Amor de Mãe ganha audiência com novelão e gera expectativa sobre retorno

Amor de Mãe
Regina Casé (Lurdes) em Amor de Mãe; novela sai de cena com recorde de média semanal (Imagem: Camilla Maia / Globo)

Amor de Mãe saiu de cena, no último sábado (21), em sua melhor fase no que tange à audiência. Entre os dias 16 e 21 de março, a novela de Manuela Dias acumulou 36,7 pontos. O recorde de média semanal está associado, claro, ao elevado número de televisores ligados – obra do isolamento social, uma das medidas profiláticas adotadas contra o avanço do coronavírus. A trama, contudo, também teve seus méritos.

Lançada no último 25 de novembro, às vésperas da sempre aguardada queda nos números por conta das férias escolares e das festas de fim de ano, Amor de Mãe demonstrou seu poder de fogo quando, entre 20 e 25 de janeiro, rompeu a barreira dos 30 pontos de média semanal. Tais capítulos destacaram a ocupação da escola onde Camila (Jéssica Ellen) leciona.

A produção das 21h vinha batendo sucessivos recordes, a cada semana, desde as cenas veiculadas entre 17 e 22 de fevereiro – quando Betina (Isis Valverde) tomou posse da parte que lhe cabia na herança do pai de Álvaro (Irandhir Santos), seu meio-irmão. Foi de 31,7 pontos neste período para os 36,7 da última semana – com Thelma (Adriana Esteves) fazendo das tripas coração para impedir que Lurdes (Regina Casé) descubra que Danilo (Chay Suede), comprado por ela na infância, é Domênico.

Vendida como inovadora, do lançamento de uma autora “com pouca experiência” às 21h até a inauguração do complexo de estúdios MG4, que abriga as gravações, Amor de Mãe causou impacto tanto pela estética quanto pelo ritmo – proveniente dos trabalhos anteriores de Manuela Dias e José Luiz Villamarim, afeitos às séries. Boa parcela do público comprou a narrativa de “mudança imposta pela Globo” ao tradicional folhetim… Bobagem.

Amor de Mãe nada mais é que um novelão, com todos os clichês que cabem ao gênero. Quando o “processo de maturação” da narrativa evidenciou características mais próximas da novela que todo mundo conhece, a audiência reagiu positivamente. Para tal, nenhuma mudança drástica se fez necessária. O enredo simplesmente seguiu seu fluxo. Exceto por uma ou outra cena de Lurdes (Regina Casé) em situações cômicas, reforçando o humor inerente ao perfil da personagem desde o primeiro capítulo. E a supressão do cansativo núcleo de ambientalistas.

A vilania que associam a Thelma nas últimas semanas – estabelecendo inclusive paralelo com Carminha, defendida com o mesmo brilho pela mesma Adriana Esteves em Avenida Brasil (2012) – existe desde o início. Quem viu, com certeza lembra dela reagindo quase serena à morte do irmão, Sinésio (Júlio Andrade), que ameaçava revelar sua doença a Danilo. O temor acerca do segredo envolvendo a origem do filho só fez potencializar os distúrbios psicológicos da comerciante.

A expectativa para o retorno, do telespectador que já apreciava ou do que foi aprendendo a apreciar, é grande. Dos 155 capítulos previstos, restam 53. Não se sabe, até o momento, se este número sofrerá alterações; a retomada exigirá novos contratos, com os atores que assinaram por obra, e a disponibilidade de todos os envolvidos, que certamente terão de abrir mão de compromissos pré-agendados. Também não há, ainda, previsão para a volta aos trabalhos.

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Adriana Esteves (Thelma) em Amor de Mãe; folhetim ostenta boa média de audiência (Imagem: João Cotta / Globo)

Para os aficionados por números: os 102 capítulos de Amor de Mãe alcançaram 30,5 pontos. Menos do que os 36 anotados por O Outro Lado do Paraíso (2017), 34,5 de A Dona do Pedaço (2019), 33 de A Força do Querer (2017), 32,3 de Segundo Sol (2018) e 30,7 de Império (2014). A trama supera os 28,1 atingidos por O Sétimo Guardião (2018), 27,9 de Velho Chico (2016), 26,1 de A Regra do Jogo (2015), 25,9 de A Lei do Amor (2016) e 25 de Babilônia (2015).

Amor de Mãe já bateu a média-geral das últimas cinco produções citadas – O Sétimo Guardião (28,8), Velho Chico (29), A Regra do Jogo (28,5), A Lei do Amor (27,2) e Babilônia (25,4). É bem provável que a expectativa para a “segunda fase” a aproxime de Império (32,7) e Segundo Sol (33,4). No topo do horário, considerando os folhetins exibidos nos últimos cinco anos, estão A Força do Querer (35,7), A Dona do Pedaço (35,9) e O Outro Lado do Paraíso (38,2).

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Christiane Torloni (Tereza Cristina) em Fina Estampa; edição especial de novela estreia bem (Imagem: João Miguel Júnior / Globo)

Ainda sobre audiência: o primeiro capítulo da edição especial de Fina Estampa (2011), exibido nesta segunda-feira (23), consolidou 35,4 pontos, tal qual a estreia de Amor de Mãe – abaixo dos 36 que a produção emplacou no sábado, com o fim da “primeira fase”. O enredo de Aguinaldo Silva vai ao encontro da proposta da Globo, indiretamente citada por Renata Vasconcellos no encerramento do Jornal Nacional: “É hora de relaxar um pouquinho e se divertir”.

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Juliana Paes (Carolina) e Fábio Assunção (Arthur) em Totalmente Demais; novela volta à faixa das 19h na próxima segunda-feira (30) (Imagem: Renato Rocha Miranda / Globo)

Aliás, os cortes em Fina Estampa não se aplicam a Novo Mundo (2017) e Totalmente Demais (2015), que voltam à tela da Globo na próxima segunda (30). Diferente da “edição especial” das 21h, que transformou 22 capítulos em 12, os folhetins das 18h e das 19h vão ao ar, de acordo com os resumos já divulgados pelo canal, na íntegra – ao menos os exibidos de 30 de março a 4 de abril.

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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