo se consagrou, sempre batendo nos dois dígitos de audiência.

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Luciano Huck no palco do Caldeirão do Huck; programa demorou para emplacar na audiência (Imagem: Divulgação / Globo)

Ainda nos sábados, após uma versão do Vídeo Show produzida especialmente para este dia – com Miguel Falabella na apresentação e Paulo Vilhena estreando na reportagem – e antes do futebol ou da Sessão de Sábado, tínhamos o Caldeirão do Huck, em seu primeiro ano. Longe de beldades com Suzana Alves (a Tiazinha) e Joana Prado (a Feiticeira), que o consagraram no H, da Band, Luciano Huck se esforçava para emplacar na audiência. O ‘Caldeirão’ já promovia benfeitorias, como em Trato na Escola, e gincanas, caso de Tá em Casa. E contava ainda com a participação de Emílio Surita e Marcos Chiesa, o Bola, integrantes do Pânico.

Aos domingos, logo após o Esporte Espetacular, rolava A Turma do Didi, Sandy & Junior, Gente Inocente e Planeta Xuxa. Em seguida, o Megatom, formato solo de Tom Cavalcante, recém-saído do Sai de Baixo.

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O apresentador Fausto Silva; Domingão do Faustão atravessou fase difícil em audiência enquanto Laços de Família era exibida às 20h (Imagem: Divulgação / Globo)

Em 2000, o clássico Domingão do Faustão vivia, certamente, o pior momento de sua trajetória. As derrotas para o Domingo Legal, do SBT, eram constantes. Perduraram por mais de 30 semanas, mesmo com troca de diretores, retorno de quadros como Caminhão do Faustão, vetos a artistas que apareciam na concorrência, abandono do “ao vivo” e da estreia do quadro Sufoco, inspirado em No Limite. Fausto Silva voltou a vencer a “batalha dos domingos” com o seu especial de Natal, destacando as participações do Harmonia do Samba e de Chitãozinho e Xororó. Ainda assim, o ‘Domingão’ demorou para recobrar a liderança em definitivo…

Em dezembro, a Globo celebrou o Natal e o Ano Novo com inúmeros especiais! Tela Quente trouxe Gênio Indomável e Um Herói de Brinquedo; no Super Cine, A Gaiola das Loucas. Ainda, edições temáticas de Casseta & Planeta, Urgente!, do Globo Repórter –que desvendou os mistérios do Pantanal –, e do Sai de Baixo, que antecedeu a Missa do Galo na véspera de Natal, além de um especial sobre o Cirque Du Soleil. A Globo promoveu também a volta de Roberto Carlos, cujo especial de todo ano não havia sido exibido em 1999, por conta da perda sofrida pelo cantor, a de sua mulher, Maria Rita, reverenciada durante toda a edição de 2000.

O fim de ano contou também com a estreia do Brava Gente. Foram oito episódios, escritos, dentre outros, por Alcides Nogueira, João Emanuel Carneiro, Mauro Rasi e Walcyr Carrasco. E dirigidos por nomes como Denise Saraceni, Guel Arraes, Maurício Farias e Walter Avancini. Os programas foram exibidos entre 26 e 29 de dezembro e renderam a permanência da série na grade, no ano seguinte, bem como o spin-off Cidade dos Homens, concebido a partir do episódio Palace II.

Mas quem bombou de fato naquele fim de ano foi Titanic. O campeão de bilheteria estrelado por Kate Winslet e Leonardo Di Caprio foi exibido em duas partes, abrindo a programação especial de fim de ano, nos dias 14 e 15 de dezembro (quinta e sexta). E registrou impressionantes 51 pontos de audiência, contribuindo, inclusive, para elevar a média de Laços de Família, que serviu de “sala de espera” para o filme.

Aí, 2001 começou, cercado de promessas! Algumas se cumpriram, outras ficaram pelo caminho. O Festival Nacional foi de 1º a 7 de janeiro, com títulos como Zoando na TV (com Angélica), Bela Donna (com Eduardo Moscovis) e Orfeu (com Toni Garrido).

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Ana Paula Arósio (Maria Eduarda) e Fábio Assunção (Carlos Eduardo) em Os Maias; minissérie marcou início de 2001 (Imagem: Cristiana Isidoro / Globo)

Na semana seguinte, estreou Os Maias. A adaptação de Maria Adelaide Amaral para a obra de Eça de Queiróz impressionou com a direção impecável de Luiz Fernando Carvalho e o desempenho irrepreensível de seu elenco. Só para constar: Ana Paula Arósio (Maria Eduarda), Fábio Assunção (Carlos Eduardo), Walmor Chagas (Afonso), Leonardo Vieira (Pedro), Simone Spoladore e Marília Pêra (as duas como Maria Monforte, em fases diferentes). O ritmo lento da minissérie, aliado ao horário tardio, acabou por afugentar o público. Uma pena…

Também em janeiro, a Globo levou os âncoras do RJTV para a Cidade do Rock, turbinando a cobertura da terceira edição do Rock in Rio, exibida entre os dias 12 e 21. Pelos “melhores momentos”, apresentados todas as noites enquanto o festival esteve no ar por Márcio Garcia, passaram Iron Maiden, Oasis, Britney Spears, Cássia Eller, Carlinhos Brown, Guns N’Roses e Foo Figthers. A cobertura incluiu ainda retrospectos das edições anteriores do Rock in Rio e comentários de Zeca Camargo.

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Cláudio Heinrich (Tatuapu) em Uga-Uga; novela revitalizou faixa das sete (Imagem: Divulgação / Globo)

Em 19 de janeiro, a novela das sete que acompanhou Laços de Família durante praticamente toda sua exibição chegou ao fim. Uga-Uga, de Carlos Lombardi, reanimou a faixa, com uma boa dose de humor e uma elevada porção de erotismo. Seus números foram os maiores do horário desde A Viagem (1994). Seu sucesso implicou na venda de brinquedos com o Sapo Chulé, concebido pelo herdeiro de uma fábrica de bonecos, criado em uma aldeia indígena após perder os pais, Tatuapu (Cláudio Heinrich). Antes do “fim”, Baldochi (Humberto Martins), protetor de Tatuapu, ressuscitou, para a alegria da noiva que o esperou durante anos, Maria João (Vivianne Pasmanter), mecânica masculinizada de coração doce.

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Caio Blat (Rafael) em Um Anjo Caiu do Céu; trama de Antonio Calmon estreou durante reta final de Laços de Família (Imagem: Divulgação / Globo)

Na segunda-feira seguinte (22), estreou Um Anjo Caiu do Céu, outra delícia de novela! No primeiro capítulo da trama de Antonio Calmon, o fotógrafo João Medeiros (Tarcísio Meira) foi salvo pelo anjo Rafael (Caio Blat), de um atentado em Praga, capital da República Tcheca. João tinha assim a chance de rever sua vida e recuperar o afeto daqueles que abandonou: a esposa Naná (Renata Sorrah) e as filhas Duda (Patrícia Pillar) e Virgínia (Deborah Evelyn); o herdeiro enjeitado Josué (Felipe Camargo), envolvido com a caçadora de nazistas Lenya (Chris Couto); e a bastarda Cuca (Débora Falabella, estreando na Globo), fruto da relação extraconjugal com a cunhada Laila (Christiane Torloni em um de seus melhores personagens).

A estreia da segunda edição de No Limite aconteceu no domingo que antecedeu o início da última semana de Laços de Família. Os índices foram excelentes, mas talvez devido ao fato do público já conhecer a fórmula, o programa não atingiu a repercussão que tivera em julho de 2000.

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Xuxa Meneghel no comando do Xuxa Park; programa chegou ao fim após incêndio (Imagem: Arley Alves / Globo)

E em meio a tantos inícios, um triste fim: o Xuxa Park encerrava sua trajetória nas manhãs de sábado após um incêndio causado por um curto-circuito durante a gravação de 11 de janeiro de 2001. 26 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave, todas com internações e cirurgias plásticas custeadas pela Globo. Felizmente, não houve vítimas fatais. A atração saiu do ar no sábado seguinte ao acidente. E Xuxa Meneghel passou a se dedicar apenas ao Planeta Xuxa.

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.